Arquivo de Agosto de 2007

PACIÊNCIA

10 de Agosto de 2007

“A cidade está despejada de carros. Às nove e às 11 da manhã, às três e às cinco da tarde, a rua Fialho de Almeida está praticamente deserta. Teimosamente, os semáforos obrigam as pessoas a parar. Pacientemente. Desesperadamente. Para que serve uma rede de semáforos tão eficaz e ponderada numa cidade sem pessoas? Para causar cólera? Para revelar inflexibilidade? Para obrigar a réstia de gente que resiste a perder a paciência? Ou é apenas porque Beja também tem direito à sua silly season institucional.”
A J Brito in Correio Alentejo

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HOJE HÁ TOURADA

10 de Agosto de 2007

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foto: Lauren Spence

Podiam ocupar o tempo com coisas melhores.

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CÉLIA – 52-

9 de Agosto de 2007

Decido-me por ir a pé. A distância não era muita e ir de carro não me transmitia segurança. E aquele era um momento decisivo nesta geometria de relações encadeadas em mal entendidos e sufocantes dúvidas. Subo a avenida como se o fizesse pela milésima vez, em passo decidido. Hesito entre o cigarro e ligar o telemóvel, e foi neste momento de hesitação que me senti quebrar.
Afinal que iria eu dizer a quem colocava os sentimentos humanos ao nível do esgoto? Que necessidade tinha eu de estar a refazer uma das pontas deste triângulo com quatro peças?
Uma dúvida maior assolou-me no momento: e se Célia tivesse fraquejado no minuto em que saiu de minha casa?
Não, essa hipótese afastei-a de imediato, por me transportar o pensamento para cenários muito escuros.
Decido-me por ligar o telemóvel na busca de caminhos, enquanto afrouxo o andamento.
Percebi que o ímpeto inicial se poderia transformar em algo irreversível.
Sento-me no banco da praceta para ler a mensagem. Olho à minha volta à procura de Célia. Vejo-a encostada mais à frente junto ao muro de escola. Fujo para ela, que me abraça:
“conheço-te! sabia que a tua primeira vontade seria esta. ainda bem que desististe”.
Pego-lhe na mão, para regressarmos. Caminhamos em silêncio porque sabíamos que as palavras soariam emocionadas e ruidosas. À porta de casa vejo-a pegar na chave do carro. Convido-a, quase em súplica, para que suba. “Não, João. Agora estou a precisar de me olhar, de ver o que está dentro de mim. Porque sei que é a ti que amo!”.
Ao entrar, a casa pareceu esmagar-me. Mariana havia voltado ao ponto de partida.

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SEM PALAVRAS

9 de Agosto de 2007

E quando não há palavras, ouve-se música, para não esgotar as imagens.

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IMAGENS

9 de Agosto de 2007

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foto: Vahid Naziri

Uma mesa, uma janela, a modelo. Uma sala despida. A nudez total.
Uma imagem sem ruído.

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UMA PRENDA

9 de Agosto de 2007

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foto: Valentina Rychkova

Para uma mãe que tem hoje um dia muito especial.

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Desejando

8 de Agosto de 2007

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foto: beepy

Ardentemente que o vento mude. Ou a maré. Ou a fase da Lua.
Ou eu!

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CONTO DA MADRUGADA

8 de Agosto de 2007

No tempo em que usava aliança, a minha cama tinha dois lados. A divisão de territórios percebia-se quando na noite soava o “vira-te para o outro lado”. Julgo que é uma situação normal a não requerer grandes aprofundamentos.
Com o desfazer da aliança, a cama passou a ter mais do que dois lados. A parte de baixo começou a ter identidade própria e o “ao lado da cama” nasceu para receber livros, revistas e tudo o mais. Este lado da cama é o meu sedativo. É quando nele cai o livro que estou a ler que a luz se apaga e o sono toma conta de mim. Dou-lhe extrema importância e tento mantê-lo afastado de olhares e senhoras de limpeza descuidadas.
O tal “outro lado” deixou de ser respeitado, não existe, aquele naco de colchão e lençol passou a ser também meu. A fronteira entre “o meu lado” e “o teu lado” desapareceu, mas mantém-se um certo respeito pela teoria. Quando ocupado, a lei da propriedade privada prevalece e respeito-a.
Há, porém, nesta coisa dos lados da cama, um factor que andava esquecido: a insónia.
É nestas alturas que percebo que não há lado que resista a uma contagem exaustiva de ovinos, nem à leitura de livros gastos ou de páginas de publicações pink!
E foi no desespero de uma insónia que cometi o erro de sair da cama pelo outro lado.
A última vez que o havia feito a minha vida sofreu uma transformação radical e a minha cama passou a transformar-se num armazém de almofadas.
Desta vez a coisa não será de tamanha responsabilidade, mas o médico aconselhou-me a deixar de tomar Prozac e a tirar a Tv do quarto.
Estes psiquiatras são loucos……

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Madeleine McCann

8 de Agosto de 2007

Para ler a teoria da Mad e o debate nos comentários.

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IMAGENS

8 de Agosto de 2007

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foto: ane vitale

O foco no segundo plano. A exigência de desviar o olhar para um plano secundário. Como se a porta se fosse abrir a qualquer momento.
A Fotografia é Arte.

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POEMA SOBRE BEJA

8 de Agosto de 2007

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foto: joão espinho

as paredes caiadas de branco repelem o sol quente da manhã
escuto rumores do destino que esvaziam as ruas cinzentas
à cidade já não regressam os que partem inseguros do amanhã
sem eles os largos são covas gigantes e lamacentas

o que acontece passa ao largo da planicie extensa e triste
e o que não acontece morre no silêncio de cada um que resiste

jorge barnabé in O Outro Crepúsculo

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EVA

7 de Agosto de 2007

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foto: surrealism

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