Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

orgasmo segredado

25 de Abril de 2009


foto: scott james

Os nossos corpos, em alvoroço, encontram-se
No clamor desta noite onde somos ávidos de nós
Incendiando esta fome de eternidade
Numa nudez que se despe no retrato dos olhares.

No teu corpo desnudado derramo o meu peito
Pele com pele, na vertigem do amor envergonhado
E onde as nossas línguas são ecos dos beijos atormentados
Gritando fragmentos de um orgasmo segredado
Ocultado
Mas testemunhado pelas estrelas que nos escondem.

Agora, olho-te adormecida, deitada neste leito feito de linho
E ao teu lado me dispo de mim, envergando a túnica
Das palavras que escrevo no alvorecer que me invade.

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Dos sabores e aromas

19 de Abril de 2009

Faço um lombo de porco, assado no forno, que merece sempre grandes elogios de quem o prova.
Não é nada de especial. Já percebi que são os aromas e as companhias que fazem daquele pedaço de carne uma coisa tão elogiada.
Depois, e ainda com as salivas a derramar, vamos em busca de imagens.
Sim, é isso. À procura do nada e do tudo.
Olha-se e não se vê, estamos todos mais virados para as nossas conversas.
Vamos a pé por aqui
E foi ali, naquele campo quase deserto desta terra, que te descobri,
Como a papoila que anuncia a nova estação.

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Do tempo

16 de Abril de 2009

Regressam a chuva e o vento, que fazem dos dias uma aparente tempestade fria.
Gosto, porém, das noites que se aquecem com sabores silvestres e perfumes suados.
Coisas deste tempo, onde o orvalho parece mel e o vento semeia no meu jardim.

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Mood

15 de Abril de 2009


foto: Leszek Kowalski

És a minha amarra desta sede que arde
E nos deixa ociosos após um leito de abraços
Onde nos agasalhamos das noites adiadas
E dos segredos em beijos demorados.
(…)

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constelação de desejos

12 de Abril de 2009


foto: Leszek Kowalski

(…) O teu corpo é a luz que ilumina / Este meu oceano de gritos / Onde o verbo amar navega
Como uma constelação/
de desejos.

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O meu olhar

9 de Abril de 2009


foto: joão espinho

Caminhando, passei por ti sem te olhar.
Mas o teu perfil alertou-me
para o gemido das letras que desenhavas no horizonte.
Abraço-me a ti e ajudo-te a escrever mais um verso
onde me ditas sonhos
consentidos
e é ali, quem sabe, que me declaras a vida,
semeada entre os gritos do sol que adormece
e a noite de luar feita de segredos.
Agora és a árvore onde me agarro, me abraço
E cuja sombra esconde os nossos beijos.

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Refúgio

4 de Abril de 2009

As cidades que não se conhecem.
A esplanada onde nos sentamos à volta de um café.
O almoço que não queremos que acabe.
As mãos.
Os olhares.
As carícias.
E partir
Para um refúgio.

Uma pausa na tarde
Onde somos sôfregos de nós
À espera que a noite
Longa e incendiada
Nos faça num só!

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do amor

2 de Abril de 2009


foto: joão espinho

Que estranha esta forma de amar
Onde os sonhos adormecem no teu corpo
Os ventos são a paixão dos teus olhos
Os beijos estão cheios de sol e de mar
E me arrastam para o cais de uma paixão.

Que coisa é essa que me desenhas?

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Agendas, calendários e outras coisas

1 de Abril de 2009

Estava a agendar o mês de Abril e de repente percebi que isto vai ser um rodopio enorme.
Idas e vindas e outras idas. E que qualquer dia fica agendada uma ida sem vinda.
O mais interessante é que, por pouco, não me cruzo com uma das minhas, que parte amanhã em excursão por essa Europa. À ansiedade de a ter tão longe quero que se sobreponha aquilo que lhe transmiti: é por ali, na Europa, que pode passar o seu futuro, e nunca aqui, onde o Castelo é património e a planície uma paixão.
Gosto de ver as minhas agendas preenchidas e os meus calendários assinalados.


foto: joão espinho

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mãos que escrevem

28 de Março de 2009


foto: joão espinho

Há vozes que ditam palavras para os poemas
E mãos que escrevem a poesia da minha voz.
Há sonhos que lampejam o sorriso do teu olhar
E desenhos que derramam as madrugadas
Do delírio de um verbo que não sei conjugar.

Quantos beijos serão precisos para traduzir
Os gestos que ardem e aclamam em delírio
As alvoradas enfeitiçadas dos nossos segredos.

Porque me escreves com as tuas mãos?

a ouvir

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o sorriso do teu seio

27 de Março de 2009

É de veludo o peito que lavra a minha boca
quando os meus beijos em ti desenham
A imitação do cais
onde atracam as palavras que o teu corpo acolhe
E onde jorram as minhas madrugadas
Feitas de silêncios
e desejos ardentes do sorriso do teu seio.

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retrato do desejo

21 de Março de 2009


foto: mastowka

Adormeces
Enquanto os meus olhos navegam por dentro do teu corpo.
Respiro a maresia deste viver ardente
Que imploro em gestos e palavras
Feitas de versos que brilham
Quando o teu olhar crepita gritos de desejo
E as tuas mãos madrugam a raiz do meu ser.

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