Mai 17 2008
O cante alentejano visto pelos leitores -2-


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A mansidão da paisagem excita-nos a alma.
O cantar dá-nos a verticalidade.
A planície o nosso palco e manto.
Olho a cadência do tempo no expectante desarticular de
um cabelo que agora é branco.
O tempo passou.
A saudade percorre-me.
25 anos, que foram dias, Primaveras, desassossegos que passaram por nós,
como uma pinga de suor que cai do rosto até estatelar-se no chão que a absorve.
Os que ficaram pelo caminho.
Foram tantos.
Descarnados ecoam as suas almas na planície, bradando penitência
a um Deus que também não é perfeito.
Francisco Mósca


17 de Maio de 2008 às 12:06
O cante alentejano e toda a sua envolvência, deveriam merecer outro tipo de atenção e uma atitude diferenciada por todos nós, mas sobretudo pelas entidades com responsabilidade regional. E é pena que assim não seja, isto independentemente de se gostar ou não do mesmo.
Sem dúvida que é na indústria do turismo e nas suas actividades paralelas, que está o futuro desenvolvimento do Alentejo. Logo de nada servirão todos os investimentos em infra-estruturas em curso, se não se soubermos vender aquilo que temos e nos diferencia dos outros. Veja-se o exemplo espanhol.
19 de Maio de 2008 às 16:38
Compreendo que estas imagens não provoquem qualquer impacte noutras pessoas…percebo porque elas nunca estiveram lá. Nunca pisaram aquele chão de cimento manchado, jamais sentiram o cheiro a vinho impregnado nas pipas, na madeira das mesas, no mármore do balcão e na roupa dos homens que lá passavam as tardes…o cheiro a tabaco…aqueles cigarros sem filtro, de enrolar? Acho que não sei… mas ainda lhes sinto o cheiro.
Compreendo, apesar de não aceitar tranquilamente, que muita gente (demais) não alcance «a envolvência» do cante alentejano…é verdade que nunca trabalhei no campo, nunca tive calos nas mãos, sempre tive o que comer…mas fugi muitas vezes de casa da avó, com a desculpa de comprar pastilhas «Gorila» e pipas salgadas, só p’ra ver e ouvir os homens cantar na “adega do sintra”…isso bastou para que o cante ficasse p’ra sempre comigo! Agora entendo que fui uma previlegiada!