Arquivo da Categoria ‘Intimidades’
alvorada
5 de Junho de 2008tu
5 de Junho de 2008Eu
3 de Junho de 2008noite
3 de Junho de 2008do desejo
2 de Junho de 2008Chá de hortelã
30 de Maio de 2008-
Nessa tarde o Sol escaldava o bastante para apetecer uma limonada bem fresca, algo que conseguisse atenuar o calor desse último dia de Maio.
Não lhe apetecia sair, mas ao mesmo tempo algo o impulsionava a desafiá-la.
Convidá-la para sua casa não era hipótese viável. Com que motivos, que razões apresentar?
Mas queria ardentemente estar perto dela, ver-lhe os olhos, sentir-lhe o cheiro.
Convidou-a para um chá. O seu chá preferido. Que sabia lhe iria refrescar a boca e os impulsos.
Na pastelaria pediu que lhe preparassem 2 chás e, se possível, o servissem bem fresco.
Quando ela chegou, o chá estava pronto. Ele olhou-a e percebeu que ela o estava a analisar profundamente.
Sentiu-lhe o aroma do perfume que trazia. O sorriso pareceu-lhe único.
Ela bebia-lhe as palavras enquanto saboreava o chá. Ou talvez o contrário.
Trocaram breves ideias sobre coisas vulgares.
Despediram-se.
Mas sabiam que aquele seria o primeiro. De muitos encontros.
Foi há quatro anos. Mesmo contrariando a meteorologia, o Sol continua a escaldar.
Os desafios aquecem-nos. Os olhares são mais intensos. As palavras, essas, não têm espaços, porque entre nós não há vírgulas e as reticências não são mais do que sinais que se estendem até ao infinito… onde nos (re)descobrimos e deixamos que o chá de hortelã regue as raízes que alimentam o nosso Amor.

foto: joão espinho
Noite
25 de Maio de 2008Noite.
Um sorriso.
Uma carícia no meu rosto.
Desejo-te.
Ofereces-me o teu paraíso
Onde me entranho
Devagar, sentido.
Olho-te
Entrego-me.
E as luzes iluminam o leito
De linho, de lençóis com asas.
Lá fora a noite chove
Lágrimas ardentes
Que inundam a nossa loucura
Onde náufragos sobrevivemos
Abraçados à nossa paixão.
Caminhos interrompidos
17 de Maio de 2008my mood
1 de Maio de 2008A voar por aqui.
A reler:
-
Esta manhã, quando acordei, e a tua imagem
se atravessou à minha frente, ainda olhei pela
janela, não fosse ter nascido da luz que entrava.
Depois, pensei que podia ter sido um pedaço de
sonho que se partiu durante a noite, quando
o atirei para o chão. Mas não vi
nada, à minha volta, como se uma imagem pudesse
ter desaparecido de um momento para o outro,
ou a noite nunca tivesse existido. Saí
de casa, atravessei a rua até ao café e, enquanto
o bebia, fechei os olhos. E a imagem voltou,
tão real que, quando olhei de novo para a frente,
a mesa vazia transformara-se num sofá onde
estavas estendida, em repouso, como se o dia todo
tivesse passado por ti, e a noite te envolvesse
com o seu peso branco.
nuno júdice
Retomando a fotografia:

foto: Sergey Zavodovskiy
E sempre, sempre, a troca de palavras que fazem sentido:
“Precisas de alguma coisa?”
“Só de te ver….!”
Tenham um bom feriado.
convite
17 de Abril de 2008
foto: david le beck
Entro no teu quarto e vejo-te deitada
A receber os primeiros raios de luz
De um dia de Sol invernio.
Convidas-me sem palavras a que te beije o dorso
E nele me perco
Como na ilusão de um poema
Onde os versos são agora as linhas do teu corpo
Feito poesia carnal, viva, transpirando desejo.
Bebo a seiva que me ofereces
E em ti permaneço
Até que a noite nos acorde
Para mais um sonho.
Noite de Entrudo
7 de Fevereiro de 2008
foto: Anton Martynov
O aroma a eucalipto que transpira dos seus lençóis sempre me fez pensar que se tratava de um amaciador especial. Nunca lhe quis perguntar.
Nessa noite, de Entrudo, trepei-lhe para as ancas e, subitamente, desperta-me da bebedeira de a possuir com um “por momentos deixei de saber onde estava e quem era“. Pensei que se estivesse a sentir também ela como se fosse o centro de um vulcão.
Antes dos gritos de exaltação ouço-a proclamar “é a bebida, a bebida é que dá cabo de mim“. Estranhei não haver hálito. Ou então os aromas selvagens de bosque anulavam os odores alcoólicos. Já descrente no sucesso daquela noite e antes de me apear do leito, remata-me: “os charros nem por isso!”
Olhei para o cão que se mantinha imobilizado à porta do quintal e pensei “não há fumo sem fogo”. Antes de me despedir ainda lhe dei lume para que acendesse o cigarro.
Ou seria charro?






