Arquivo de Agosto de 2004

UMA CARTA

11 de Agosto de 2004

Recebemos cartas que nos deixam quebrados.
Durante a noite uma mão amiga pensou em mim.
E lá de longe, enviou-me palavras que me emocionaram.
Não, não vou aqui revelar o seu conteúdo.
Mas quero compartilhar a sua despedida.
“João, tu sabes de ti. Não dou conselhos. Não tenho a capacidade que tu tiveste quando me deste a mão nos meus momentos difíceis.
Sei que vais conseguir vencer. Conheço-te o coração.”

(Nunca te saberei responder a esta carta. Mas deixo-te a garantia de que não liquidarei a Célia, conforme era minha intenção. Obrigado L.)

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LER IMAGENS

11 de Agosto de 2004

Registar em fotografia um momento está hoje ao alcance de qualquer um.
Trazer para a fotografia uma emoção ou um sentimento já é uma obra que se torna mais complicada.
Estamos habituados a ouvir dizer que “uma imagem diz muito mais do que mil palavras”. É uma meia verdade.
Por vezes temos que acrescentar algo mais à escrita com luz.
Nas nossas vidas passa-se o mesmo.
Quantas vezes um silêncio é mais ensurdecedor que um autódromo de Fórmula 1?
Porque será que às vezes não queremos entender as indicações que nos são dadas, fazendo delas aquilo que nós desejamos que elas sejam?
Que espécie é a nossa que tem a capacidade de explicar imagens que não existem?
Em resumo: por vezes estamos a ler uma imagem e fazemos uma interpretação à medida dos nossos desejos.
Poucos temos a capacidade de “passar para o lado de lá”. Para o lado de quem registou uma imagem, de quem nos deu um sinal, de quem nos escreveu uma palavra.
Temos que reaprender a ler!

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SOL

11 de Agosto de 2004

Não sei viver sem o Sol.


foto: João Espinho

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JARDIM DO CHINELO

10 de Agosto de 2004

O JARDIM DO CHINELO é de Beja e está aí porque “há espaços por ocupar. Há palavras por dizer. Há confidências a fazer. Há sentimentos a revelar…Há chinelos para gastar!”
Quem sou eu para contrariar quem agora nasceu….?!!
As Boas Vindas a este blog bejense.
Desejo que não se fique pelo mês de Agosto.
Venham de lá essas postas!!!

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MARIA

10 de Agosto de 2004

O trabalho afrouxou, estamos em Agosto, e uma colega emprestou-me a revista “Maria”.
Garanto-vos que as minhas gargalhadas se ouviram em todo o edifício.
A revista tem uma secção de perguntas e respostas, na área da “sexualidade”, e que, curiosamente, se divide em o “diário ELE” e “diário ELA”.
Não sei se as respostas são melhores que as perguntas, mas vale a pena dar uma vista de olhos às preocupações sexuais dos portugueses.
Se encontrarem respostas adequadas, não hesitem em deixá-las aqui. O Google encarregar-se-à de as entregar aos destinatários.
Então leiam bem:

1- “O tampão ficou lá dentro. Que fazer?”;
2 – “Disse-me que estava tão gorda que o tecto vinha abaixo!” (uma sexagenária com uma fantasia sexual, mas que o marido não aceitou);
3 – “Diz que não sou virgem anal” (o namorado desconfiou);
4 – “Tenho comichão nos testículos” (só à noite, quando se deita);
5 – “Sei quem lhe tirou a virgindade” (e o namorado vai mais longe:”É possível perder a virgindade com amigos?”.

A última é uma pérola:
“Amo a prima da minha mulher”!
Resposta cá da Praça: Já pensaste em dizer-lhe (à prima, claro!)

Desculpem-me esta ousadia.
Mas eu estava a precisar de compartilhar este momento de riso.

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E O LIXO CONTINUA…

10 de Agosto de 2004

Lembram-se desta imagem e do texto que aqui escrevi dia 25 de Junho?
Desde então a situação alterou-se. Para pior. Agora, onde antes existiam 3 contentores, podem os moradores locais e os nossos visitantes contar com 4. Terá sido esta a melhor solução que a nossa autarquia encontrou para resolver o problema.
Hoje, mais uma vez, estive no local.
E o cenário é pouco melhor. O lixo amontoa-se, os cães vadios que proliferam pela cidade continuam a ir ali em busca de alimentos, espalham os sacos do lixo e a sujidade é mais que muita.
Perante o protesto de um comerciante local, uma mal informada funcionária da autarquia esclareceu que desconhecia a existência daqueles contentores naquele local. Mas o vereador do pelouro sabe certamente que aquela lixeira a céu aberto, instalada num local de carga e descarga de bens alimentares, ali continua. E que a solução tarda em ser encontrada.
Porque não levar aqueles contentores (até ser encontrada uma solução mais higiénica) para o parque de estacionamento em que se transformou o Largo dos Duques de Beja?
Apetece perguntar: “Alô, está aí alguém na Câmara que se preocupe com os munícipes?”

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ENIGMA -17-

10 de Agosto de 2004

Caminhava sem destino. Em busca de nada.
Do outro lado da rua vi uma cara conhecida. Muito familiar, mesmo.
Parei para ver melhor.
Era ela. A sorrir-me. Esperei que o trânsito me deixasse atravessar a rua.
Pelo meio de nós passou um autocarro.
A publicidade “Segue o teu caminho” passou à velocidade do transporte.

Do outro lado desaparecera aquele sorriso.
Será que a mensagem publicitária me era dirigida?
Um enigma.

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SÓ PODE SER BOATO!

9 de Agosto de 2004

Que vai haver substituição do Governador Civil de Beja. E que o nome que vai substituir João Paulo Ramôa é o de um conhecido autarca do Baixo Alentejo. Que parece ter grandes afinidades com actual 1º Ministro.

Só pode ser boato!!!

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Célia (interregno)

9 de Agosto de 2004

É provável que o episódio 33 de Célia tenha sido o último desta série.
É também provável que uma outra série surja.
Também é possível que Célia desapareça.
Talvez outra Célia lhe dê lugar. Ou a mesma.
Não sei.
Tudo depende de Célia.

Para todos os que ao longo deste tempo acompanharam Célia, fica a garantia de que a escrita não me abandonou. E o habitual obrigado pela atenção dispensada.

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AFINAL

9 de Agosto de 2004

… o céu cinzento tornou-se negro.
Choveu.
Trovejou.
O nevoeiro transformou-se na mais espessa nuvem.
É tempo de ir lá ao fundo.
Continuarei à procura de quem me diga qual o caminho dos dias luminosos, sem chuva, sem trovoada, sem nuvens. Principalmente sem penumbras.

O cigarro não espera mais. Vou acendê-lo!

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Célia -33-

9 de Agosto de 2004

Pegou na garrafa e verteu mais uma quantidade daquele álcool.
Levou o copo à boca. Pousou-o e iniciou uma dança estranha.
Primeiro de uma forma descoordenada. Depois a um ritmo mais lento, mas mesmo assim descompassado.
Percebi que aquela seria uma noite diferente.
Pediu-me que a acompanhasse nos movimentos.
Enlacei-a pela cintura. Compreendi que me queria mais próximo.
Deixei-me embalar pela sua sensualidade.
Os nossos corpos estavam agora colados, acompanhando com movimentos suaves a música que nos embriagava.
Fez escorregar a sua mão.
Abracei-a.
A música – “Hold on my heart”- parecia dar agora os seus primeiros acordes.
Esquecemos naquele momento o copo que se entornara.
Olhei-a nos olhos. Vislumbrei-lhe umas lágrimas.
“João, estas não serão, certamente, as últimas lágrimas que derramarei no teu peito”.
Disse-mo, seguido de um adeus. Este não se assemelhou aos anteriores.
Não sei se lhe agradeci, mas era essa a minha intenção.

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QUE POSTAR?

8 de Agosto de 2004

Não é obrigação, esta a de postar.
E até há dias em que o não faço.
Mas que postar num Domingo de Agosto, cinzento no céu, brilhante por dentro, longe das massas que se atropelam à beira-mar
– posso pôr aqui a minha toalha?
ora na costa sul ora na alentejana
– olha ali o manel!
e em que me apetece falar do tudo e do nada?
O melhor seria estar quieto, não escrever, não pensar.
Pegar num livro, numa revista, ouvir o que apetece
– desliguem a porcaria da tv
meter a mão na embalagem de amêndoas salgadas
e deliciar-me com uma água
– há água pró duche?
tónica que se enche de gelo e limão e esperar que o tempo
– que tempo este hoje!
me indique o que fazer.
Mas apetece-me algo especial
– Ambróóóóóósio!!!
como, por exemplo, nada fazer!

Esta é uma verdadeira posta de Domingo.
Vou dedicar-me a quem amo. É, sem dúvidas, a melhor solução
para um Domingo cinzento no céu,
mas brilhante por dentro.

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