CONTO DA MADRUGADA -4-
18 de Abril de 2005
foto: alex opsitaru
Ele prometera-lhe uma visita para que finalmente se conhecessem.
Há semanas que se falavam pelo msn, trocavam mensagens e, uma vez ou outra, chegaram mesmo a falar ao telefone.
Ela queria, porém, saber quem era o homem que dizia palavras que a incendiavam. Queria ter um rosto na sua frente. Desejava aquele homem.
Esperou-o. Sem nervosismo, mas ansiosa.
Quando a campainha tocou, levantou-se do sofá, ajeitou o vestido vermelho que lhe cobria a pele, passou a mão pelo cabelo e, com entusiasmo, abriu a porta.
Um homem, com um ramo de flores, sorriu-lhe. Ela, com uma sensação de desilusão, mandou-o entrar. Ele, porém, entregou-lhe o ramo, com um cartão, e afastou-se rapidamente.
“Hoje não posso ir. Amanhã também não. Talvez nunca.”
Jogou-se para cima do sofá. E, já despida, imaginou mais uma vez como poderia ser o homem que tanto a excitava.
A desilusão não a fez perder a libido.
Exausta, levantou-se. Num gesto impulsivo, jogou as flores para o lixo, vestiu-se e saiu porta fora.
Na rua começava a chover.








