Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

CONTO DA MADRUGADA -17-

17 de Agosto de 2005


foto: yvonne redmann modelo: uwe hof-redmann

Ele chegou a casa completamente esgotado. Nem tão pouco teve forças para proceder ao ritual de a abraçar longamente, em seguida colocar uma música do agrado de ambos e jogar-se para o sofá, onde fica depois longamente a conversar.
Dirigiu-se de imediato para o quarto, despiu-se e lançou-se para cima da cama.
Ela percebeu que ele hoje necessitava de mais carinho, talvez uma massagem ou uma boa sessão de reiki.
Tinha a certeza que isso lhe traria a vitalidade que necessitava para se recompor de um dia de trabalho exaustivo.
Pediu-lhe que se descontraísse e tentasse relaxar os músculos. Ainda lhe ouviu algumas palavras de protesto mas ela havia já iniciado a terapia e sentiu-o entregar-se nas suas mãos.
À medida que o corpo dele se distendia ela sentia a tensão subir-lhe. Parecia-lhe que o corpo dele explodia em calor, o que lhe provocava uma enorme vontade de se embrenhar, enlaçá-lo, fundir-se nele.
Tocou-lhe mais uma vez com as mãos no torso e viu aquele corpo enérgico transpirado, reflectindo as gotas de suor.
Ambos conheciam toda a energia que naquele momento os seus corpos emitiam.
Ele virou-se e não resistiram aos impulsos das suas vontades.
Lá fora a Lua começava a nascer.
Ali, eram dois corpos molhados aqueles que agora se enlaçavam e em êxtase se penetravam.

(mais galerias de yvonne e uwe)

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Naquele momento…

9 de Agosto de 2005

Quase num momento de fuga
Em que teus olhos são súplicas,
Lanço-te um beijo furtivo
Respondes-me com o teu corpo
Segredo-te a paixão
Abres-me o ventre
E o teu suor transforma-se
Em gotas no arco-íris.

Espreito teus seios
Que me ofereces,
Acaricio e beijo.
E na chama que solto
Teu corpo explode
E renasce num mar
De carícias e prazer.

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… logo à noite!

4 de Agosto de 2005

… e logo à noite,
quando a brisa ainda quente
encobrir os nossos corpos
suados e derramados.

…quando soltarmos a torrente
de paixão que nos incendeia,
nos transforma num abraço
escaldante e fogoso.

… quando em ti beber o desejo
que vertes e me lanças nos lábios,
que te beijam e invadem.

…logo à noite,

direi apenas as palavras
que o silêncio devora
em chamas de prazer.

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CONTO DA MADRUGADA -15-

27 de Julho de 2005

Maria do Rosário passou pelo sector de livros do hipermercado, pegou no livro que estava em destaque, apreciou-lhe o tamanho e cores, pareceu-lhe bem e colocou-o no cesto das compras.
Enquanto esperava para pagar folheou a obra. Verificou que não tinha desenhos. Tentou ler o título mas os caracteres assemelhavam-se a arabescos incompreensíveis.
Abriu numa página ao calha para ver do que tratava o livro topo de vendas.
Não percebeu nada do que lá estava escrito, mas sentiu um certo orgulho por descobrir que aquele era um livro do Harry Potter. Seria uma enorme surpresa para o Bernardo que, com os seus 12 anos, estava sempre a falar do harry. Ainda se perguntou como é que a rapaziada deste tempo consegue ler tantas páginas e logo numa língua estrangeira.
Mas deixou-se destes pensamentos quando a menina da caixa passou o código de barras e o monitor apresentou o preço de 19,80.

Olhou em redor, com vontade de desistir, mas atrás de si, uma senhora, de aspecto rude, lia atentamente um exemplar igual ao seu.
Pagou, meteu o livro num saco, guardou religiosamente os talões de desconto de combustível e de devolução do IVA e entrou na livraria logo ali em frente, onde procurou a revista Maria. Enquanto esperava para pagar, folheou a revista atentamente. Saiu da livraria com um enorme sorriso nos lábios.
O seu Zé teria, também ele, uma enorme surpresa nessa noite.

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MAR DE DESEJO

27 de Julho de 2005

tim klaus
foto: tim klaus modelo: kassandra
(ich danke euch beiden)

Na areia deserta
Beijo teu corpo nu
Oceano de cristais
Onde me afogo e penetro.

Mar de repouso
Vagas que me envolvem
Maré serena e sensual
Em ti me semeio.

Águas de suor
Ondas de volúpia
Fundo-me em ti
Meu cais de abrigo
Farol da minha alma.

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MAR DE DESEJO

27 de Julho de 2005

Na areia deserta
Beijo teu corpo nu
Oceano de cristais
Onde me afogo e penetro.

Mar de repouso
Vagas que me envolvem
Maré serena e sensual
Em ti me semeio.

Águas de suor
Ondas de volúpia
Fundo-me em ti
Meu cais de abrigo
Farol da minha alma.

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A PUTA

23 de Julho de 2005

Subi as escadas. Vagarosamente.
A verdade estaria nua, despida e solitária.
À minha frente e sem que eu olhasse.
Um grito. Uma janela que se abre.
Um sorriso malicioso.
Uma boca a escorrer o veneno do outro.
Sem palavras e um abraço forçado.
Um lamento de mentira e humilhação.
Ao toque da mão destapei-me.
Acedi ao teu pedido.
E entrámos nos lençóis. Sujos e enrolados.
De noites de demência.
Quando os corpos jorram prazeres.
Manchados de luxúria a troco de notas.
Os lábios marcam a cadência, ordenada.
Depois desgovernada a boca circunscreve.
Faz crescer a ânsia e encerra-se.
Em círculos e humidade.
Mais uma nota e posso trepar.
Cobrir-te com o meu corpo desejoso.
Do teu sexo que lavas e enxugas.
À espera do freguês que indemnizará.
Com leite e dinheiro a puta de vida
Que escolheste para matar.
Com pão a fome do teu filho.

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CONTO DA MADRUGADA -14-

22 de Julho de 2005

Todos os preparativos para a festa do seu grande dia lhe haviam dado algum trabalho. Sem ninguém que a pudesse ajudar, Júlia tratou de tudo.
Sabia que a véspera daquele dia lhe iria reservar seguramente muito cansaço, mas também o desejava, pois queria gozá-lo com toda a intensidade.
Telefonou a algumas amigas, a desmarcar a tradicional festa de despedida, alegando uma enorme fadiga. Elas compreendiam-na e sabiam que a qualquer hora Júlia lhes poderia pregar uma surpresa.
Tomou um relaxante banho de imersão, com sais aromáticos, que ela própria fizera com óleos e perfumes escolhidos para aquela ocasião.
Sentia-se agora mais revigorada.
Pegou no telefone e ligou para o Luís.
Enquanto esperava que ele chegasse, preparou o ambiente para que ambos se sentissem tranquilos e perfeitamente relaxados.
Tal como Luís sugerira, vestiu algumas das peças que iria usar no dia seguinte.
Olhou-se ao espelho e gostou de se ver.
Quando ele entrou beijaram-se como na primeira vez em que o haviam feito.
Amaram-se até ao nascer do Sol.
Enquanto tomavam o pequeno-almoço, ela pegou-lhe na mão e com um ar provocador diz-lhe: “Daqui a algumas horas seremos marido e mulher. Vamos acabar a festa de solteiros?”
(beijinhos à B. que amanhã vai casar e que a vida lhe sorria sempre)

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CONTO DA MADRUGADA -13-

21 de Julho de 2005

A noite cheia de luar envolvia-lhes os corpos adormecidos.
Um ligeiro toque desperta os sentidos.
Ele, com os lábios fogosos e sorridentes sugere-lhe um abraço que a cerca.
Malicioso, “queres preliminares?”, e salpicando-a de beijos, ouve sem receios “vou fazer-te uma lista do que quero”.
A lua cheia escondeu-se, por momentos, dando lugar aos reflexos de gotas de suor que se instalaram nos seus torsos.
A madrugada refrescou-lhes os corpos ardentes e a lua cobriu-os como um lençol de linho

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CORPO

14 de Julho de 2005

Corpo deitado
Furtado
Delicado

Corpo suado
Molhado
Amado

Corpo cantado
Sugado
Encharcado

E em teu corpo
Delirado
Enrolado
Penetrado

Deito o meu corpo
Deliciado
Salivado
Excitado.

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CONTO DA MADRUGADA -12-

7 de Julho de 2005

Nessa manhã quis cortar com a rotina.
Levantou-se pelo outro lado da cama.
Sentiu a falta do homem que lhe preenchia os vazios nocturnos.
Os chinelos não estavam ali.
O relógio estava no lado oposto.
A luz não se acendera.
Não ouvia o rádio.
Não encontrou o elástico para o cabelo.
Onde estaria o telemóvel?
Porque não estava ali a roupa que despira?

Quebradas as primeiras rotinas, concentrou-se.
Colocou o relógio.
Pegou num cigarro.
Foi até à janela.

Sabia que ele estaria por ali.
No sofá?
No outro quarto?
Já no computador?
Ou a tomar o pequeno-almoço?

Ouviu meter as chaves na porta de casa.
Ele aproximou-se e beijou-a.

Estavam quebradas as rotinas.

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Das palavras…

6 de Julho de 2005

Sorriu.
Jogou-lhe duas palavras simples.
Ele aceitou o desafio.
E estendida entre os lençóis ouviu-lhe a poesia.
As letras soltaram-se, enquanto o seu corpo se estirava no leito onde permanecia o aroma das horas de afecto.
Ainda os versos não absorviam os entusiasmos e já ela se transpunha.
As palavras soavam-lhe agora ao tacto subtil dos seus dedos em carícias ardentes que a levavam ao deslumbramento.
Antes que a palavra final explodisse em ecos, soou no quarto o tremor dos corpos que em esplendor se fundiram.
E do acto cresceram estrofes entoadas entre sussurros soltados e derramados como suor.

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