Estive ontem (dia 6/1/2009) em mais uma reunião para a qual são convocados os pais/mães/encarregados de educação/tutores onde se dá conta do que foi a avaliação feita pelos professores aos alunos da turma e onde os pais poderão, e devem, tirar algumas dúvidas sobre o que ali se deve tratar.
Tenho alguma experiência neste assunto: já passei por ser representante dos pais/encarregados de educação (durante 5 anos) da turma de uma das minhas filhas, já pertenci a associações de pais, a federações das mesmas associações, já assisti a conselhos pedagógicos, disciplinares, de turma, etc…
Considero-me um pai presente.
A reunião de ontem, porém, e mais uma vez, desgostou-me. Tive vontade de explodir a minha indignação.
A Directora de Turma fez o que lhe competia e relatou os factos mais relevantes da classe: assiduidade, participação dos alunos, disciplina, motivação, etc…. Isto é, transmitiu aquilo que ouviu dos professores da turma.
Julgo que, para qualquer pai/encarregado de educação (P/EE), nada tenha constituído surpresa.
Porém, a atitude dos P/EE foi fazer um julgamento público de alguns professores. Porque os seus filhos/educandos haviam obtido notas inferiores às desejadas; porque os seus educandos se queixavam dos comportamentos dos professores – uma mãe disse ” a minha filha não dá graxa e por isso tem nota baixa” -; outros afirmaram que as avaliações eram injustas, etc, etc…
Um dos professores visados esteve presente nessa reunião e levou com uma carga de críticas durante mais de meia hora. Sou incapaz de avaliar pedagogias, parâmetros de avaliação ou seja lá o que for no que respeita à condição de ser professor numa escola do ensino secundário (11º ano). Reparei, no entanto, que alguns P/EE se sentem no direito de saber mais que os professores, exigirem dos professores que os substituam na sua condição de pais, que os professores levem ao colo os/as meninos/as ao êxito de serem os melhores.
Sei qual o empenho que a minha filha (neste caso a do secundário) tem em determinadas disciplinas, sei como e quando se esforça mais, sei quando ela está a precisar de um aconselhamento e de uma ajuda caseira.
Mas ontem calei-me.
Porque percebi que a maior parte dos pais desconhece – evita – o que é dar aos seus filhos a autonomia que lhes vai permitir, no futuro, ser aquilo que nós, pais, para eles desejamos.
Voltarei a este tema.