
Assisti ontem à noite ao debate entre Tiago Mayan Gonçalves e André Ventura. Interessava-me ver como o candidato do IL iria reagir aos ataques de AV.
Deixo-vos aqui o que li no Expresso:
“Ao oitavo debate das Presidenciais foi possível mostrar que não é preciso rebolar na lama para encostar André Ventura às cordas da abjeção política. Parece até mais fácil fazê-lo à direita do que à esquerda – vamos ver como será com Marcelo Rebelo de Sousa esta noite -, porque assim a discussão não tem o ruído de outros preconceitos: quando um radical liberal joga contra um extremista e se espera uma luta entre imoderados, ganha o argumento da decência. E Tiago Mayan Gonçalves entrou no debate na SIC a bater André Ventura por KO com razões elementares de humanismo laico ou de cristianismo básico, os valores universais, aquelas coisas que é suposto os pais ensinarem aos filhos: não se manda uma deputada para a terra dela por ser de outra cor, não se descriminam os emigrantes, não se confinam etnias. O líder do Chega (que se corrigiu da gritaria com o comunista João Ferreira), acusou o adversário apoiado pela Iniciativa Liberal de ser um “travesti de direita”, e deu esta estranha definição: “Estamos num debate de direita a defender os coitadinhos, isso não é ser de direita (…) É o último com que eu esperava ter esta discussão”. Era talvez um dos últimos argumentos que podíamos esperar ouvir: que a xenofobia ou o racismo não deviam incomodar a direita…
Se a história mostra haver momentos em que a diferença não é entre ideias, entre esquerda e direita, mas entre a decência e a ignomínia, com este desempenho Ventura pode ter oferecido milhares de votos de católicos e de conservadores ao adversário. Veremos. O mundo está a viver tempos desses onde muita gente não rejeita a ignomínia com base na decência (veja-se o que aconteceu ao Partido Republicano nos EUA), mas o painel de 16 comentadores do Expresso avaliou o debate numa escala de zero a 10 e concluiu que a sordidez perdeu: Mayan venceu o líder do Chega por 5,7 contra 1,8 valores.”