Fev 24 2008
David Mourão-Ferreira
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão…
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.
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David Mourão-Ferreira
Nasceu a 24 de Fevereiro de 1927


24 de Fevereiro de 2008 às 15:33
E ainda bem que nasceu. E que alinhou e nos ofereceu palavras assim, como só ele.
24 de Fevereiro de 2008 às 20:51
Um grande poema de um grande poeta num grande blog.
24 de Fevereiro de 2008 às 22:27
Mainada. 🙂
1 de Março de 2008 às 19:29
lindo