Jun 23 2010
Beja orgulha-se

De ter acabado com os seus usos e tradições.
Recordo-me das Maias – é verdade que já não há o tostãozinho nem meninas vestidas de branco.
Lembro-me dos desfiles/concursos de grupos alentejanos a cantar pelas ruas do centro da cidade – é verdade que o centro da cidade morreu.
As noites de Junho trazem-me à alembrança as fogueiras dos santos populares, o cheiro do alecrim a alegrar ruas e ruelas – é verdade que as ruas deram lugar a prédios, a bairros, a dormitórios.
E era nestas noites que corríamos de baile em baile, com ou sem a sardinha assada, mas com conjuntos musicais a animar a dança à volta do mastro – é verdade que já não há conjuntos nem mastros.
Beja orgulha-se de ter perdido, ao longo dos tempos, os aromas e sabores populares.
Em contrapartida, nasceram dezenas de associações, de agrupamentos de cidadãos, de agremiações, todas dependentes de um subsídio para fazer cultura e desporto.
Esqueceram-se das tradições. Não quiseram saber do cheiro do orvalho do mar.
Como é hábito, nesta noite véspera do santo com o meu nome, vou queimar alecrim.
As sardinhas virão depois.


23 de Junho de 2010 às 9:21:48
Vai até ao Porto, nas Fontainhas ainda há S. João, por aqui acho que só se derem um subsidio para as fogueiras é que voltaremos a ter tais eventos.
23 de Junho de 2010 às 16:55:47
Mas também pode hoje dar um saltinho a Serpa: temos 8 marchas a desfilar e mastro a rigor!
23 de Junho de 2010 às 22:41:08
Recordo que nos anos da nossa adolescência os melhores bailes eram 3 ou 4, na cidade e que daí um grupo de rapazes e alguns já homens se organizaram e com voluntariado, começaram a fazer durante vários anos no ínicio da década de 70 no Jardim / Largo das Alcaçarias o mais emblemático e concorrido lugar com milhares de pessoas nas festas dos santos populares, em Beja.
E foram dessas receitas que se criaram financeiramente as bases para a iniciação da ASSOCIAÇÃO CULTURAL e RECREATIVA ZONA AZUL , por hoje com cerca de 700 praticantes e 1.700 sócios.
Não sei se não seria boa ideia, para não se estar ” pendurado ” na subsídio-dependência ( autarquica e estatal ), reactivar e inovar, e talvez quem saiba criar novas receitas face às inúmeras despesas e encargos.
Apenas e só uma simples sugestão.
23 de Junho de 2010 às 22:45:17
Não concordo com essa crítica ao subsídios. A cultura é um investimento para o bem colectivo, como tal, o seu desenvolvimento e crescimento tem de ser apoiado pela estado. Não nos podemos esquecer que essa tem de ser uma das responsabilidades do estado, investir e apoiar a cultura. Portanto, tudo o resto é simples demagogia.
Por outro lado, o problema da perda de algumas tradições populares não é somente um mal de Beja. É um mal geral de uma sociedade cada vez mais individualizada, as pessoas esquecem-se que cidadania não é só votar em alturas de eleições e mandar umas bocas do sofá enquanto se vê o telejornal.
Também passa muito pela formação que é dada nas escolas, que infelizmente deveria incentivar os jovens a terem maior iniciativa e motivá-los a envolverem-se em projectos que não se limitem à esfera profissional ou académica, porque isso também é cidadania!
23 de Junho de 2010 às 23:01:15
É uma tristeza, sabermos que tivémos tanto e perdemos tudo…
Também eu sinto saudades das Maias, dos Mastros e da sardinha assada, das fogueiras, dos Cantares Alentejanos, da Doçaria…esperemos que melhores tempos venham!!!!!!!!
24 de Junho de 2010 às 21:11:08
É talvez o sinal dos tempos, axo que anda tudo preocupado com outro tipo de coisas, aliás as coisas mudaram mesmo, já ninguem liga a mastros nem ás comemoraçoes dos santos. As agremiações os agrupamentos de cidadãos etc. têm tido prejuizos a fazer alguns eventos é natural que tenham algum receio de voltar a fazer.