Arquivo de Setembro de 2004
FOTÓGRAFOS E COZINHEIROS
8 de Setembro de 2004Tirado (com a devida vénia) do Jaquinzinhos:
O Excelente Cozinheiro: “É pá, a tua máquina tira fotografias muito boas. De que marca é?”
O Fotógrafo Amador: “E o teu fogão faz uns excelentes cozinhados. De que marca é?”
QUALIDADE RECONHECIDA
7 de Setembro de 2004É uma notícia Radio Pax.
A qualidade dos vinhos da herdade de Leonel Cameirinha foi reconhecida pela revista “Vinhos”.
As etiquetas Herdade das Fontes, Fonte Mouro e Herdade da Figueirinha (2003), estão assim entre os melhores vinhos nacionais.
É caso para dizer: “quem sabe, sabe!”.

foto: João Espinho
CITAçÕES – UM ESCLARECIMENTO
6 de Setembro de 2004Por mail perguntam-me porque não identifico os autores das citações que transcrevo nos “Nocturnas”, “Enigmas”, etc….
Para que não restem dúvidas: sempre que vou buscar algum texto, e porque não me quero apropriar de textos e ideias alheios, cito o autor.
Quando não cito o autor, é somente porque acho que não necessito de o fazer.
Pensava que fosse evidente isso.
Mas, repito: não me aproprio de nada que não seja meu.
Esclarecido, sr. inquiridor?
MALDADES
6 de Setembro de 2004Ontem ouvi uma maldade.
Que a Rua Dr. Afonso Costa (vulgo Rua das Lojas), vai passar a chamar-se
Rua Engº Vítor Silva (cangalheiro do comércio).
Isto é mesmo maldade, não acham?
Mas certamente que as ruas, praças e pracetas da nossa cidade, irão conhecer uma nova toponímia. O poder que se despede para o ano, não deixará de perpetuar os seus nomes. Para além da má memória, pois claro.
Eu já tenho uma Praça baptizada.
Com fotografia e tudo.
Fica para mais tarde.
Prometo.
(mais uma das incursões da Praça no mundo da má lígua. Desculpem lá, sim?)
CRÓNICA e ESTATíSTICAS
5 de Setembro de 2004A crónica emitida pela Rádio Pax no passado dia 3, e já transcrita aqui na Praça, vem hoje publicada no NotíciasAlentejo.
Entretanto, o Praça da República atingiu no passada 6ª Feira o seu record em “daily unique visitors” ( >160), a semana que hoje termina já é também record e, curiosamente, o mês de Agosto de 2004 foi o mês em que a Praça foi mais visitada.
Lembram-se de eu ter dito que quanto mais blogs houvesse em Beja, mais visitas faríamos uns aos outros?
IDEOTÁRIO
5 de Setembro de 2004Fez recentemente 14 meses de presença na blogosfera.
O Oficina das Ideias é um prazer de leitura. E o Viktor adoça-nos o olhar com os seus registos fotográficos.
A Praça agradece a distinção no Quadro de Honra e deseja muitas e boas ideias.
A MÃO
4 de Setembro de 2004NOCTURNA
4 de Setembro de 2004“Às ameaças de destruição, responderei com a força e determinação dos meus sentimentos.”
(É uma batalha com armas infinitamente desiguais. Tal como no embate bíblico entre David e Golias)
PS: tive que fazer esta adenda: afinal Golias existe mesmo. E é grande nas armas, pequeno nos sentimentos, baixo nas atitudes. Lamentável.
Palavras Refugiadas
3 de Setembro de 2004CRÓNICA RÁDIO PAX
3 de Setembro de 2004Estamos regressados deste interregno de crónicas semanais. Um interregno estival, de calores intensos que, aqui na nossa cidade, se fazem sempre sentir nesta época.
Agora retorna o tempo fresco, voltam estas notas do dia.
Regressa também a actividade política, apesar de ela, durante este Verão, não ter estado parada. Percebeu-se que os bastidores andaram muito movimentados.
Mas deixemos essas coisas de bastidores e falemos das coisas que estão à nossa frente, aquelas com as quais encalhamos diariamente.
Tenho vindo a ler, com bastante interesse, as crónicas que um vereador da Câmara de Beja tem escrito e onde relata a sua visão sobre a nossa cidade.
Também tenho ouvido e lido as opiniões de pessoas que lhe estão politicamente próximas.
Mas como sou um cidadão daqueles que anda na rua, vai as compras, passeia com as filhas e se senta numa das poucas esplanadas da cidade, também vou ouvindo o que dizem os bejenses anónimos.
E cheguei a uma conclusão.
Existem em Beja duas cidades distintas. Apesar de ocuparem o mesmo espaço físico, estas duas Bejas são antagónicas, não se entendem, mas coabitam alegremente.
Uma das Bejas é aquela que o vereador nos narra.
Uma cidade atraente, cheia de espaços verdes, com um centro histórico vivo e animado, cheio de lojas, umas mais tradicionais que outras.
É uma cidade que está livre dos poluentes automóveis, com uma boa rede de transportes públicos, daqueles movidos a energia alternativa.
Os parques de estacionamento abundam e assim, nessa Beja, as pessoas não precisam de trazer os seus carros para o miolo da cidade.
Nesta cidade, a cidade do vereador, as ciclovias servem para que a população, ávida de uma boa condição física, circule com as suas bicicletas, mesmo durante as horas de trabalho.
As ruas da Beja do vereador estão bem arborizadas, não há falta de repuxos e a água abunda, para refrescar os transeuntes ressequidos nas horas de calor e pelo constante pedalar nas bicicletas, também estas postas à disposição pelo vereador.
Esta é a cidade de um sonho. A cidade do vereador.
Há depois uma outra cidade.
Onde o trânsito entope as entradas e saídas em horas de ponta.
Onde as vias recém construídas são estreitas e nuas.
Nesta outra cidade há dezenas de cães vadios que sujam e incomodam quem nela vive.
Nesta cidade, o centro histórico está moribundo e as lojas que arriscam em abrir as suas portas, têm que utilizar métodos espanta insectos, pois estão sempre às moscas.
É nessa cidade que há ciclovias onde se estacionam carros particulares e viaturas de carga e descarga. É também aqui que a água falta. Nas fontes e nas torneiras.
É nesta cidade que a Piscina, por sinal bem bonita, tem uns balneários desprovidos do mínimo de condições e onde, pelo cheiro, se percebe que a higiene é pouca.
É também aqui que os canteiros dos novos bairros são considerados, certamente para as estatísticas, como espaços verdes.
A cidade de que vos falo, é uma cidade que há quase 2 décadas não tem uma sala de espectáculos digna desse nome, mas se publicita como pioneira em eventos culturais.
É nesta cidade que os seus habitantes, e vamos lá saber porquê, passam os tempos livres a vaguear nas grandes superfícies comerciais.
Nesta cidade, constroem-se prédios só até ao 3º andar, sinónimo do bom urbanismo, mas esquecem-se os arruamentos e os acessos a esses blocos de habitação.
É aqui, nesta cidade, que o Castelo, a que chamam ex-libris, vive do passado e de fantasmas, pois ali nada se passa e tudo já passou.
São estas as duas cidades onde habitamos.
A primeira vive no sonho de um vereador. A segunda é onde eu vivo.
Diga-me, caro leitor, onde vive você?
Célia -38-
2 de Setembro de 2004“Não me consigo perdoar o mal que te fiz”, quis Célia concluir uma conversa que, para mim, iria agora começar.
Tentei explicar-lhe, e até me socorri de desenhos, como é que um coração se abre e porque é que ele não consegue encerrar certos capítulos sem que a dor das feridas persista. Fui determinado quando lhe disse que este capítulo não estava encerrado. Quanto muito seria um virar de página, mas nunca, nunca mesmo, o epílogo de uma obra que ainda há dias tinha visto as suas primeiras linhas.
Célia contou-me então algumas coisas do seu novo dia-a-dia. Julguei-a atarefada com malas e embrulhos. Afinal ainda nem sequer começou. Não sabe ainda quando parte, nunca antes do final do Outono, e que não está nada preocupada com o que vai levar.
Agora fui eu que lhe peguei em ambas as mãos. Ela levou-as à boca e beijou-as ternamente. Não estarás a sentir hesitações?
Não me respondeu. Não quis que eu lhe descobrisse os pedaços da alma que se encontram na penumbra.
À despedida prometemos voltar a ver-nos. Mas sem data marcada. As desilusões, disse-lhe eu, poderão pesar mais do que aquilo que sinto agora.
Quando me resignava no regresso a casa, com o seu cd preferido a tentar distrair-me, o telefone mostrou a mensagem: “Tenho o teu cheiro nas minhas mãos. Amo-te desesperadamente”.
O separador central da auto-estrada não me deixou voltar para trás.


