É uma questão que me tem surgido várias vezes e mais frequentemente depois de ter lido o artigo que João Honrado escreveu no Diário do Alentejo (posteriormente repetido no Alentejo Popular).
Concordo, basicamente, com algumas das suas afirmações:
– o DA tem dado prejuízo
– o DA não deve ser um boletim intermunicipal
– o DA não deve ser um peso económico para os municípios
– as contas do DA e da gráfica da AMBAAL deverão ser divulgadas publicamente
etc…
Isto é, João Honrado aponta as grandes falhas do DA. Apontou-lhe as feridas, faz-lhe um diagnóstico quase exemplar, mas ficou-se por aqui.
As soluções apontadas
– linha editorial que defenda o desenvolvimento da região
– deve ser escrito e feito por jornalistas
– deve ser administrado por gestores competentes
merecem-me alguns comentários.
Em primeiro lugar não sei o que significa “desenvolvimento” no vocabulário comunista (JH é um destacado militante do PCP). Há vários exemplos de que este “desenvolvimento” preconizado por JH não tem dado frutos nem tem trazido a felicidade das comunidades alentejanas.
Também não sei que “região” é esta que JH defende. Aliás, calculo que se refira a um Alentejo único (ambição administrativa do PCP) que, na realidade, não existe. O DA já teve a pretensão de ser um jornal para todo o Alentejo e conhecem-se os resultados (prejuízos financeiros), que JH também aponta.
Relativamente a ser feito e escrito por jornalistas, ninguém duvida que assim tenha que ser. Mas sabemos que o DA tem sido palco de disputas partidárias/políticas, onde são jogados para a arena os jornalistas (com carteira profissional), que acabam por ser trucidados por estes combates entre vencedores e vencidos. Assim tem sido e não há sinais que venha a ser diferente. Veja-se o exemplo da actual direcção – interina, provisória – mas que vai perpetuando a vontade da força política que venceu as últimas eleições autárquicas.
O panorama do actual DA não é brilhante e não vejo que no futuro alguma coisa se vá alterar. Os municípios não vão largar este veículo de propaganda das suas actividades, os partidos não deixarão de tentar dominar o DA, os “opinion makers” necessitados de protagonismo não desistirão de ali encher páginas de conteúdos óbvios, e a carreira jornalística do DA, mercê do que já apontei, vai definhando e morrendo lentamente.
Ou muito me engano ou está para breve uma OPA (operação pública de aniquilamento) sobre o DA.
Cá estaremos para ver.