Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

No silêncio

28 de Dezembro de 2005

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foto: murat hermanlikli

Sentado
debruço-me
no meu corpo

E em silêncio
aguardo
que o verbo
ocorra
e
a palavra
se solte
num gemido
… de morte
… de silêncio.

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HÁ DIAS EM QUE ME APETECIA…

16 de Dezembro de 2005

…poder estar ao colo de minha mãe.
…ter o meu pai a meu lado.
…jogar ao berlinde com os meus irmãos.
…ouvir o meu tio a contar histórias.
…cantar com a minha tia uma canção qualquer.
…saborear os sonhos da minha avó.
…ver as engenhocas do meu avô.

Há dias em que me apetece sonhar!

Hoje apetece-me voltar a ser criança.
Hoje….. voltarei, por segundos, a ser criança.


foto: eduardo ferraz

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FINAL DE TARDE

14 de Dezembro de 2005

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foto: knut wiarda

Final de tarde.
Sobre o teu corpo
Uma luz
Frágil e preguiçosa
Ilumina-te o perfil.

Desnudas os seios
Que em esboço se desenham
Redondos
Palpitantes de paixão.

Final de tarde.
Do teu peito
Uma luz
Onde me fascino
E me descubro.

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CONTO DA MADRUGADA -18-

5 de Dezembro de 2005

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foto: trman

Encostou-se à parede e fechou os olhos, tal como ele lhe pedira.
Antes desabotoara a camisa, para que se pudessem ver os contornos dos seios.
Ele queria que aquela fosse uma fotografia diferente. Especial.
Ajustou a luz para que a incidência no corpo dela se transformasse numa pequena e ténue luminosidade. Quando se aproximou dela, para lhe compor a camisa e os cabelos, sentiu o aroma do suave perfume que se soltava do seu corpo.
Também ela o sentiu por perto. Sabia que ele ali estava, muito próximo. Sentia-lhe o cheiro e o calor que normalmente se desprendia dele.
O foco de luz incidia agora sobre aqueles dois personagens de uma só fotografia.
Sem hesitar, ambos se enlaçam. Conheciam bem os seus impulsos. Ele despe-lhe a camisa e, fervoroso, inicia um jogo de carícias.
Ali, junto à parede, os seus corpos transpiram aromas de prazer. As línguas trocam-se em volúpia. Beijam-se e entregam-se.

E a luz, ainda ténue, reflecte-se agora naqueles torsos translúcidos, imaginados em sombras, linhas e contornos de um retrato.

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Para ti…

30 de Novembro de 2005

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foto: alexander

… e num sonho
tocas o Sol
abraças o mar
voas no arco-íris.

e acordo

e sei
que estás
aqui
perto do Sol
junto ao Mar
em mim…

(para ti)

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NO TEU CORPO

27 de Novembro de 2005

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foto: tomi u

… e ao teu corpo regresso
onde releio as palavras
de desejo
que te escrevo
e como num beijo
te entrego
me entrego!

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DESEJO

12 de Novembro de 2005

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num só corpo

25 de Outubro de 2005

Um corpo
mil fragmentos.
Um corpo
paisagem e prazer.
Devoção
nos seios que abraço.
no teu corpo
o meu.
Fragmentos de nós
num só corpo.

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OUTONO

13 de Outubro de 2005

Outono de versos caídos
E de folhas deitadas.
De palavras e vozes
Que sopram suave
Os rumores do teu corpo.

Tempo de terra húmida
Mas seca e ferida de desejo
De um tempo de lágrimas
Molhadas e sonhadas
Como gotas de chuva
Que invadem o teu rosto.

És Outono efémero
Que entra nas águas perenes.
A tua força é perpétua
Que resiste
Transforma
Arrepia.

É Outono.

E com ele bebes o elixir
Que te prepara para o festim
Onde despida
Te entregas
E em mim mergulhas
Matando a sede
De mil beijos
Desta paixão.

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COISAS SIMPLES

11 de Outubro de 2005

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foto: alvaro rioseco

… que não devemos negligenciar.

Nunca omitir a expressão de êxtase.
Deixar que o corpo se entregue.
Que a respiração falte.
Que os sentidos se soltem.

Coisas simples.

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SOMBRAS

5 de Outubro de 2005

Este Outono está cheio de luminosidade. Com ela aparecem-nos as sombras que nos recordam a luz. Uma luz intensa.
As sombras são uma paragem para retemperar. São o significante nas imagens.
E em Borges servem para elogiar. Eugénio associou-lhes um retrato.
Gosto das sombras, porque me falam da luz…


foto: joão espinho

… mas não gosto dos que vivem na sombra. Ou dela.

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À BEIRA MAR

29 de Setembro de 2005

Escreves linhas suaves
Como os seios no teu corpo
Se transformam em dunas
De traços suaves e delicados.

Com o vento vem o silvo
Das tuas palavras murmuradas
No silêncio do beijo
Que as nossas bocas sussurram.

No teu corpo leio um poema
Feito de ondas de um Mar
Que ao poente nos contempla
E no nosso horizonte renasce.

Como areia fina
Que entre os dedos escorre
No teu corpo salivado
Sacio a sede de um afecto.

E o Mar
Ah, o Mar
Enlaça o teu espírito
Feito torso
Feito Mulher.

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