Arquivo da Categoria ‘Intimidades’
NOCTURNA
3 de Agosto de 2007PROCESSOS
3 de Agosto de 2007MADRUGADA
1 de Agosto de 2007Sigo pela estrada mais longínqua, a dos caminhos mil vezes percorridos nas noites em que a Lua nos transforma.
O silêncio das estrelas é um bom prenúncio para começar esta madrugada.
Olho em volta, ouço cigarras e adivinho os campos secos. Tento fixar-me em mim e escrutar as raízes donde broto. Descubro onde semeei o meu coração: um terreno perfeito donde nascem as palavras que ditam o meu destino. São searas onde colho os sonhos que me saciam a alma.
A pureza do ar leva-me ao teu aroma e, no caminho, descubro os teus olhos que me fazem agitar. Ergue-se na planura uma árvore, talvez duas, cansada das sombras habitadas pelos outros.
Retorno a ti.
E é nesse trilho que me confesso, que enuncio esta paixão que traduzo em choro e clamor.
Aqui não há o oceano, não há o mar. Há sim, e só, o meu encantamento.
É nos teus braços que mergulho no despontar do novo dia. Abres os olhos de um sono profundo e ouço-te a mais bela balada ditada na singeleza das palavras que falam o Amor.
CONTO DA MADRUGADA
15 de Julho de 2007
foto: jan mlcoch
Pego na máquina, tiro os filtros, disponho os adereços.
Olho em meu redor e não me apetece este trabalho. A esta hora preferia uma esplanada, uma boa conversa.
Mas a mensagem reclamava urgência “será caso de morte ou de vida?” A modelo também não me sugeria bons ângulos e não lhe esperava qualquer expressividade digna de registo.
Quando abro a porta supreendo-me “admirado?” com a roupa que trajava, os modos que assumia. Não era um retrato que desejava, percebi. “Como é que quer que me coloque?“, joga-me, arrancando-me do estado de confusão em que me havia deixado a sua entrada. Assumi um ar natural, pergunto “para que efeitos?” e a resposta não poderia ter sido diferente: “seduzir, cativar o meu marido“.
Desejei naquele momento não perceber nada de iluminação, focos, aberturas, velocidades e sentar-me pacientemente a ouvir contar a história de uma vida.
Pedi-lhe que se despisse, se sentisse à vontade.
A fotografia poderá não ter atingido os seus objectivos, mas eu fiquei contente com o meu trabalho.
NOITE
15 de Julho de 2007NOCTURNA
12 de Julho de 2007HORA ZERO
11 de Julho de 2007
foto: inez
Hora da sesta, hora zero
De torsos estafados
Pela brasa que queima.
Lá fora não se sentem as almas
As vidas estacam em silêncio
Que arde, que abafa e sufoca.
Olho o teu corpo nu
Que transpira doçura
E a meu lado amaina
Declamando em suor
Palavras deste êxtase
E em gemidos gritam
A explosão do prazer.
NOCTURNA
5 de Julho de 2007Frágil a palavra de um poema breve
Intensa a entrega dos corpos.
E no instante desse poema
A palavra dá lugar à expressão
Sublime, admirável
Do rosto desta paixão.
A ouvir isto
CONTO DA MADRUGADA -19-
22 de Junho de 2007L. já há muito que não me telefonava. É daqueles que sabe onde estou e sabe que gosto de tê-lo por perto. Que podem ser milhares de km. Por isso, sempre que dá um salto na sua vida de quase 60 anos, L. liga-me, invariavelmente para me anunciar qual a próxima paragem.
Tem procurado um sorriso na vida, ou que a vida lhe sorria, e faz disso a sua batalha diária. O seu modo de vida.
Desde a primeira união, eu era um inocente com 20 anos, L. já conheceu muitas mulheres e muitas paixões. Eu diria que ele se apaixona por cada mulher que conhece. Com a particularidade de se ver sempre na obrigação de assinar contratos de promessa. Jura que o faz para se garantir estabilidade. L. tem acumulado família e familiares, que não nomeia mas enumera: a cunhada do 2º casamento, o sogro da 4ª ligação, uma prima recente de um 5º casamento. E vens-me anunciar que….
Sim, L. diz que encontrou a mulher que lhe fará finalmente sorrir para a vida. Trinta anos mais nova, solteira e orfã, são para o L. mais que uma alegria: desta vez não trago para o casamento um divórcio incompleto, os filhos que não são meus, sogros e primos que ressurgem em cada Natal, em cada aniversário. Agora vem só ela.
Parte para África em lua-de-mel. E não se perdoaria não mo anunciar. Quere-se distante e sem calendário de regresso. E deixa-me um abraço de Adeus.
Devolvo-lhe um até breve, que sei que o L. não é homem de adeus.







