Lido o artigo de Vítor Silva – vereador da Câmara de Beja e administrador do POLI’s, algumas considerações:
1 – Percebe-se que VS não gosta de críticas. Seria preferível que os munícipes calassem a indignação. E é deselegante na apreciação que faz a quem manifesta a sua opinião. Esquece-se que são os munícipes que pagam o(s) seu(s) salário(s) (os parêntesis nos plurais, devem-se a que desconheço se VS aufere algum vencimento enquanto membro do POLI’s). Ignora que é um eleito. E que o foi para resolver problemas e não para os criar.
2 – VS fala da Praça da República. Fico na dúvida. A que Praça se refere o vereador? A que descreveu neste seu artigo é um sonho. É virtual. E Praça virtual só conheço uma. Esta onde agora estou a escrever, que é visitada diariamente por gente de todos os cantos do Mundo e que vai crescendo à medida que o tempo passa. Na minha Praça não há “sombras generosas de tílias”, mas há espaços para todos. A Praça da República que existe em Beja é hoje um lugar abandonado. Os bejenses viraram as costas à Praça. Como vão virar ao Centro Histórico da cidade, tão acarinhado por VS, se prosseguir a falta de bom senso e se se continuar a aplicar medidas urbanísticas mal delineadas.
3 – Os eventos. Recentes. São para VS a cereja em cima do bolo.
Se houvesse em Beja uma Associação de Comerciantes que efectivamente defendesse os interesses dos seus associados, a tal passagem de modelos seria promovida pelos comerciantes locais e não pela grande superfície que, curiosamente, “rouba” clientes ao comércio tradicional instalado no Centro da cidade (o que ainda lá resta). Fica bem a uma Câmara comunista dar a mão a um empresário a quem, seguramente, já chamaram capitalista (Belmiro de Azevedo agradece).
O Encontro das estruturas associativas do concelho que ali se realizou é também, para VS, mais um exemplo da vida que a Praça pode vir a ter. Para além de não compreender bem os resultados atingidos com este Encontro, é evidente que nem esta nem nenhuma outra Praça sobreviverá com a promoção de eventos que não mobilizem a população. E aquele Encontro não mobilizou.
4 – Para terminar o artigo, VS cobre o bolo com o apetecível “chantilly”. E cito:
“A principal diferença é que esta praça, a nova Praça da República, ultrapassou a dimensão do convívio e do lazer, que já havia experimentado depois de se ter libertado da ocupação abusiva a que o automóvel a sujeitou durante vários anos, e saboreou, de novo, o exercício da função cívica que lhe faltava. E que bem que o fez! Fê-lo tão bem, que foi como se estivéssemos assistindo ao renascer da ágora, há muito adormecida no esplendor desta grande praça.”
Um verdadeiro delírio. Vou já amanhã, e uma vez mais, à Praça. Para ver isso que nos relata VS.