Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

Cumplicidade

3 de Setembro de 2007

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foto: joão espinho

É saber caminhar lado a lado, sem ter que olhar para o lado. Olhando de frente, quando ao lado nada há para olhar.

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do prazer

2 de Setembro de 2007

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foto: fima gelman

“Só para te informar que estou a masturbar-me deitada no sofá”.
Seria um convite, uma provocação, mas a mensagem deixou-me a fervilhar.
“Que o tempo de espera te traga mais apetite”, respondi-lhe.
Não demorei mais do que 5 minutos a entrar-lhe pela casa. Deitada no sofá esperava-me com uma lingerie fecunda em sensualidade, com os olhos a pedir para que lhe saciasse o desejo. Já nus, mordo-lhe o torso, beijo-lhe o corpo, sinto-lhe os fluidos agridoces que me oferece na boca.
Entrega-se-me quando nela me entranho, lenta e pausadamente, num jogo de excitação que prolongámos, sem espaço para palavras e de olhares fixos no prazer que estávamos a desfrutar.
Em simultâneo soltamos um gemido, que abafou a sudação dos nossos corpos, que ali se mantiveram em prolongada osmose.

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Da amizade

31 de Agosto de 2007

Há pessoas com quem só vamos falando de tempos a tempos, nas épocas festivas, nas condolências, nas boas melhoras. Um simples telefonema e sabemos que não estamos a cumprir um ritual. São pessoas que estão longe, mas sentimos de tal forma perto que não precisamos de tornar constante o contacto.
São amigos.
Daqueles que nos telefonam, porque estiveram com alguém que associam à nossa pessoa, e estão ali como se estivessem connosco. E nos dizem simplesmente: “faz o favor de ser feliz”. Como o costumam fazer em cada Natal, em cada aniversário, em cada momento em que se julga necessário dizer “estou aqui”. Sem ser um ritual.
Simplesmente porque são amigos.

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foto: joão espinho

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Posso

30 de Agosto de 2007

partilhar esta pérola contigo?

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seiva -2-

29 de Agosto de 2007

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foto: ibogun

Deixa que essa tua gota de suor se transforme em seiva
Ou que a tua seiva seja o meu suor.

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Seiva

29 de Agosto de 2007

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 foto: pedro nossol

Que seiva é essa que derramas no meu corpo

Quando em ti me entranho.

Que seiva ardente é esta

Que me queima e me consome.

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Lua Cheia

28 de Agosto de 2007

Sabia que esta iria ser especial. Diferente de muitas outras anteriormente vividas.

Esta ensinou-me a virar uma página.  E a rasgar outras que estavam a mais.

Nada melhor que uma noite de Lua cheia para arrumar o sótão!

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da liberdade

26 de Agosto de 2007

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foto: joão espinho

Muitas vezes não vemos as linhas que nos prendem ao chão. Mas sabemos que elas existem. Hoje vi uma criança chorar por perder o seu “papagaio”. Quantos de nós não gostaríamos de poder voar pelos céus, sem as amarras que não vemos mas conhecemos?

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Bom fim de semana

25 de Agosto de 2007

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foto: griss

Nenhum momento é melhor do que aquele em que sabemos que há sempre uma janela que nos deixa ver aquilo por que sonhamos.

Bom fim de semana (atrasado, mas ainda a tempo!)

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Nocturna

25 de Agosto de 2007

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foto: joão espinho

Quanto tempo demoras até chegar àquela porta?
Não sei, depende do caminho que percorrer.
Mas se fores sempre a direito não chegas mais depressa?
Certamente que sim. Mas não sei quantos obstáculos vou encontrar.
E tens a certeza que é aquela a porta de saída?
Se soubesse, já a tinha alcançado e fechado pelo lado de fora.
E deixavas presos os que estão deste lado?
Não, esses  iriam em busca de outra saída.
Há mais do que uma porta de saída?
Sim, mas nem sempre estão à tua frente.
Escolherias a porta que tivesse menos obstáculos?
Não, escolheria aquela que eu pudesse abrir.
Ah, já percebi. É a chave que é importante.
Sim, sem dúvidas!

(esta estava no baú)

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CONTO DA MADRUGADA

11 de Agosto de 2007

A minha cama é de linho.
Explico melhor. Gosto de dormir em lençóis de linho, dão-me conforto, trazem-me ao sono os sonhos que desejo. Herdados ou oferecidos, tenho-os também com monograma, gravados com letras desusadas. São meus, parece ser a mensagem que transmitem. Alguns têm já anos e corpos a mais.
Naquela noite ela estava excessivamente possessiva. As suas pernas entrelaçaram-me ainda o meu torso não havia tocado a cama. Agarrou-se a mim como se fosse a sua presa, devorando-me em sofreguidão inconsciente. As suas mãos cravaram-se-me nas costas violentamente, deixando no linho marcas de sangue. Do meu e do seu corpo.
Não a culpei pela decisão de me desfazer daquele tecido condenado a uma mancha eterna. Levou com ela os restos de uma noite e de um lençol e evitei que regressasse ao leito onde me havia marcado e deixado a sua marca.
Há dias, ao passar numa das ruas da cidade, vejo-a a sair de um restaurante, trajando um top justo em linho e com um monograma meu conhecido.
Não vi vestígios de sangue, mas o olhar que me lançou menstruava malícia.

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CONTO DA MADRUGADA

8 de Agosto de 2007

No tempo em que usava aliança, a minha cama tinha dois lados. A divisão de territórios percebia-se quando na noite soava o “vira-te para o outro lado”. Julgo que é uma situação normal a não requerer grandes aprofundamentos.
Com o desfazer da aliança, a cama passou a ter mais do que dois lados. A parte de baixo começou a ter identidade própria e o “ao lado da cama” nasceu para receber livros, revistas e tudo o mais. Este lado da cama é o meu sedativo. É quando nele cai o livro que estou a ler que a luz se apaga e o sono toma conta de mim. Dou-lhe extrema importância e tento mantê-lo afastado de olhares e senhoras de limpeza descuidadas.
O tal “outro lado” deixou de ser respeitado, não existe, aquele naco de colchão e lençol passou a ser também meu. A fronteira entre “o meu lado” e “o teu lado” desapareceu, mas mantém-se um certo respeito pela teoria. Quando ocupado, a lei da propriedade privada prevalece e respeito-a.
Há, porém, nesta coisa dos lados da cama, um factor que andava esquecido: a insónia.
É nestas alturas que percebo que não há lado que resista a uma contagem exaustiva de ovinos, nem à leitura de livros gastos ou de páginas de publicações pink!
E foi no desespero de uma insónia que cometi o erro de sair da cama pelo outro lado.
A última vez que o havia feito a minha vida sofreu uma transformação radical e a minha cama passou a transformar-se num armazém de almofadas.
Desta vez a coisa não será de tamanha responsabilidade, mas o médico aconselhou-me a deixar de tomar Prozac e a tirar a Tv do quarto.
Estes psiquiatras são loucos……

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