O Superparafuso
29 de Abril de 2021
O artigo de opinião de Paulo Barriga é extenso, mas é daqueles de leitura obrigatória. (para ler aqui)
Porém, destaco estas notas:
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(…)”assim que me ocorra não há Câmara pingada que não tenha o seu gabinete de informação e de comunicação. Que não dissemine os seus afazeres e arrelias através de boletins, notas informativas, cartas noticiosas, saraus radiofónicos, comunicados de imprensa… Concordo de pés juntos, já o disse, com tudo isto e com tudo o mais que a fértil imaginação de um autarca propagandista (todos eles) possa urdir para comunicar connosco. É assunto importante, este, o de manter a populaça informada. De tal forma “importante” que nenhum sô-presidente se escusa, ele próprio, a ter este setor sob domínio particular, estimadinho, por debaixo da almofada, ali bem ao alcance da sua corrigível-incorrigível-corretora esferográfica. Azul.
Depois de “descascar” Serpa e Moura, Paulo Barriga vira-se, com objectividade, para Beja.
E faz um preâmbulo:
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“(…) há dois anos pude fazer, com bolsa da Fundação Gulbenkian, uma ampla investigação jornalística sobre a cultura dos olivais em Alqueva, trabalho que foi publicado em três edições consecutivas da revista Sábado. Não sei precisar se falaram para a reportagem sete ou oito dezenas de pessoas. Sei que falaram todas aquelas que achei por conveniente contactar. Sem exceção? Não, claro! Apenas uma se furtou à conversa, nunca devolvendo os sucessivos contactos ao longo de um ano – o autarca de Beja. Que, nem por acaso, governa o concelho com maior pressão e más-práticas de culturas intensivas dentro dos blocos de rega. Feitios? Não, defeitos meus! Não frequento as redes sociais.
E depois, depois vem aquilo que eu tenho apontado tantas vezes.
Leiam :
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Bem sei que há gente que acha muito salutar os seus iluminados autarcas, partilharem picuinhices nas redes sociais. Também não tenho nada contra. É coisa de “amigos”, afinal. O que me entristece e nauseia é quando esses ajuntamentos virtuais em torno do líder absoluto se transformam no único meio de aceder a informações da vida corrente de uma instituição pública, eleita, como desconfio que seja a autarquia de Beja. Concentrar na página pessoal (e por isso privada) do presidente-rei a divulgação exclusiva de informações e acontecimentos que são de natureza coletiva é de uma regressão civilizacional a toda a prova. Parece coisa dos livros de quadradinhos.
E o remate final, aquele que Paulo Arsénio teima em não perceber, tal a opacidade da “bolha de felicidade” onde vive:
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“Mantendo a publicitação dos seus feitos heroicos na esfera dos indefetíveis “amigos”, clube privativo onde não entra crítica nem contraditório e muito menos reprovação, o autarca reina na sua segura e leal Pequenópolis. Terra noutros tempos devastada pela anarquia informativa, mas que hoje anda de trela bem apertada ao garganhoto. E, em toda e qualquer urgência, lá está ele, redentor, debaixo de capa esvoaçante ao estilo Marvel, sob aplauso e ovação do seu assanhado povinho, a tratar das urgências inadiáveis. Seja roscando uma lâmpada de tecnologia moderna num velho candeeiro de rua, aplicando uma abraçadeira numa árvore que teima a entortar no canteiro, anunciando o número de dobradiças, de anilhas e de buchas que hão de valer às milhentas obras em curso. Tcharam-tcharam”






