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do prazer
2 de Setembro de 2007
foto: fima gelman
“Só para te informar que estou a masturbar-me deitada no sofá”.
Seria um convite, uma provocação, mas a mensagem deixou-me a fervilhar.
“Que o tempo de espera te traga mais apetite”, respondi-lhe.
Não demorei mais do que 5 minutos a entrar-lhe pela casa. Deitada no sofá esperava-me com uma lingerie fecunda em sensualidade, com os olhos a pedir para que lhe saciasse o desejo. Já nus, mordo-lhe o torso, beijo-lhe o corpo, sinto-lhe os fluidos agridoces que me oferece na boca.
Entrega-se-me quando nela me entranho, lenta e pausadamente, num jogo de excitação que prolongámos, sem espaço para palavras e de olhares fixos no prazer que estávamos a desfrutar.
Em simultâneo soltamos um gemido, que abafou a sudação dos nossos corpos, que ali se mantiveram em prolongada osmose.
Da amizade
31 de Agosto de 2007Há pessoas com quem só vamos falando de tempos a tempos, nas épocas festivas, nas condolências, nas boas melhoras. Um simples telefonema e sabemos que não estamos a cumprir um ritual. São pessoas que estão longe, mas sentimos de tal forma perto que não precisamos de tornar constante o contacto.
São amigos.
Daqueles que nos telefonam, porque estiveram com alguém que associam à nossa pessoa, e estão ali como se estivessem connosco. E nos dizem simplesmente: “faz o favor de ser feliz”. Como o costumam fazer em cada Natal, em cada aniversário, em cada momento em que se julga necessário dizer “estou aqui”. Sem ser um ritual.
Simplesmente porque são amigos.

foto: joão espinho
Posso
30 de Agosto de 2007partilhar esta pérola contigo?
seiva -2-
29 de Agosto de 2007Seiva
29 de Agosto de 2007Lua Cheia
28 de Agosto de 2007da liberdade
26 de Agosto de 2007Bom fim de semana
25 de Agosto de 2007Nocturna
25 de Agosto de 2007
foto: joão espinho
Quanto tempo demoras até chegar àquela porta?
Não sei, depende do caminho que percorrer.
Mas se fores sempre a direito não chegas mais depressa?
Certamente que sim. Mas não sei quantos obstáculos vou encontrar.
E tens a certeza que é aquela a porta de saída?
Se soubesse, já a tinha alcançado e fechado pelo lado de fora.
E deixavas presos os que estão deste lado?
Não, esses iriam em busca de outra saída.
Há mais do que uma porta de saída?
Sim, mas nem sempre estão à tua frente.
Escolherias a porta que tivesse menos obstáculos?
Não, escolheria aquela que eu pudesse abrir.
Ah, já percebi. É a chave que é importante.
Sim, sem dúvidas!
(esta estava no baú)
CONTO DA MADRUGADA
11 de Agosto de 2007A minha cama é de linho.
Explico melhor. Gosto de dormir em lençóis de linho, dão-me conforto, trazem-me ao sono os sonhos que desejo. Herdados ou oferecidos, tenho-os também com monograma, gravados com letras desusadas. São meus, parece ser a mensagem que transmitem. Alguns têm já anos e corpos a mais.
Naquela noite ela estava excessivamente possessiva. As suas pernas entrelaçaram-me ainda o meu torso não havia tocado a cama. Agarrou-se a mim como se fosse a sua presa, devorando-me em sofreguidão inconsciente. As suas mãos cravaram-se-me nas costas violentamente, deixando no linho marcas de sangue. Do meu e do seu corpo.
Não a culpei pela decisão de me desfazer daquele tecido condenado a uma mancha eterna. Levou com ela os restos de uma noite e de um lençol e evitei que regressasse ao leito onde me havia marcado e deixado a sua marca.
Há dias, ao passar numa das ruas da cidade, vejo-a a sair de um restaurante, trajando um top justo em linho e com um monograma meu conhecido.
Não vi vestígios de sangue, mas o olhar que me lançou menstruava malícia.
CONTO DA MADRUGADA
8 de Agosto de 2007No tempo em que usava aliança, a minha cama tinha dois lados. A divisão de territórios percebia-se quando na noite soava o “vira-te para o outro lado”. Julgo que é uma situação normal a não requerer grandes aprofundamentos.
Com o desfazer da aliança, a cama passou a ter mais do que dois lados. A parte de baixo começou a ter identidade própria e o “ao lado da cama” nasceu para receber livros, revistas e tudo o mais. Este lado da cama é o meu sedativo. É quando nele cai o livro que estou a ler que a luz se apaga e o sono toma conta de mim. Dou-lhe extrema importância e tento mantê-lo afastado de olhares e senhoras de limpeza descuidadas.
O tal “outro lado” deixou de ser respeitado, não existe, aquele naco de colchão e lençol passou a ser também meu. A fronteira entre “o meu lado” e “o teu lado” desapareceu, mas mantém-se um certo respeito pela teoria. Quando ocupado, a lei da propriedade privada prevalece e respeito-a.
Há, porém, nesta coisa dos lados da cama, um factor que andava esquecido: a insónia.
É nestas alturas que percebo que não há lado que resista a uma contagem exaustiva de ovinos, nem à leitura de livros gastos ou de páginas de publicações pink!
E foi no desespero de uma insónia que cometi o erro de sair da cama pelo outro lado.
A última vez que o havia feito a minha vida sofreu uma transformação radical e a minha cama passou a transformar-se num armazém de almofadas.
Desta vez a coisa não será de tamanha responsabilidade, mas o médico aconselhou-me a deixar de tomar Prozac e a tirar a Tv do quarto.
Estes psiquiatras são loucos……






