Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

HORA INDECISA

13 de Maio de 2005

É a esta hora
A que precede a noite
E determina o fim do dia
Em que a cor se esbate
O escuro se insinua
E as sombras se diluem
Que me sinto mais real
Mais conforme o que me rodeia.
Pertenço a esta hora do dia
À hora indecisa
Em que os limites se tocam.

(encandescente)

É nessa hora que respiro
O vento que me abraça
E sinto a melancolia escapar
Para um horizonte no infinito.

É a esta hora que outra luz
Te recorta em silhueta
Traçando o esboço de mulher,
O traço feminino dos lábios
E nos olhos reaparece o brilho
Que nenhuma noite apagará.
(nikonman)

Uma parceria com a Encandescente.

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HOJE APETECE-ME…

13 de Maio de 2005

… estar contigo, à volta de um chá de hortelã, a olhar-te nos olhos, e em que os gestos e as palavras estejam de mãos dadas.

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Das linhas…

12 de Maio de 2005

… de um caderno,
onde se escrevem palavras,
letras,
de um poema perpétuo.

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POSSO…

10 de Maio de 2005

… fazer-te companhia, disfrutar essa paisagem, com a minha água tónica cheia de citrinos e….

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foto: ralf leubner

… com os Coldplay por perto?

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CONTO DA MADRUGADA -7-

10 de Maio de 2005

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foto: pitt blind

Pediu-lhe que se vestisse, dizendo-lhe que não a poderia fotografar. Não naquele dia.
Ela percebeu-lhe os argumentos. E percebeu também que, a partir daquele momento, ele seria mais uma peça no seu jogo de ligações. Sentia-se compensada, depois do fracasso com o homem que ela tanto desejava e que a havia humilhado com a ausência, um ramo de flores e um simples cartão.
Vestiu-se, deu um pequeno retoque no batôn dos lábios e espalhou os dedos pelos cabelos, deixando-os soltos, da forma como ela mais gostava de se ver.
Despediu-se com um até breve, ficando com a súbita sensação de que ele não a ouvira, pois já estava atarefado com os iluminadores e todas aquelas máquinas apontadas para o cenário, que há pouco a tinha como principal objecto.
Cruzou-se nas escadas com várias pessoas, que lhe pareceram todas deselegantes, mas reparou nos sapatos de uma mulher, de gabardine preta e que, apesar da chuva que lá fora caía, trazia óculos escuros.
Seguiu em direcção ao café mais próximo, olhou para o céu, havia deixado de chover, mas pareceu-lhe que uma tempestade se aproximava.
Voltou para trás, pensando que se havia esquecido da sombrinha no estúdio e reparou que as caras com que se cruzava continuavam a ser feias e de gente muito vulgar.
Abriu a porta que se encontrava encostada e mesmo ali no vestíbulo vê a mulher que lhe chamara à atenção ainda há pouco. Os sapatos eram os que tinha visto. Os óculos estavam em cima de uma mesa e no bengaleiro a gabardine. Não havia vestígios de qualquer outra roupa.
Na sua frente estava aquela mulher, esbelta, aprumada, com um corpo a transpirar sensualidade, a desembaraçar-se dos sapatos e a quem ele agora chamava lá de dentro, dizendo-se preparado para ela e para todo o resto do dia. Só para ela.
Hesitou, mas saiu sem fechar a porta.
Lá fora chovia torrencialmente.

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CONTO DA MADRUGADA -6-

6 de Maio de 2005

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foto: katrin zeidler

(Os gemidos que ele ouviu, pensou, não seria capaz de registar em fotografia.)

Não queria, porém, deixar fugir esta ocasião para a fotografar. Há muito tempo que desejava poder tê-la à sua frente. O seu corpo, as suas expressões, uma enorme sensualidade, tudo isso, e também uma especial atracção pela personalidade daquela mulher, criou nele um invulgar anseio de a conhecer melhor.
Conhecia-lhe algumas passagens da vida, que lhe davam mais encanto, e sabia das dificuldades que teria em poder estar com ela.
A sua imaginação há muito que vinha criando aquela ânsia.
Sabia exactamente as posições em que a pretendia fotografar, que tipo de iluminação seria a ideal para lhe realçar a perfeição do corpo, tinha a certeza dos tons sépia que iria utilizar na revelação e impressão.
Quando ela regressou ao estúdio, toda a sua imaginação se desmoronou. Ela seria a modelo ideal para qualquer escultor. Nenhum pintor evitaria reproduzir em tela tamanha beleza.
E ela ali estava, agora, à sua frente.
Numa nudez surpreendente, o seu corpo parecia moldado à imagem da perfeição. Uma perfeição que ele não imaginara existir. Todas as suas previsões de enquadramento, luz e futura reprodução em papel estavam muito longe de poder traduzir aquela beleza.
Pediu-lhe que se deitasse e assumisse a posição que mais desejasse, contrariando o que sempre fizera com as outras modelos.
Quando focou os seios e tentou aplicar a profundidade de campo, para que nada daquela beleza se perdesse na fotografia, desistiu, percebendo que aquela mulher era, para ele, muito mais que uma modelo.

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CONTO DA MADRUGADA -5-

29 de Abril de 2005

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foto: selin

Exausta, levantou-se. Num gesto impulsivo, jogou as flores para o lixo, vestiu-se e saiu porta fora.
Na rua começava a chover.
Mas ela pouco se importou.
Marcou o número, sem a certeza de ser ouvida. Ele estava sempre acompanhado, com mulheres a quem fotografava, a maior parte das vezes nuas. E com quem, tinha a certeza, estabelecia um jogo de sensualidade que acabaria em sexo.
Sem hesitações pediu-lhe que a fotografasse, que a usasse como imagem, como mulher.
Enquanto se despia reparou no seu olhar contemplador. Apesar de parecer entretido com as máquinas e luzes, ele estava objectivamente interessado no corpo dela, o que a fez sentir-se desejada.
Aproximou-se dele e pediu-lhe para que ele se deixasse fotografar. Queria ser ela agora a comandar. Começou por lhe despir a camisa. Com as mãos percorreu-lhe o tronco.
Quando ficou completamente nu, e também já ele a fervilhar de desejo, ela encostou-se à parede, puxou-o para si, beijando-o no pescoço e agarrando-lhe no sexo. Ele estaria nesta ocasião preparado para a penetrar. Ela, porém, afastou-se dele, olhou-se no espelho e dirigiu-se para a casa de banho.
Os gemidos que ele ouviu, pensou, não seria capaz de registar em fotografia.

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Nos corpos…

27 de Abril de 2005

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Abraço-te
Digo-te em sussurro louco
As palavras
Que desejas
E te incendeiam.

Nos corpos escorrem
Doces os suores
Que provas e tragas
E te inundam.

Com os corpos
Escrevemos na noite
As letras de um poema
Chamado loucura.

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Da pele…

21 de Abril de 2005

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foto: alberto monteiro

Apetece-me a tua pele
Sentir-lhe o arrepio
Quando te toco
E te entregas.

Dás-me a tua pele
Que visto
Quando te envolvo
E te invado o interior.

Dou-te a minha pele
Que se entrega a ti
Nesse momento
Em que a carne
Despida e nua
Explode de êxtase.

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Contigo…

21 de Abril de 2005

Manhã de Primavera.
Sol intenso.
Ofereço-lhe duas flores colhidas de um vaso.
Diz-me “Amo-te”.

Sei porque não quero o sabor doce dos reencontros das paixões perdidas algures no tempo.
E que se retomam. E que se dizem ainda mais fortes.
Não disfarço o brilho dos meus olhos.
É contigo que quero estar.
Não te quero perder.
Não te quero reencontrar
.

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Da tua boca…

19 de Abril de 2005

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foto: patrick surmachoff

Trazes-me as palavras
Que julgava mortas
A expressão de um sorriso
Que pensava não existir
Os beijos
Que havia esquecido.

Da tua boca
Soltam-se as imagens
De um horizonte que
tocado pelo Sol
explode em mil cores.

Da tua boca
A saliva da minha paixão.

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Tu

18 de Abril de 2005

Dou-te o meu corpo
Que fazes transpirar,
Ofereço-te o meu desejo
Que transformas em excitação.

Envolves-me
Nesse abraço de um só corpo
E dentro de ti exclamo
O calor da minha paixão.

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