Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

fotografia

30 de Dezembro de 2008


foto: Andrew Kaiser

lavras-me o corpo com a tua língua; matas-me a sede com a tua boca.

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nocturna

24 de Dezembro de 2008

Escrevi-te há pouco uma prosa em jeito de poema. Sem rimas e sem hiatos entre as palavras como aquelas que nos segredamos. Parágrafos sem frases, letras acenadas por este vento sem vocabulário, como pássaros esvoaçando sobre as páginas dos nossos dicionários. Esta noite ditei-te para as folhas amarelecidas dos cadernos esquecidos as primeiras sílabas de uma alma que renasce e acredita.
Hoje, esta noite, olhei-te como as palavras do meu tempo, umas vezes longe outras mais perto, mas nunca ausentes.
Guarda essa prosa como se fosse tua, e só tua, pois não sei se voltarei a decifrar em palavras a aurora que em mim desponta.
E quando a releres, acredita que esta não foi mais uma noite.

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nocturna

21 de Dezembro de 2008

A noite tem segredos que só desvendo pela manhã
Quando acordo com a tua ausência ao meu lado
Mas sei que ali estiveram há momentos
Os teus abraços, a tua boca, os teus beijos, a tua língua
Pois todo o leito está inundado dos aromas que não levaste contigo.

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sempre comigo

20 de Dezembro de 2008

a minha preferida neste momento. Vá-se lá saber da razão….!

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Oferta

19 de Dezembro de 2008


foto: glen

“Ofereço-me-te sem ser uma prenda, pois entrego-me sem invólucro
Nua, na pele e carne que desejo tuas, hoje
Amanhã, sempre!
“

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nocturna

18 de Dezembro de 2008

“quero pecar no teu corpo
e nele cavalgar esta loucura,
este desejo
“

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ressaca

15 de Dezembro de 2008


foto: shiver

“(…) esta ressaca que me mata, sempre que não estamos,
sempre que não estás em mim
…”

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Conto da madrugada

14 de Dezembro de 2008


foto: jukarl

Árvore de Natal

Pedi-lhe ajuda para enfeitar a árvore. Quatro mãos e quatro olhos seriam, esperava eu, mais que suficientes para compor o símbolo natalício. Chegou, e com o seu olhar percorreu a árvore despida, pegando nalgumas fitas, douradas, e em meia dúzia de coisas, também em tons dourados, que pendurou nos ramos dispersos da velha árvore. Já está!, deixando-me espantado pela simplicidade e rapidez com que o fez. E as luzinhas? Vem, e trá-las contigo, arrastando-me para o quarto, onde pusemos as luzes a cintilar em modo fade in fade out.
Despiu-se e agora fotografa-me com a luz que tens foi um convite para que abandonasse a ideia de registar imagens com a máquina e me lançasse naquele corpo que brilhava à minha frente, cheio de reflexos dourados, cintilando a sofreguidão de me ter. Com as mãos, registei-lhe todos os movimentos, todos os recantos, sem sombras, e com a minha boca fiz-lhe tocar os sinos que em mim ecoaram com profunda volúpia. No momento em que os nossos corpos quase explodiam de prazer sobre a colcha do leito, escutámos a música suave que ainda tocava na sala. E foi aqui que acabámos por consumir o ardente desejo e a sede de nos possuirmos.
A árvore de Natal, verde e dourada, ali estava, incompleta, mas com ar sorridente.

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Conto da madrugada

11 de Dezembro de 2008

Meto-me no carro, olho para a temperatura – demasiado baixa,a contrastar com a do meu corpo. No horizonte, os primeiros raios de sol tentam romper um nevoeiro denso, frio, que enche a estrada de tonalidades cinzentas. Na viagem até casa tento recordar as horas que ficaram para trás. A sala, a música, a luminosidade, os cheiros, aquelas linhas que se me ofereciam deitadas e preparadas para me receber. Pela memória passam as palavras, os gestos, o sexo. Tento associar um rosto aos momentos de prazer e é o frio lá de fora que me faz despertar. Um arrepio antes de entrar em casa, e a face continua difusa e distante. Sexo, calor e corpos. Hesito entre o duche ou jogar-me para a cama. Sob a água quente faço mais um esforço para ver as expressões do prazer. Uma mensagem no telemóvel quase que me desperta desta minha viagem pela memória nocturna. “Chegaste bem?“. Saio de casa. O dia fizera esfumar-se o cinzento da névoa e aquecia os frios da madrugada. “Estiveste muito bem e jamais esquecerei esta noite”, respondo, tentando imaginar que rosto se transformaria em sorriso.

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dos lábios

10 de Dezembro de 2008

“Deixaste-me nos lábios o teu cheiro, o teu sabor;
agreste, selvagem.
A minha boca pede-te o que os lábios desejam
E os olhos declaram.
Agora!
antes que chegue o momento em que me perca e me afogue
Na ausência do teu corpo.”

a ouvir as coisas que me ofereces.

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despedida breve

9 de Dezembro de 2008

Agora que partes, o poema regista-se sem palavras
Assim como ficaram por escrever as letras dos nossos beijos.
Nenhum arbusto é perfeito, nenhuma rua é o nosso caminho
E o Mundo não depende de nós.
As emoções, essas, registei-as no meu peito e aí ficarão
Enquanto o teu rosto permanecer na minha alma.

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try a little

7 de Dezembro de 2008

Obrigado por esta prenda antecipada.
Por isto, por aquilo, por tudo.
Principalmente por me ajudares a compreender-me.

“Às vezes, dependemos das pessoas como de um espelho para nos definirem e dizerem quem somos. E cada reflexo faz com que goste um pouco mais de mim (…)”

Try a little tenderness (prefiro a que me ofereceste) está marcada. Para sempre!

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