Ago 25 2021
Entrevista com Nuno Palma Ferro
Publicado por João Espinho
Nuno Palma Ferro é o candidato do PSD à Câmara Municipal de Beja. A candidatura de Nuno Palma Ferro conta com os apoios de CDS-PP, Partido Popular Monárquico, Iniciativa Liberal e Aliança.
1 – Chegou ao PSD há 1 ano. É hoje candidato à presidência da Câmara Municipal de Beja por uma coligação liderada pelo PSD. Como decorreu o processo internamente e como chegou tão rapidamente a esta posição de destaque?
Há um ano e meio senti que deveria dar o meu contributo de outra forma à minha cidade. Após ter estado 12 anos ligado a um movimento associativo através da Associação de Patinagem do Alentejo, sentia que continuava a ter a capacidade de integrar novos projetos sociais, tendo uma contribuição ativa na cidade. Nunca escondi a frustração e preocupação crescente que tenho em relação à cidade onde vivo, e a incapacidade de reter muitos jovens de qualidade que me “passaram nas mãos” nos últimos anos. Simultaneamente, dois amigos pessoais e com quem bastante debato, o Gonçalo Valente e o Bernardo Nascimento, tornam-se os impulsionadores da minha candidatura à presidência da câmara através de uma coligação onde se enquadra o PSD, que acompanhados pelo Dr. Pinela Fernandes na qualidade de presidente da concelhia, iniciaram os mecanismos internos do partido, no sentido de me endereçarem este convite, o qual foi evidentemente aceite.
2 – Sendo um filho de Beja, como considera estar a nossa cidade, nas suas mais variadas vertentes?
A resposta é bastante evidente: está, na maioria das suas vertentes, MAL!
Se assim não fosse, não me estaria a candidatar. Se olharmos para o resto do país de uma forma genérica, a qualidade de vida das pessoas subiu exponencialmente nos últimos 30 anos. Por vários fatores, as regiões e as autarquias tiveram possibilidades de crescer muito, pois existiram financiamentos e planeamento para o efeito. Em Beja, o crescimento foi muito menos exponencial do que na maioria. Não soubemos usar os financiamentos para investir, não criámos uma estratégia, exigimos pouco ou nada ao poder central, perdemos representação e fechámo-nos em disputas partidárias que não tiveram a capacidade de fazer a terra crescer. A fatura é esta: Estamos bastante atrasados! Existem várias formas de olharmos para uma cidade, mas temos de ter a consciência que o seu desenvolvimento serve para estimular uma única variável: AS PESSOAS. E nós, estamos com cada vez menos pessoas e com perspetivas de as continuarmos a perder. O mesmo para a política, que deveria servir para melhorar a vida das pessoas, o que em Beja é notório que não tem acontecido. A forma como o poder central olha para nós é bastante esclarecedora disto mesmo: CADA VEZ SOMOS MAIS INSIGNIFICANTES!
3 – O que é que mais o preocupa no concelho? Caso seja eleito, qual será a sua prioridade?
O que me deixa mais preocupado no concelho é a incapacidade dos nossos executivos responderem à seguinte pergunta: Como queremos que seja Beja em 30 anos? Por muitas obras que se façam, quando não temos uma estratégia para crescer, não crescemos. Os partidos que nos governam e nos governaram, não têm uma resposta clara e concreta a esta pergunta (talvez agora arranjem!).
A prioridade é a criação dessa estratégia, porque tudo o resto vem englobado nesta grande questão. O que me vai perguntar é: “E como é isso se começa?”. Pois bem, começa-se por uma clara alteração de postura, na forma como se vende a cidade de Beja e a marca “Beja” para o exterior, tendo esta que ser uma preocupação de todos nós bejenses. Quanto melhor vendermos a nossa cidade aos outros, mais vamos crescer. Isto começa logo no presidente da câmara, que não pode só representar a instituição. Tem que ser o melhor e principal vendedor da cidade e tem que saber mostrar/pressionar o governo central que temos condições para sermos valorizados e “alvos” de investimento. Ou seja, temos de nos impor!
Depois, temos que pensar quais são as nossas mais-valias competitivas em relação às outras autarquias e no nosso caso, a ÁGUA é o principal diferenciador, que é um dos bens mais escassos e procurados pela humanidade. Temos que a usar como motor propulsor da nossa economia, nomeadamente na forma como se atrai investimento e se acolhe a atividade económica.
Enquanto câmara municipal temos que ter a preocupação, não de causar mais problemas, mas de ajudar as pessoas, de ajudar os empresários, de facilitar burocracias quando possível e de desobstruir. Os interesses das pessoas são os interesses da câmara municipal, pelo menos deveriam ser.
4 – Nas Autárquicas de 2017, o PSD obteve 899 votos, o CDS 533. Qual é a sua meta para se considerar vencedor?
Eu não olho a votos. Por uma razão: isso desvirtuar-me-ia do caminho que estamos a percorrer. O caminho é muito importante porque o objetivo numas eleições autárquicas não é ganhar o A), o B) ou C) mas que a cidade fique a ganhar. Óbvio que acredito que a cidade só ficará a ganhar se nós formos eleitos para liderar a Câmara Municipal de Beja. A mensagem é clara: “O Beja Consegue não só tem a capacidade para dar a volta a este ciclo negativo, como pretende criar um projeto para pensar Beja daqui a 30 anos”. Até ser possível, vamos ser candidatos a vencer as eleições e assim será até dia 26 de setembro, com um nível de exigência muito alto no nosso trabalho, para que o nosso compromisso não seja com votos, mas com Beja. O resto fica a cargo de todos os bejenses, em que faremos a nossa escolha de forma democrática.
5 – Caso seja eleito vereador, tem consciência de que vai ser o fiel da balança? Para que lado vai pender? Admite uma coligação pós-eleitoral com a força vencedora?
A pergunta que me faz tem por base um cenário daquilo que espera que seja o resultado eleitoral: um 3-3-1. Temos que procurar ter uma democracia o mais saudável possível, e até as pessoas votarem, não devem existir vencedores à priori. Ainda assim, esse não é o foco. Todas as decisões tomadas neste projeto têm sempre o critério de procurar o melhor em Beja, Beja e por fim Beja. Isto não é um projeto do Nuno, há muitíssimas pessoas a trabalhar connosco e todas elas terão uma palavra a dizer, a começar por dia 26 de setembro.
6 – Consigo Beja vai conseguir o quê?
Permita-me que o corrija. O Beja Consegue é um movimento de cidadania que se faz representar por uma equipa, portanto corrigiria para “Connosco”. Todas as câmaras municipais têm a mesma ambição: melhorar a qualidade de vida das pessoas. Connosco Beja será uma opção para o futuro, será um local onde os jovens querem viver, um local com dinamismo, que preserva a sua entidade cultural e ideológica, mas a mostra ao Mundo. Procuraremos captar investimento, empresas, habitação. Queremos que os nossos jovens cheguem a 2050 e olhem para Beja e digam: Eu vivo em Beja e sou muito feliz!
Nota: Agradeço ao Nuno Palma Ferro a disponibilidade em participar nesta entrevista.










