Nov 28 2017
O olhar de…

foto: joão espinho
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“É teu o silêncio. É tua a escuridão. É de ti o vazio que desce a rua num rodopio. É tão tua a inquietação… a palavra secreta que ninguém quer saber. A mordaça no plaino verde que te quer a morrer. É teu o pecado, o lugar em desassossego. A paisagem que passa ao lado. A tua figura a tremer de medo. É teu o outono derradeiro, onde se acinzentam os pensamentos e morre a esperança… é tudo teu até ao ponto da incerteza. Até à brancura que carrega a leveza. É também teu o largo de lamentos, é por ti que vem o silvar dos sonhos. É tudo teu quando nada te dão. É para ti o silêncio que cala a canção!”
Jorge Barnabé

