Mar 04 2018
Em tempo real

“Registo de um recital a solo de Keith Jarrett (1945-) na Ópera de Colónia,a 24 de janeiro de 1975, “The KölnConcert”– editado pela alemã ECM – é um milagre. Não por ser um dos álbuns de jazz mais vendidos de sempre – a importância artística deve medir-se por outra bitola –, mas por se revelar uma das mais extraordinárias obras improvisadas jamais produzidas, pináculo da arte de um músico tão excelso quão temperamental. A qualidade da música é de tal magnitude que seria mais fácil admitir que estamos perante peças meticulosamente compostas. O entusiástico público – audível na gravação – ignora que as horas anteriores haviam sido particularmente penosas para o pianista.Dormira mal, estava com dores e esfomeado quando chegou ao local do recital.Logo percebeu que o piano não era o que havia solicitado à organização e que o que estava disponível tinha sérios problemas de afinação. Ameaçou não tocar, mas foi demovido. Ao início, escuta-se o murmúrio do público quando se apercebe que o músico cita a melodia do sinal de chamada para a sala. O que vem depois não cessa de nos surpreender e comover. Quando, mais tarde,acedeu a publicar as partituras, deixou uma recomendação clara a todos os que quisessem recriar aquelas peças:o que está na gravação é que constitui a última palavra.”
António Branco in Diário do Alentejo (2/3/2018)
Obrigado ao António Branco pela excelente prosa.
Para quem não conhece:


4 de Março de 2018 às 21:35:59
Um grande, grande álbum!…Memorável