O leitor DG deixou em comentário ao post “Da Memória” o seguinte contributo:
“Nikonman!
Já que o tempo é de memórias e não temos a máquina do tempo (infelizmente) é bom recordar esses tempos de menino. O tempo dos vagares, o tempo em tinhamos tempo para ter tempo.
Lembras-te decerto daquela máquina subtil de discos de vinil; com um braço articulado que ia puxar a música para os nossos ouvidos e que, depois de introduzida a moeda da caravela ela começava a debitar música “Oh! darling please believe me…” encontrava-se colocada já dentro do espaço do bar do Senhor Nolasco e da D.º Maria.
De seguida saboreavamos um gelado de gelo. Qual pele ressequida pelo Sol!… Qual camada de ozono!… Qual carapuça!… vá mais umas braçadas que o estilo era Crawl.
Já lá vão 40 anos, meu Deus 40 anos. É MENTIRA…
Eram os espaços físicos da nossa cidade e nós aprendemos a respeitá-los e a gostar deles porque crescemos com eles.
Depois, (aqui começa a estória triste) passados anos chegaram à cidade e ao Alentejo vindos não sei de onde uns senhores tratar das suas vidinhas a soldo de ideologias. Esses senhores nunca sentiram a cidade como sua, não cresceram nela, não sabiam o que era ver o castelo depois de alguns dias de ausência e, cometeram o maior crime de lesa património alguma vez visto na nossa cidade, destruíram a memória fisica das vivências dos bejenses (não nos quiseram ouvir) (chamaram a isso pólis) UM NA NI POLI POLIPOLIANA UM BARQUINHO QUE VEIO DE ESPANHA UM NA NI – requalificação urbana – MERDA PÁ!…
Agora chamam-lhe Be(i)ja, com pronúncia do norte
Só que não nos apagaram a memória. Essa há-de continuar até ao fim dos nossos dias a alimentar-nos o amor pela nossa cidade
VIVA BEJA”.
Este é um retrato da nossa cidade, em poucas palavras, sem um parágrafo a mais.