Frederico Carvalhão Gil, licenciado em Filosofia, é um homem “intelectualmente superior”, diz um antigo colega. Quando entrou para os serviços de intelligence chegava a ser gozado pelos colegas pela sua correção considerada excessiva, incapaz sequer de dizer um palavrão (dos mais ligeiros).
(leia aqui a história desta toupeira portuguesa)
Se se perguntar a um bejense quais as razões que levam a que o depósito de água seja desmantelado, alguns alegarão que “é para as ruínas do templo romano ficarem à vista“, outros dirão que “aquilo já é velho e não faz falta nenhuma“, muitos dirão que desconhecem as verdadeiras razões e haverá ainda outros que dizem “sei lá“, desinteressados do que possa acontecer à sua cidade.
Quem me conhece, sabe que nunca gostei daquele depósito. Por uma questão meramente egoísta, sempre que tiro fotografias à panorâmica da cidade, aquela coisa sempre me complicou o olhar, criando “ruído” no resultado das fotografias.
Mas, como disse, esta é uma questão meramente estética e egoísta.
Na campanha eleitoral autárquica de 2013, estando eu (com um grupo de amigos) sentado numa esplanada da Praça da República, aproximou-se uma comitiva liderada por João Rocha (sentou-se à mesa onde eu estava) que vinha de uma visita à zona do depósito de água. Conversa para cá, conversa para lá, alguém terá dito que a intenção de JR, caso ganhasse as eleições, seria a de mandar derrubar o depósito de água. Como estávamos em campanha eleitoral, pensei que seria uma das habituais tiradas dos políticos em campanha eleitoral. Posteriormente, pessoa amiga confirmou-me que JR terá afirmado que, nas suas viagens de Serpa (onde residia/reside) para Beja, não gostava de ver aquele depósito e que, se fosse eleito, iria derrubar o depósito. Passaram-se três anos e chegámos a 2016.
Não sei quando é que o executivo camarário tomou a decisão de mandar desmantelar/demolir o depósito. Desconheço se a decisão foi alvo de discussão dentro das paredes do Partido de JR. Mas sei que os bejenses são alheios a esta decisão, sei que não houve um aprofundado debate público e também sei que as questões técnicas (saber se o abastecimento de água à zona alta da cidade está garantido sem deficiências) não estão esclarecidas.
Sei, e disso não tenho dúvidas, que o desmantelamento do depósito de água de Beja se deve a um capricho pessoal do seu presidente de Câmara. Se lhe perguntarem por que manda derrubar o depósito, ele responderá: “Porque sim!”
Daqui a uns anos, quando perguntarem às gerações futuras por que razão se demoliu o depósito, a resposta terá que ser, invariavelmente, “porque sim!”
Para memória futura: inicia-se amanhã, dia 23 de Maio de 2016, o desmantelamento do depósito de água.
Beja e os bejenses seguirão as suas vidas. Mas a Democracia na nossa cidade ficou gravemente ferida.
Muita gente nas ruas, a Praça animou-se, as noites foram coloridas.
Foi um investimento (20.650,00 €) que, espera-se, traga resultados positivos para a cidade.
Vivá festa!
A (má) decisão foi (mal) tomada …
O general triunfará?
Em complemento do trabalho realizado esta semana pelo Diário do Alentejo, de excelente qualidade (créditos para Paulo Barriga e para a Jornalista Nélia Pedrosa) e que veio tentar colmatar a insanável lacuna de ausência de debate, aqui ficam alguns complementos aos contributos que dei para aquela reportagem e importa conhecer neste momento.
Fica igualmente o convite e o desfio para, quem ainda não o fez, se manifeste e apresente a sua opinião relativamente a esta matéria: pessoas individuais, instituições públicas ou privadas, órgãos dos partidos políticos de todos os quadrantes, coletividades, outras organizações de qualquer natureza, enfim, todos têm que ter uma palavra a dizer. Quem não o fizer agora, dificilmente gozará do direito à palavra no futuro!
Pode não contrariar a decisão que, aparentemente está tomada, mas deixará seguramente uma marca na história para que, pelo menos, coisas como esta não voltem a acontecer. Ponto de ordem!
Importa, antes de mais, fazer um ponto de ordem na discussão e reafirmar que o maior, talvez inultrapassável erro político do atual Presidente da Câmara Municipal de Beja, João Rocha, foi ter pensado que a NOSSA cidade não merecia este debate e que bastaria a sua vontade para que o reservatório fosse demolido e removido da linha do horizonte. Com efeito, se a questão tivesse sido realmente debatida do ponto de vista técnico, mas sobretudo político, concordasse-se ou não com as conclusões que daí resultariam, a legitimação da decisão estaria minimamente assegurada.
Quem colocou este assunto na agenda, infelizmente pelos piores motivos, foi o atual executivo municipal que, ao escudar-se atrás da prepotência do seu Presidente, levou a que o tema esteja a ser amplamente contestado em vários setores da sociedade. Antecedentes maus! (mais…)
(ler notícia aqui)
Se fizermos uma pequena pesquisa (googlando ex-libris da arqueologia nacional) verificamos que, de facto, Beja está nos primeiros lugares. Aliás, está em primeiro lugar. Não há coincidências, como dizia a outra.