
(capa expresso 10/4/2009)
Tenho uma séria dificuldade em lidar com este assunto.
Existe no nosso país um vírus que é alcunhar e catalogar as pessoas.
Em determinada ocasião da vida somos o filho do X, que é casado com a Y. Depois passamos a ser o irmão do K ou o marido da Z. Para outros somos o genro da L e do H e, calcule-se, o neto do P. Perde-se o nome. Somos alguém que não nós próprios.
Quando o assunto mete namorados/as e relações íntimas, a coisa vai mais fundo.
Passamos a ser o namorado da ex do D, esta namorada também não tem nome, pois é a ex de alguém, que por sua vez agora namora a ex do R, que entretanto casou com a W.
Coisas de província?
Não! São coisas de um país de merda.
Trazidas à primeira página de um jornal como o Expresso.
Não alinho nisto.
Porque as pessoas têm nome, têm personalidade, têm opinião. Independentemente de serem filhos da mãe, do pai, namorados desta ou daquela, casados ou divorciados de figuras públicas. As pessoas têm nome e cara. E sabem assinar com nome próprio.