CONTOS DA MADRUGADA -16-
13 de Setembro de 2006
foto: alvaro rioseco
“Não movas o corpo!”, “desvia a perna ligeiramente para a direita”.
O fotógrafo disparava o obturador sem se preocupar muito com a luminosidade. Interessava-lhe mais captar alguns pormenores daquele corpo. Registar traços e linhas de um torso que se descobria para si.
Ao entusiasmo do fotógrafo, ela respondia com atitudes crescentemente sensuais, levando as mãos até ao seu sexo, de forma provocadora, e ele rogava-lhe para que não se encobrisse.
A câmara continuava a disparar e perante a excitação do fotógrafo ela pediu-lhe para que se despisse. Ela queria fotografá-lo. Queria que fosse ele agora o modelo.
Um desafio a que o fotógrafo não resistiu. Deu-lhe a máquina, despiu-se e, quando tentava assumir uma pose fotogénica, ela iniciou com os seus lábios uma caminhada pelo corpo agora nu e que evidenciava desejo.
Não se ouviu o disparar do obturador, mas a máquina ficou ali por perto.
À espera que o rolo revele dois corpos exaustos que se fundiram em volúpia.
(reload com recuperação de fotografia perdida)










