Set 25 2026

Proposta

Publicado por as 14:05:10 em A minha cidade

Paulo Arsénio está muito irritado com desenho de Catarina Eufémia numa parede em Beja. Para que conste: nada me aproxima das militâncias defensoras desta mulher e do seu mito.
Mas gosto de ver as paredes da minha cidade animadas com arte.
Já se percebeu que Arsénio não consegue libertar-se da derrota que sofreu. Qualquer coisa lhe serve para barafustar.
Assim, deixo aqui uma proposta para um qualquer beco ou rua da cidade, como homenagem aos derrotados da política bejense.

Resta saber onde é que o desenho pode ser visível.

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5 Resposta a “Proposta”

  1. Manuel Alentejano diz:

    Catarina Eufémia será sempre um símbolo e uma heroína da cidade e da região. Pelo que merece e justifica o mural que lhe foi feito.
    Já que pagou com a própria vida o preço de reivindicar para si, para a sua família e para as pessoas da sua terra, o seu sustento face à miséria em que então viviam.
    Agora, há que acabar de vez com a mentira que terá sido militante do PCP ou do que foi depois foi a UDP/Bloco de Esquerda. A não ser que esses partidos mostrem provas credíveis que o tenha sido. E até porque a própria família, a começar pelo esposo, sempre o negaram.
    Assim como foi morta com um tiro à “queima roupa” , não estava grávida, ao contrário de poemas e pinturas que entretanto foram feitos até à exaustão, e que o então proprietário do local onde ocorreu a morte, chamou a GNR porque temeu confrontos entre as trabalhadoras de Baleizão com outras também do concelho, e não das Beiras ou do Algarve, que lá estavam para fazer os trabalhos.

  2. Biscates diz:

    Podem prantar atrás da Camara, para ele estar sempre a ver o que tanto fez para perder. O PS quer é apoiar imigrantes a entrar à larga, festinhas e dar tachos a incompetentes, como os que ajudaram o Arsénio a perder a Camara.

  3. Bejense diz:

    Ainda está vivo quem consiga descrever o que era a vida do campo, das mondadeiras, dos ceifeiros.
    Como e onde viviam, eles e os seus filhos, como vestiam e se alimentavam, quantas horas trabalhavam, quanto ganhavam e em que condições o faziam.

    A história de Catarina serve para nos recordar esses tempos de dificuldade e reconhecer semelhanças, repetições, neste tempo que vivemos.
    Não é difícil reconhecer no presente as dificuldades de trabalhar no campo, as dificuldades em viver com os rendimentos de esse trabalho, mas também a exploração de trabalhadores vulneráveis.

    A diferença está na nacionalidade, quem rasga as vestes pela perpetuação do símbolo de Catarina, não levanta a voz por aqueles que atualmente sentem na pele o que ela passou.
    Até em relação á interação com as autoridades a história tem semelhanças, se Catarina foi morta por um GNR, a mesma instituição foi posta em causa quando vários dos seus elementos faziam “segurança” aos trabalhadores imigrantes.
    Alguém sabe dizer como ficou todo esse processo?? Se calhar não interessa para nada…

    A história tem esta tendencia a repetir-se, mas também a não ensinar a quem vem depois.

  4. Cavalo diz:

    @Biscates, o primeiro rato a saltar do barco foi logo o Marreiros, esse é fino e já sabia no que ia dar e foi-se montar no lixo, está cada vez mais longe e qualquer dia está em Mértola outra vez o que, para ele, deve ser muito doloroso.

  5. Pedro Portela diz:

    Caro vereador Paulo Arsénio,

    Beja, tendo sido romana, proponho que derrubes todo o edificado; tendo ainda um Cine Pax, que o esmurres todas as manhãs; tendo ainda uns vestígios de cereais de outras eras, sugiro-te que lhes lances fogo. Ainda que restem outras formas de confecionar a açorda, proponho-te que as lances da torre de menagem. Se necessário for, grita, gesticula e abre as asas. Ainda que todas as cartas de amor, deste teu amor, sejam ridículas, questiona todos os amantes por que se lançam sobre ti.
    Ainda que restem uns museus e umas ruas, umas paletas e todo o universo, ainda restam ruas e paredes e ideias; ainda existem, ainda restam obras de centenas de artistas que deverias, por princípio, cilindrar. Sugiro-te mais: que reúnas todas as telas, todas as paletas, todas as cores, todos os guaches, todos os acrílicos, todos os cavaletes de todos os ateliês e os comas. Ainda que te restem milhares de cabeças ainda diferentes, ainda que te restem milhões e triliões de livros em fuga, ainda que todas as palavras se entrelacem e te sorriam.
    Ainda que a Guernica seja aquilo que é, não deixa de ser aquilo que não imaginas. Ainda que tentes prender as cores e todos os tons e sons e olhares, ainda que enterres os pianos e os violinos, Munch desenha-te terrivelmente bem. Ainda que necessites de uma visibilidade urgente, urgente não é cair e seguir.

    Saudações cordiais, do seu cordial amigo,

    Pedro Portela

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