Abr 13 2017
Abr 12 2017
O Centro Histórico de Beja
Publicado por João Espinho
foto: joão espinho
Escreve Rita Palma Nascimento: “Na minha óptica, e enquanto cidadã comum, considero que uma das problemáticas com consequências visíveis a médio e longo prazo nos centros históricos tem sido, desde sempre, a nossa incapacidade para a auto-responsabilização que, por consequência, nos tem arrastado para uma contínua má gestão dos espaços públicos e prédios urbanos.
É também verdade que, muitas dessas questões, ainda se esperam ver resolvidas pelo poder autárquico que, embora conte já com 40 anos de eleição democrática, não conseguiu até à data, encontrar uma ferramenta que permita uma boa gestão do espaço público e a sustentabilidade desejável (esta, a vários níveis). Assim, assiste-se a um contínuo e já prolongado abandono do centro histórico, à sua degradação, desertificação e à requalificação praticamente inexistente, por falta de planeamento e ornamento urbanístico.
São urgentes e necessárias medidas e acções que promovam tanto a requalificação dos centros, como a posterior captação e atração de famílias, jovens, comerciantes e alguns investidores.
Se poderá passar por um incentivo camarário aos proprietários dos imóveis, tendo em vista a sua recuperação? Julgo que sim. Se poderá passar diretamente pela autarquia, de forma a que seja esta a assumir e a levar a cabo a recuperação de alguns dos imóveis, com as devidas contrapartidas? Também não vejo porque não (temos o excelente exemplo do Porto). Se é exequível pensar e levar a cabo a abertura de um concurso que vise a reabilitação e requalificação de espaços e imóveis devolutos? Claro. É preciso é ver a ideia passar do papel à prática.
Posteriormente, por parte do poder central, seria importante que o regime de arrendamento urbano nas zonas históricas fosse revisto, e adequado aos fins a que se destina.
No que respeita aos comerciantes, é sempre possível, bastando querer, a autarquia facilitar ou proporcionar estacionamento gratuito, assim como isentar a restauração de taxas de esplanada.
Enquanto comunidade e vivendo em sociedade, também nós, enquanto cidadãos, temos parte da responsabilidade na manutenção e na não degradação dos espaços públicos.”
Abr 11 2017
Beja – crescimento e desenvolvimento
Publicado por João Espinho
foto: joão espinho
Sobre o que escreveu HP,um leitor deixou o seguinte comentário:
“As dinâmicas de crescimento e desenvolvimento sustentado constroem-se com todas as pessoas e não com “clubes”… mas eu acrescentaria que Beja não foi sempre assim… depois do 25 de Abril, nos anos 70 e 80 sob a égide do presidente José Colaço o grande problema era ainda o abastecimento de água à cidade…os furos eram claramente insuficientes e planeou-se e executou-se a ligação ao Roxo , obra de vulto , bem como foi concluída toda a organização de saneamento básico , com a ETAR ocidental , tudo já concluído no tempo do Presidente Carreira Marques.Em relação á habitação social , construíram-se o Beja 1 ( Junto á EDP) com cerca de 90 fogos e o Beja 2 ( entre o Hospital e, aproximadamente a Escola de Santiago Maior )com 250 fogos e o Bairro João Barbeiro com 48 fogos e mais Sousa Porto e Bairro da Conceição. Várias expansões , Santa Maria , Quinta de El Rei etc etc etc .Nos executivos de então dinamizou-se a Casa da Cultura , construiu-se a Biblioteca José Saramago que ao seu tempo era frequentadíssima e considerada uma das melhores do País . Até o Hospital de Beja era considerado um dos melhores do seu nível no território nacional e recebia médicos e outras categorias profissionais de todo o lado…respirava-se algum “desafogo” cultural embora se mantivesse uma carapaça de ruralidade por falta de massa crítica “residente” , as denominadas, em qualquer cidade portuguesa de “forças vivas” que no caso da cidade de Beja se mantiveram agregadas ideologicamente ao Partido Comunista e á consagrada aliança PCP/PSD bem como uma visão descentrada do “todo” nacional dado que o resto do país , mesmo em algumas cidades do interior catapultou a dinâmica empresarial , a modernização , a visão de futuro, desenvolvendo-se em maior ou menor grau , mas seguramente mais do que as terras alentejanas do interior. É como se se deixasse transparecer ás pessoas que as câmaras municipais é que são o motor do desenvolvimento dos concelhos…e na verdade em muitos dos concelhos alentejanos são elas o principal empregador…nessa altura , vários governos de vários partidos ou coligações foram contribuindo, genericamente, para o que ia sendo construído e para o “desenvolvimento” em geral.
É certo que , logo após a abertura do Aeroporto de Beja instalou-se a crise financeira e foram suspensas muitas das obras estruturantes projectadas entre as quais o acesso da cidade à Auto-estrada , fundamental para o impulso comercial e a atractividade do próprio aeroporto…Mas a nível interno , na representatividade do próprio concelho, em minha opinião joga-se a cartada mais importante…a credibilidade …o carisma… o querer! quem conhece Bragança ou Vila Real , Viseu, Castelo Branco, ou outras encontra executivos dinâmicos , independentemente das suas origens partidárias com autarcas conhecedores e competentes nas suas áreas , empresários dinâmicos , da terra , que investem na sua terra sem temores , que conhecem os seus concidadãos , que apoiam as dinâmicas locais… Aqui, pelo contrário Beja , está sem rumo no meio do Alentejo e , mantendo-se como diz a autora do texto ” um diamante por lapidar…” começa a fartar-se desse mesmo atraso , dado que quem a representa parece, segundo diz “…não ser ouvido junto do poder central…
Nos últimos 3 anos Beja definhou como nunca , é representada no exterior ao nível do que se viu no programa televisivo de sexta-feira e começa a apresentar uma “vaga de fundo” de ex- votantes CDU altamente críticos , desiludidos com a escolha das ultimas eleições…palpita-me que seja tarde para qualquer volte-face por parte do executivo , de tentar mostrar em 5 meses o que não fez em 3 anos…e verdade verdadinha, alguem consegue dizer alto e bom som que benefícios trouxe o actual executivo ao concelho? uma realização de vulto, de nível nacional? uma só?!( joke…) excluindo, claro,os Virgem Suta… :-)”
Abr 10 2017
Beja, ou a história do patinho feio
Publicado por João Espinho
foto: joão espinho
Escreve Maria Helena Palma:
“Ainda acerca da reportagem do Sexta às 9, e do debate do Sexta às 11, sobre o Alentejo Esquecido, são várias as questões que me assolam e com diferentes conteúdos. Desta forma, na minha qualidade de cidadã livre e politicamente independente, permito-me expressar o meu ponto de vista, o qual secciono por temas, a cujas publicações dou início hoje, com continuação nos próximos dias.
BEJA, OU A HISTÓRIA DO PATINHO FEIO …
Os problemas relacionados com Beja (enquanto cidade e enquanto distrito), são muito antigos, e revestem várias nuances. Existe um problema fulcral de “abandono” da região por parte do poder central, que entronca na história. O Baixo Alentejo de antes de 1974, era uma região pobre, onde o principal recurso era agricultura (de sequeiro à época), os serviços escassos e o comércio de subsistência. Existia uma classe média confortavelmente colocada, entre a população empobrecida que trabalhava os campos, e os proprietários das grandes herdades, maioritariamente residentes na zona de Lisboa, onde os seus filhos tinham um melhor acesso à educação e ao mercado de trabalho.
Pelas deficientes vias de comunicação e meios de transporte, a região foi sempre ficando isolada, à margem do desenvolvimento e do acesso à cultura e à educação. Quem podia partia para estudar em Lisboa, Porto ou Coimbra, e raros eram os que regressavam. O distrito foi ficando progressivamente envelhecido e só aqueles que por opção queriam ficar, ou que por outro lado, não tinham as mínimas condições para ousar partir, aqui permaneciam na calma cadência dos anos.
Após Abril de 1974, e com o exultar da revolução, o panorama alterou-se bastante. A chamada reforma agrária, desfez a maior parte das casas agrícolas, dando lugar a uma nova textura económica e social, mas que praticamente não contribuiu para a criação de riqueza na região, cujo desinvestimento por parte do poder central, se foi acentuando cada vez mais. A desertificação cresceu, e sem criação de riqueza e sem investimento, a debandada dos residentes era esperada. Afinal, havia esperança e melhores condições de vida junto aos grandes centros urbanos e ao litorial. O Baixo-Alentejo, foi ficando assim, entregue a si próprio, arredado das preocupações de quem em Lisboa decidia. Afinal, os votos eram tão poucos, e por sinal, maioritariamente de uma ideologia contrária aos vários governos, que nem valeria a pena pensar muito nesta população que se resignava a ver um crescendo de Serviços ser transferido para a capital de distrito mais acima, obrigando a uma consequente “migração” de pessoas, ou ainda a ver lá instaladas empresas que fariam mais sentido em Beja, ou a ver o comércio definhar por falta de poder de compra.
Beja, ficou reduzida a um marasmo, esvaziada de gente, de indústria, de comércio. Causas políticas? Sim, certamente. Política é tudo aquilo que se faz em prol do desenvolvimento e de melhores condições de vida. Seja qual for a cor que lhe associemos, todo o desenvolvimento, ou a ausência dele, é uma opção política.
Mais recentemente, e muito por força do plano de irrigação associado à Barragem do Alqueva, assiste-se a uma grande expansão no ramo agro-alimentar, mas cujos produtos necessitam de escoamento compatível com o investimento efectuado por parte dos empresários.
Mais uma vez, o poder central vive à margem da região. As acessibilidades estão como todos sabemos, e não se vislumbra vontade de mudar. O Baixo Alentejo, para quem vem de fora, é um local bonito para se passar um fim de semana, comer e beber bem e com qualidade, e quiçá pernoitar em turismos rurais que proporcionam experiências “campestres” divertidas para quem vem da cidade. Depois… bem, depois é tentar chegar o mais rapidamente possível à auto-estrada, porque já chega de estradas estreitas e esburacadas, e nem sequer há um comboio rápido para mandar os miúdos que já tinham um compromisso e estão em cima da hora.
Mas para nós, que aqui vivemos com as nossas famílias, aqui trabalhamos, e aqui vamos construindo os nossos sonhos, o Baixo Alentejo é um diamante por lapidar. Possuímos enquanto pessoas uma capacidade inata de lidar com adversidades – a começar pelo clima -, somos pessoas de trabalho, capazes de nos reinventarmos, e de espírito empreendedor. Carregamos connosco a alegria que a luz do sol nos traz, e mesmo nos dias de chuva, procuramos o raio de sol escondido, para pormos o melhor sorriso. Temos uma cultura própria, que privilegiamos. De cá têm saído para o país e para o mundo inúmeros talentos, por demais reconhecidos.
Em termos geográficos, temos tudo: centralidade face a Lisboa, Sines, Algarve, Espanha. Faltam as acessibilidades concluídas.
Em termos económicos temos neste momento condições para expandir as indústrias agro-alimentares e seus derivados, aumentando significativamente as exportações. Falta uma plataforma de escoamento destes produtos, que poderá muito bem passar pelo aeroporto de Beja.
O sector do turismo apresenta um acréscimo, e também aqui a tendência é de crescimento. Falta uma aposta mais forte por parte dos investidores, que está directamente ligada aos factores atrás mencionados.
Por fim, o sector da aeronáutica, com projectos concretos para serem implementados em Beja, e que poderão constituír uma alavanca determinante no desenvolvimento e crescimento da cidade e da região. Tem faltado, aparentemente, a vontade política para a sua realização.
Façamos então um exercício de conjugação de todos estes factores, e chegamos à conclusão que a região de Beja, hoje, poderá ser o patinho feio do poder central, mas num futuro não muito longínquo poderá transformar-se num belo cisne .
Vamos acreditar que os vários bloqueios vão desaparecer, e que finalmente a região vai deixar de ser marginalizada.
Porque Beja merece!”
HP
Abr 09 2017
O Sr. Rocha
Publicado por João Espinho
“O Autarca João Rocha , escandaliza-se afinal com o quê? Com a iminência de ser derrotado em Beja? Já cheira mal a história de culpar o Governo, que tem apoio parlamentar do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, de ser o responsável por Beja teimar em não aparecer no mapa de Portugal pelas melhores razões…na minha óptica o Partido Comunista deveria resolver essa amarga contradição de ser e não ser , de mostrar e não mostrar , de apoiar e desapoiar…é contra o Euro…tudo bem…é contra a permanência de Portugal na Comunidade Europeia…ok,compreendemos o ressabiamento, mas aqui para estes lados não há Comunidade de Estados Independentes como alí para os lados da Bielorrússia e do Cazaquistão…agora apoiar parlamentarmente um governo e atacá-lo depois a dizer que “é intolerável…tal e tal…” é que me parece , para utilizar uma expressão de uma amiga minha ” tão fracturante que é quase esquizofrénico…” se , como afirmou no parco desempenho televisivo de sexta feira passada , não consegue falar com o secretário de estado , peça a alguém de Lisboa para o contactar , ou talvez ao Presidente da Câmara de Évora que também é da CDU…esse não deverá ter dificuldades…pelo menos não aparenta…Beja deverá ser representada em Lisboa junto do Poder central por pessoas que sejam claras e consequentes no que defendem para as suas Regiões , com atitudes positivas , científica , social e tecnicamente enquadráveis num modelo de desenvolvimento EUROPEU, repito EUROPEU e não numa manta de retalhos protagonizada por Calimeros da política que remetem persistentemente para factores externos as razões dos seus insucessos…”
Comentário de leitor aqui
Pode ver aqui o 6ª às 9
Abr 08 2017









