Todos os anos é assim: o Ministério dá um período de uma semana para que as escolas comecem o ano lectivo, para que as aulas comecem. Invariavelmente, e salvo algumas (raras) excepções, as direcções das escolas optam por abrir as portas no último dia do prazo.
Para começar as aulas? Não!
O último dia do prazo serve para as habituais reuniões com pais, mães, encarregados de educação, tutores, etc… Em horário laboral, a taxa de ausências no local de trabalho dispara mas, em contrapartida, as nossas escolas enchem-se de adultos, gente maravilhosa e alegre que se julga assim com um papel fundamental no regular funcionamento das Escolas, no sucesso do ensino e no êxito escolar dos seus educandos. Bullshit! Há um excesso de paternidade nas nossas escolas e, muitas vezes, há pais/encarregados que se julgam mais pedagogos que os próprios professores. Mas isto é conversa para outra ocasião.
Regressemos ao início das aulas, ao primeiro dia de aulas: este ano, como nos anteriores, as aulas (elas mesmas) começam a uma sexta-feira. Nalguns (muitos) casos, só da parte da manhã, para que depois os petizes regressem a casa para gozar o fim de semana. A ignição do primeiro dia de aulas só se verificará, efectivamente, na próxima semana, ocasião em que se constata que a professora A vai ser mãe num dos próximos dias, que o pai do menino B não quer que ele fique na turma C, que a sala D não tem condições para leccionar a disciplina E e que muitos alunos não dispõem ainda de livros, ou por que os mesmos estão esgotados ou pela simples razão de que os pais/encarregados não têm dinheiro para os comprar.
Há excesso de lixo nas Escolas. Melhor: há excesso de lixo no ensino em Portugal.
Não nos atormentemos: para o ano voltará a ser assim. Para o ano estaremos todos mais educados!