Fui ontem, pela primeira vez, a uma Assembleia Municipal. Uma grande curiosidade em saber como os deputados municipais iriam decidir sobre a divisão administrativa do Alentejo.
Depois de o PS ter, através de comunicado, convocado as suas tropas, o que mereceu do PC, em mensagem radiodifundida, uma reacção muito forte, esperava-se uma Assembleia muito animada mas ao mesmo tempo esclarecedora.
Primeira desilusão: a agenda da AE apresentava 17, repito, 17 pontos. Discutir o Alentejo estava em……17º! Percebe-se a habitual estratégia dos comunistas: deixando para último lugar uma discussão tão importante, estaria garantida a presença maioritária dos seus partidários, mais habituados a resistir que os outros, que certamente iriam abandonando a sala, vencidos pelo sono ou pelo cansaço.
O PS antecipou-se e sugeriu que o assunto fosse tratado no 4º ponto. Ninguém se opôs.
De seguida falou o povo. Cada um à sua maneira. Mas numa lógica anti-racista: todos diferentes, todos iguais! Nem um único rasgo de inovação. A sardinha precisa de brasas e cada um puxou a sua. Ainda houve por lá um munícipe de Trigaches que lançou fortes acusações (compadrio, atropelos à lei, etc) ao elenco camarário, mas o Presidente achou por bem não lhe responder. Não sei se fez bem se fez mal. Não se estava ali para discutir a propriedade de terrenos particulares. E foi isso que Carreira Marques fez: cavalgou a ordem de trabalhos e aterrou, subitamente, no ponto 4. Em vez de responder aos cidadãos, respondeu a um comunicado do PS.
Segunda desilusão: a mesa não conduz os trabalhos conforme a ordem estabelecida. O Presidente da Mesa limitou-se a contar os 5 minutos dados a cada popular e a apontar-lhe, com os dedos da mão, os minutos que restavam a cada um. Não sei se chegou a mostrar o pai de todos. Se o fez, ninguém reagiu.
Depois. Depois começou o tom a subir. As expressões utilizadas não eram as de gente civilizada. Ataque para aqui, defesa ali. Afinal o EURO2004 contagiou mesmo as nossas gentes. O comunista Ramalho emprega uma expressão que me deixa arrepiado: “(…) ou querem-nos amordaçar?”. Estava na hora de me pôr a milhas. Um defensor dos regimes comunistas a falar em mordaças. Apeteceu-me dar uma enorme gargalhada. Mas certamente que me iriam repreender. E eu não gosto que me repreendam. Os povos ali presentes batiam palmas aos seus tribunos. Como se estivéssemos num comício!
Terceira desilusão: passados 30 anos do 25 de Abril, parece que as pessoas ainda não se habituaram a viver em Democracia. A linguagem empregue denota isso.
Agressões verbais e ausência de ideias. Ninguém se admire, pois, que os cidadãos não participem nestas reuniões que têm as portas abertas.
Saí da sala 1 hora depois de ter entrado. Fui para casa. Fiz bem. Tinha uma agradável surpresa à minha espera.
(ouvi há pouco, na rádio, que a proposta da câmara (ComUrb), havia sido rejeitada com 20 votos contra 19. sem novidade)