Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

beijos de sal

26 de Maio de 2009


foto: Johannes Barthelmes

Com o teu olhar
Levas-me a vaguear por essa praia distante
Onde o sol é de cristal
E o sal o tempero dos beijos
Que desejamos sentir nas nossas mãos
Que limpam as lágrimas que rolam pela face
E se depositam nas areias
À espera que o mar as leve para longe
Deixando no areal desenhada a viagem dos nossos olhares.

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Madrugadas perfumadas

23 de Maio de 2009


foto: Irina Csapo

No meu leito floriu uma rosa
Que cresce com o tempo e o suor dos corpos
Em ardentes aromas luminosos que respiro
Nesta primavera inundada de lábios e encontros
De mãos e abraços
Em madrugadas perfumadas pelos sorrisos da alvorada
Onde desenhas com a boca o pólen deste pulsar.

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Pedaço de Mar

22 de Maio de 2009

Momento de magia e poesia partilhada.
Com sal. Do mar e de lágrimas. E abraços sentidos.

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Contos da madrugada

13 de Maio de 2009


foto: Lauren Bentley

Saciada a noite nos braços daquela mulher que tudo me desejava, decido-me nesse alvorecer a terminar aquilo que me parecia há muito gasto. Entro em casa, desalinho-me ainda mais para que não lhe restassem dúvidas, espero encontrá-la acordada, lançada sei lá em que angústias e preparado para lhe responder afirmativamente a todas as questões. Da amante, das traições, das vidas paralelas, das ausências para fugir para os beijos de outra mulher. Era este o meu novo alvorecer.
Encontro-a na sala, ofuscante na sua nudez, sedutora no seu aroma, fascinante na sua silhueta. Aguardo as perguntas, mas já eram as respostas que me atormentavam. Convida-me para um simples chá de lima, gelado, refrescante. Esqueço a taça em cima da mesa e acaricio-a no pescoço, beijo-a, como se fosse aquele o nosso primeiro encontro. Entrega-se num ardor desmedido, devorando-me a carne e a alma.
Ao princípio da tarde, exausto, saio de casa.
Nesse dia, nos que seguiram, e nunca mais, voltei aos braços da amante. Nem ao leito que agora abandonava e que me devia acolher todas as noites.

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paixões prometidas

10 de Maio de 2009

Há uma sede de fado, cantado, sentido
Numa raiva de saudade e angústia
Lamentada em guitarras e vozes doridas.
Para quê o fado, se o amor é vivido na carne
Em beijos de ciúmes e desejos adiados
Nas noites prometidas de corações eternos
Quando as vozes já não falam do amor
E gritam paixões prometidas e choradas
Num fado que é a forma de não amar
O amor que não te canto.

Por que me choras o teu fado?

(a propósito de uma noite com fado)

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pedaços do meu suor

6 de Maio de 2009


foto: poeta desconhecido

És um poema feito de pedaços do meu suor
Onde as palavras brilham nas curvas das tuas lágrimas.
São minutos as horas que contemplo o teu dorso imenso
Onde me debruço e me iludo nestas noites sequiosas.
Amanhã o sol será mensageiro da madrugada dos nossos beijos
E onde estaremos sem a névoa destas alvoradas de desejos
escondidos.

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aposta que desabafo

4 de Maio de 2009

Chego a casa, dispo a camisola. Há temperatura a mais no meu corpo. Passo as mãos por mim e declaro que basta de perder quilos. Visto a camisola e vou comprar fruta. Morangos, pêras e laranjas. Ainda arrisco ir oferecer uma prenda, mas não, regresso a casa. Uma mensagem diz-me “dá-me a tua mão/vamos passear/nas nuvens do chão/nas pedras do ar” (José Gomes Ferreira). Não me apetece nada. Vou apagar a coisa mais estúpida que escrevi nos últimos meses. Ou anos.
Jogo-me aos morangos, às uvas que sobraram de ontem e faço a minha refeição. Outra vez sem camisola, sem calças. É sinal de que começou a noite. Apetece-me escrever. Mas preciso de ler. E volto atrás, lá ao fundo. Onde tudo começou. Há (vão fazer) 6 anos. E apetece-me dizer que isto se esgotou. Mas há quem queira este alimento diariamente. Prometi, vou cumprir. Vai sair um livro e o que mais se verá. Este é um post de desabafo. Nada mais. (faltam aqui os parágrafos que serão palavras ditas pela minha boca)

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instantes de desejo

4 de Maio de 2009

Adormeces a sorrir
e as tuas mãos prosseguem os instantes
que fazem dos teus olhos pétalas de desejo
de flores em fogo
onde adormeço e respiro o silêncio desta emoção.

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É a poesia

3 de Maio de 2009

“Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria.”
Eugénio de Andrade

Ouvido assim, sei lá, sem intermediários
Com a voz que tem o sabor dos teus lábios.
E de repente tudo é poesia.

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Gosta-se

2 de Maio de 2009

O tempo que vai durar
O meu abraço, o meu beijo!

até logo!

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Chegou a hora

28 de Abril de 2009

De te dizer adeus.

Fica com o poema que te escrevi. Na noite de todos os poemas.

“E que faço agora com aquilo que me ofereces e que dizes ser
paixão
amor
quando o que te posso dar é
o meu corpo
onde sacias os teus desejos
devolvendo-me essa torrente húmida de sexo
e que eu bebo como se fosses
a minha paixão
o meu amor?

Que posso eu fazer por nós, quando nos escondemos das penumbras
Consumindo a volúpia em silêncio de ruídos
E, como desconhecidos, fugimos para o leito mais próximo
Onde nos sentimos náufragos das nossas ausências?

Que faço eu para te querer?”

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Ah, o fado

26 de Abril de 2009

E só espero que essa “Estranha forma de vida” me seja segredada com a tua voz.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

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