Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

do olhar

9 de Junho de 2008

Evgeniy Bokser
foto: Evgeniy Bokser

Olho-te uma e outra vez.
Ocultas-me o olhar para que, na penumbra da madrugada, possa descobrir no teu corpo aquilo que os teus olhos declaram.
É neste silêncio nocturno, quando me observas a alma, que murmuras o sentir do teu olhar.
E olho-te mais uma vez.
Para te sentir.

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alvorada

5 de Junho de 2008

oleg videnin
foto: oleg videnin

Aos primeiros raios da alvorada recordo o vulcão em que transformaste o leito onde à noite derramámos a nossa lava.

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tu

5 de Junho de 2008

É determinante a forma como o teu olhar transforma, o que há pouco era um frágil fragmento da alma, num rio de paixão, onde as margens se transfiguram e assumem a expressão dos nossos horizontes.

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Eu

3 de Junho de 2008

Hoje estou também aqui.

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noite

3 de Junho de 2008


foto: gregor schulz

Onde tudo se oculta
Excepto as sombras onde adormeço.

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do desejo

2 de Junho de 2008

dmitry-nikitin
foto: Dmitry Nikitin

Quero ser náufrago no teu corpo
E em ti matar a sede de amar.

Quero-me prisioneiro da tua pele
E em ti ter a liberdade de sonhar.

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Chá de hortelã

30 de Maio de 2008
    Nessa tarde o Sol escaldava o bastante para apetecer uma limonada bem fresca, algo que conseguisse atenuar o calor desse último dia de Maio.
    Não lhe apetecia sair, mas ao mesmo tempo algo o impulsionava a desafiá-la.
    Convidá-la para sua casa não era hipótese viável. Com que motivos, que razões apresentar?
    Mas queria ardentemente estar perto dela, ver-lhe os olhos, sentir-lhe o cheiro.
    Convidou-a para um chá. O seu chá preferido. Que sabia lhe iria refrescar a boca e os impulsos.
    Na pastelaria pediu que lhe preparassem 2 chás e, se possível, o servissem bem fresco.
    Quando ela chegou, o chá estava pronto. Ele olhou-a e percebeu que ela o estava a analisar profundamente.
    Sentiu-lhe o aroma do perfume que trazia. O sorriso pareceu-lhe único.
    Ela bebia-lhe as palavras enquanto saboreava o chá. Ou talvez o contrário.
    Trocaram breves ideias sobre coisas vulgares.
    Despediram-se.
    Mas sabiam que aquele seria o primeiro. De muitos encontros
    .

Foi há quatro anos. Mesmo contrariando a meteorologia, o Sol continua a escaldar.
Os desafios aquecem-nos. Os olhares são mais intensos. As palavras, essas, não têm espaços, porque entre nós não há vírgulas e as reticências não são mais do que sinais que se estendem até ao infinito… onde nos (re)descobrimos e deixamos que o chá de hortelã regue as raízes que alimentam o nosso Amor.

chá de hortelã
foto: joão espinho

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Noite

25 de Maio de 2008

Noite.
Um sorriso.
Uma carícia no meu rosto.
Desejo-te.
Ofereces-me o teu paraíso
Onde me entranho
Devagar, sentido.

Olho-te
Entrego-me.
E as luzes iluminam o leito
De linho, de lençóis com asas.

Lá fora a noite chove
Lágrimas ardentes
Que inundam a nossa loucura
Onde náufragos sobrevivemos
Abraçados à nossa paixão.

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Caminhos interrompidos

17 de Maio de 2008

caminhos interrompidos foto de joão espinho
foto: joão espinho

Quando trilhamos um caminho, sabemos que vamos encontrar obstáculos.
Porém, há sinais que nos dizem para não continuar.
Se o fizermos, prosseguimos por nossa conta e risco.
Interromper a viagem pode ser a solução, quando se deseja que os sinais sejam temporários.

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my mood

1 de Maio de 2008

A voar por aqui.

A reler:

    Esta manhã, quando acordei, e a tua imagem
    se atravessou à minha frente, ainda olhei pela
    janela, não fosse ter nascido da luz que entrava.
    Depois, pensei que podia ter sido um pedaço de
    sonho que se partiu durante a noite, quando
    o atirei para o chão. Mas não vi
    nada, à minha volta, como se uma imagem pudesse
    ter desaparecido de um momento para o outro,
    ou a noite nunca tivesse existido. Saí
    de casa, atravessei a rua até ao café e, enquanto
    o bebia, fechei os olhos. E a imagem voltou,
    tão real que, quando olhei de novo para a frente,
    a mesa vazia transformara-se num sofá onde
    estavas estendida, em repouso, como se o dia todo
    tivesse passado por ti, e a noite te envolvesse
    com o seu peso branco.
    nuno júdice

Retomando a fotografia:

nude female Sergey Zavodovskiy
foto: Sergey Zavodovskiy

E sempre, sempre, a troca de palavras que fazem sentido:

“Precisas de alguma coisa?”
“Só de te ver….!”

Tenham um bom feriado.

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convite

17 de Abril de 2008

dorso feminino foto de David Le Beck
foto: david le beck

Entro no teu quarto e vejo-te deitada
A receber os primeiros raios de luz
De um dia de Sol invernio.
Convidas-me sem palavras a que te beije o dorso
E nele me perco
Como na ilusão de um poema
Onde os versos são agora as linhas do teu corpo
Feito poesia carnal, viva, transpirando desejo.
Bebo a seiva que me ofereces
E em ti permaneço
Até que a noite nos acorde
Para mais um sonho.

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Noite de Entrudo

7 de Fevereiro de 2008

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foto: Anton Martynov

O aroma a eucalipto que transpira dos seus lençóis sempre me fez pensar que se tratava de um amaciador especial. Nunca lhe quis perguntar.
Nessa noite, de Entrudo, trepei-lhe para as ancas e, subitamente, desperta-me da bebedeira de a possuir com um “por momentos deixei de saber onde estava e quem era“. Pensei que se estivesse a sentir também ela como se fosse o centro de um vulcão.
Antes dos gritos de exaltação ouço-a proclamar “é a bebida, a bebida é que dá cabo de mim“. Estranhei não haver hálito. Ou então os aromas selvagens de bosque anulavam os odores alcoólicos. Já descrente no sucesso daquela noite e antes de me apear do leito, remata-me: “os charros nem por isso!”
Olhei para o cão que se mantinha imobilizado à porta do quintal e pensei “não há fumo sem fogo”. Antes de me despedir ainda lhe dei lume para que acendesse o cigarro.
Ou seria charro?

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