Arquivo de Fevereiro de 2016

É preciso gritar

2 de Fevereiro de 2016

rua dos infantes
foto: joão espinho

“Há quem observe em Beja uma realidade estranha. Quem acredite que aqui “acontece”, que Beja “merece” o que tem, o que lhe está destinado – como se fosse algo de transcendente que nos leva às “graças de Deus”. Que Beja tem “alma”!

Nada mais falacioso.

Há quem se excite com o que existe: com a mediocridade, com a fatalidade, com a desesperança. Há quem veja nesta terra o que não consigo ver. Quem vislumbre nisso um futuro (?) nas ruas vazias, nos rostos apagados de esperança, resistentes por vontade própria e não por dever de quem nunca poderia abdicar, de quem nunca nos deveria ter trocado pelas coisas mundanas. Mas abdicou. E trocou.
O que vejo não corresponde a essa visão do “céu na terra”, da excelência da omnipresença, do pensamento único! (A síndrome do cisne preto em seu esplendor)…
O que vejo é triste e amargo, é tão raso como o vazio de ideias, a falta de vontade, a incompetência para os compromissos, a fraqueza em vez da força! É tudo menos esperança, ou mudança, ou avanço, ou progresso! (tão pouco ousam a utopia!).
É abandono, silêncio fundo que se cala no medo. É abandono que alimenta um poder bacoco e inerte. Sem fôlego, sem chama, sem vida, sem rumo que nos leve por diante. Uma terra que perde importância, que se afasta para que a vejam ao longe, numa breve silhueta.
O que vejo é uma terra que segue o caminho do passado, que se pinta numa cópia gasta de outras aventuras curriculares, que se definha na vontade caprichosa de um presidente. De um homem só…
O que vejo é também o que sinto: uma terra sem alma, que adormece para júbilo daqueles que a querem assim, pelo poder, só pelo poder em benefício próprio e nunca por todos!… É uma terra que pode ser tanto, e muito mais. E que podendo ser um dia será!
É essa a esperança que nos deve animar, o desafio dos que não se resignam, dos que não temem o futuro. Dos que um dia ousarão fazer mais, fazer tudo até, porque para fazer é preciso gostar!”
Jorge Barnabé

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EMAS – o que se passa com as facturas?

2 de Fevereiro de 2016

emas
foto: radio pax

Tenho ouvido muitos protestos. Eu próprio contactei (princípio de Janeiro) a empresa para alguns esclarecimentos. Entretanto, aguardo a factura referente ao mês de Janeiro para ver como são feitos os acertos.
Voltarei ao assunto.

Actualização: algumas pessoas estão a cancelar o débito directo. É, penso eu, uma atitude acertada.

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Hilariante

2 de Fevereiro de 2016

pcp inquieto

O PCP, que no distrito de Beja perdeu cerca de 10.000 votos (entre Outubro/2015 e Janeiro/2016), anda inquieto com a eleição de Marcelo. É mesmo para rir, não é?

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Lebrinha

1 de Fevereiro de 2016


foto: joão espinho

Editorial de Paulo Barriga no Diário do Alentejo

“Em Portugal, marcas como “Cervejaria Lebrinha” haverá poucas. E no Alentejo, por muitas voltas que dê à cachola, não encontro outra que se lhe compare em pujança, eficiência, reconhecimento. A eficácia da marca ganhou tal dimensão e notoriedade que “Lebrinha” chegou a ser a única forma de nos referirmos a Serpa, sem ter a necessidade de dizer Serpa. O mais curioso é que por detrás do segredo desta marca de leitura geral e imediata está um produto que pouco tem a ver com Serpa ou com o Alentejo: cerveja à pressão. É verdade. Durante anos se apurou nas catacumbas do Lebrinha a “receita” de uma imperial que, segundo os especialistas encartados e todo o tipo de empiristas, era imbatível. A melhor do País, atestavam os diplomas que estavam dependurados nas paredes da cervejaria. Estava fechado a sete chaves, o tratamento cabalístico que levava a imperial do Lebrinha. Era um dos mais reservados e enigmáticos segredos da indústria da restauração e similares de Portugal. Um milagre da multiplicação do gás a brotar do fundo de um copo de cerveja. O queijo tipo Serpa é famoso, as queijadinhas de requeijão da senhora Paixão também o são, são muito apreciados aqueles cantares à maneira de Serpa e as festas da Senhora de Guadalupe, igualmente. Mas Serpa, na viragem do século XX para o século XXI, não teve embaixador nem propaganda externa que chegasse sequer aos calcanhares da imperial do Lebrinha. Ainda hoje, na Internet, existem fóruns de debate em torno daquele borbulhar milagroso: ou era dos copos especiais e mal lavados, ou era do comprimento do cabo que leva a cerveja do barril até à torneira, ou era da pressão… Talvez fosse da pressão. Mas não da mesma pressão que levou à falência, dizem-me que há pouco tempo, a Cervejaria Lebrinha, esse ícone aloirado de Serpa e do Alentejo. Reconheça-se que os tempos mudaram. Que a tecnologia democratizou a boa imperial. Que nem só de cerveja de manivela vive o homem. Que quem vai a Serpa também o faz por um bom petisco que encontrará com facilidade no Manel Gato, no Alentejano, no Chico Engrola, no Molhó Bico, no Pedra de Sal, na Tradição e em quase todas as tascas e restaurantes de Serpa que tenham um fogão escondido por detrás do balcão. Coisa que faltava exatamente ao Lebrinha nos últimos anos. Não sei se alguém ou alguma instituição ainda pode fazer alguma coisa pelo Lebrinha. Se nada se fizer é certo que não se perde tudo, mas perde-se a oura maneira de dizer Serpa, sem falar em Serpa. O que é muito, não é?”

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