Já aqui o referi diversas vezes: Paulo Arsénio, Presidente da Câmara de Beja, vive enclausurado numa “bolha de felicidade”, onde só consegue ver o que lhe está confinado nessa bolha, respirando do oxigénio que alguns lhe vão insuflando para dentro da bolha. Só que, dado que a bolha vai ficando cada vez mais opaca, Arsénio já não vê nada mais do que aquilo que a sua cegueira política/partidária vai ocasionalmente permitindo. De vez em quando sai da bolha e os disparates são consonantes com o seu distanciamento da vida real. Enquanto somos nós, cidadãos interventivos, a apontar-lhe erros, ele ignora, ou faz que ignora, mandando os serviçais saltar em sua defesa.
Porém, quando as críticas partem de um “peso-pesado” da sociedade bejense, o edil fica fulo e sente a terra a tremer-lhe debaixo dos pés.
Deve ter sido por isso que reagiu de forma tão assertiva, mas inócua, ao que João Paulo Ramôa disse em programa de opinião na Radio Pax.
E o que é que JPR disse?
1 – Que o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil (PMEPC) foi acionado tardiamente.
2 – Dando como exemplo a situação dos lares, que têm vindo a ser cada vez mais afetados com o novo Coronavírus e porque se trata de uma população mais vulnerável, João Paulo Ramôa não acredita que exista uma estratégia da CMB que, deveria estar descrita no Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil, para os lares e IPSS-Instituições Particulares de Solidariedade Social regionais.
3 – Em relação à desinfecção dos espaços públicos por parte da autarquia, o comentador lamenta “a falta de higienização junto aos locais que as pessoas ainda frequentam, com os produtos à base de lixívia que permitem matar o vírus. Não é higienizar as ruas, os passeios ou as fachadas dos edifícios, isso não faz qualquer sentido (…), devem-se higienizar os espaços que as pessoas ainda frequentam, como as farmácias e os supermercados.
4 – O Bairro das Pedreiras, em Beja, local onde existe uma comunidade de etnia cigana “muitíssimo vasta JPR diz ”Não acredito que exista algum plano para que no dia em que apareça um infetado naquele bairro se possa acionar algo com pés e cabeça (…). Era preciso uma abordagem e um plano perfeitamente radical para aquele bairro de modo a evitarmos ao máximo que aquela bomba relógio possa explodir”.
Paulo Arsénio, como habitualmente, recorreu à sua conta pessoal no Facebook, para debitar uma extensa epístola, prontamente aplaudida pelos seus diáconos, onde tenta contrariar os factos apontados por JPR.
Mas há na missiva de Arsénio uma afirmação que me deixou intrigado.
Diz ele: “Pelos vistos a prática de Rui Rio ao longo deste processo não fez escola localmente.”
Como eu o percebo e aos seus apaniguados: quando estão à beira do precipício, e a terra lhes treme sob os pés, agarram-se à bóia de salvação, que julgam ser Rui Rio.
Quem pensa que os socialistas agradecem a postura responsável de Rio, está enganado.
Veja-se o alto nível de Ana Catarina Mendes:

Quando terminar esta situação de emergência, muita coisa se ficará a saber. E aí sim, Paulo Arsénio poderá dizer que é um “saco de porrada” (expressão do próprio).
ADENDA: esqueci-me de referir que Paulo Arsénio tem por hábito bloquear no seu facebook as vozes incómodas. Eu faço parte da lista, o que me dá diversos privilégios.