Jan 18 2022
Demissões no Hospital de Beja

Doze chefes de equipa das urgências do hospital de Beja apresentam demissão
Os chefes de equipa de Medicina Interna consideram que “as condições atuais não permitem assegurar cuidados aos doentes com a qualidade e segurança devidas”
No Expresso:
“Doze chefes de equipa das urgências do hospital de Beja apresentaram hoje demissão dos cargos alegando não terem condições para tratar dos doentes com qualidade e segurança, sobretudo devido à falta de médicos e sobrecarga de trabalho.
No pedido de demissão, a que a agência Lusa teve acesso, os 12 chefes de equipa de Medicina Interna consideram que “as condições atuais não permitem assegurar cuidados aos doentes com a qualidade e segurança devidas” no Serviço de Urgência (SU) do hospital de Beja, gerido pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA).
Por isso, os especialistas apresentaram a demissão dos cargos “até que seja feita uma reavaliação da situação” do SU, “com resolução da carência de recursos humanos médicos e reapreciação das competências dos chefes de equipa”.
Os médicos referem que a decisão de apresentarem a demissão foi tomada agora “em virtude de uma situação ‘arrastada’ de declínio das condições de trabalho e de organização” do SU, “para a qual foi solicitada a atenção do conselho de administração” da ULSBA, “por inúmeras vezes, sem qualquer resposta efetiva”.
Os chefes de equipa demissionários consideram “aceitável um prazo de duas semanas para agendamento de uma reunião entre os elementos interessados” e avisam que, “na ausência de resposta, estão previstas medidas adicionais”.
Os 12 chefes de equipa também já pediram escusa de responsabilidade civil, juntamente com mais quatro médicos especialistas do hospital de Beja.
Segundo os médicos demissionários, a pandemia de covid-19 “veio agravar as condições, já de si precárias, em que o trabalho é desenvolvido” nas urgências do hospital.
A “sobrecarga de trabalho trazida pela pandemia atingiu maioritariamente o serviço de Medicina Interna”, cujos elementos viram a sua carga laboral diária e semanal aumentar por vários motivos.
A criação do “Serviço de Urgência Covid-19”, onde “a observação de doentes está praticamente à responsabilidade exclusiva da equipa de Medicina Interna”, do serviço “Medicina Covid-19”, com “consequente expansão do número total de camas à responsabilidade” desta especialidade, da consulta de “Follow-up-Covid-19”, nos mesmos pressupostos, tal como “outras solicitações extra”, são alguns dos motivos invocados.
Os médicos destacam que, durante este período, o serviço de Medicina Interna “sofreu” uma “redução” de elementos, “ao invés de um reforço”, apesar de ter “aumentado a abrangência da sua área de intervenção”.
Segundo os signatários, “só em 2021, os assistentes hospitalares do Serviço de Medicina Interna realizaram uma média de 600 horas extraordinárias” e, atualmente, apresentam “grande desgaste físico e mental”.
A par destas problemáticas, os 12 médicos também salientam a inexistência de um diretor do SU, a indefinição do papel de chefe de equipa, “a ausência sistemática, e cada vez mais frequente, de elementos do atendimento geral, sobrecarregando a especialidade de Medicina Interna”, e a “referenciação sem critério” de utentes dos centros de saúde e dos serviços de urgência básica para o SU do hospital de Beja.
Lamentam “a necessidade crescente de transportes pela Medicina Interna a partir do SU” para outros hospitais, o “que deixa muitas vezes” a equipa daquela especialidade “desfalcada, com apenas dois elementos (e pontualmente com um)”.
“Sendo que se um deles estiver” no Serviço de Urgência Covid-19, “resta apenas um elemento de Medicina Interna para dar resposta a toda a urgência não covid-19 (e durante o período noturno a todo o hospital)”.
Os médicos também criticam “a inexistência de contratação de internistas externos para colmatar as falhas na escala ou por motivos de baixa médica, sendo estas exclusivamente asseguradas pelo ‘staff’ interno ou não sendo asseguradas de todo”.
O documento com o pedido de demissão foi assinado pelos 12 chefes de equipa e enviado à presidente do conselho de administração, Conceição Margalha, ao diretor clínico de Cuidados Hospitalares, José Aníbal Soares, e ao diretor do Serviço de Medicina Interna, José Vaz.
Outros seis médicos do hospital de Beja subscreveram o documento em sinal de solidariedade para com os 12 chefes de equipa demissionários.”
(aqui)


18 de Janeiro de 2022 às 15:54:17
Como chegou esta desgraça. Viva o PS.
18 de Janeiro de 2022 às 20:00:51
Até pensei que era uma notícia já ” velha “.
É que ontem, a ideia com que fiquei ao ouvir o Dr. António Costa falar do SNS, era que tudo estava bem, haviam mais médicos, fizeram-se mais cirurgias, mais consultas..
18 de Janeiro de 2022 às 21:39:55
Que bonito…
Onde está o Rei do Porco Preto? A Adjunta de Odemira? Os informadores de Costa , onde estão?
Andam todos em campanha pelo tacho, correndo ruas e ruelas onde há muito não iam para aparecer nas votos do Besugo.
Dá para todos … menos para a nossa cidade que ficará sempre para trás …
18 de Janeiro de 2022 às 22:32:27
Os Srs Doutores agora é que se lembram que o hospital funciona pior que qualquer País do 3 mundo? Tanga de período eleitoral!!!!
18 de Janeiro de 2022 às 23:31:00
Os desgovernantes de Lisboa têm de dar mais condições de trabalho aos profissionais, materiais e humanas. Pagamos mais impostos e atenção, nada. Por todo o país deviam demitir-se. É só palavras bonitas na boca do Costa e outros da sua laia. Zé toi
19 de Janeiro de 2022 às 0:38:14
D. Lelia Pestana não se admire de nada pois amanhã o Costa vai ser recebido numa exploração de morangos, junto a Beja, de camaradas seus do PSD, acerca da qual existem grandes dúvidas da correcta execução dos projectos IFAP. Não será nada que o Costa não esteja habituado. Portugal saberá que em Beja e em concelhos envolvente temos palettes de morangos?????? Cambada de aldrabões e vigaristas sempre pendurados no PSD e/ou no PS.
21 de Janeiro de 2022 às 10:34:11
Isto não está também relacionado com um Diretor em particular?
Mais faz quem quer do que quem pode, e se na direção há quem não seja responsabilizado pelo resultado da coisa, seja o Costa seja o Riu seja quem for, não se vê solução e melhoria.
Será que a direção quer mesmo melhorado o serviço? Que limitações existem na administração? Seria importante ver isso clarificado e não apenas acusações ao Partido X Y ou Z.
Só falta dizer que a culpa é do PA, mas pronto, estou apenas a brincar (à moda do Rio)