Arquivo da Categoria ‘Intimidades’
Parar as imagens
27 de Outubro de 2008“Por vezes gostava de parar as imagens e salvá-las das derrapagens do tempo”
Concluí, durante uma madrugada, aquilo que há tempos começara a escrever nos meus cadernos. Passei toda a estória para o word. Cheguei às 72 páginas e faltam-me adicionar centenas, talvez milhares, de diálogos dispersos, que não tive (ainda) vontade de transcrever. Faltarão ali também imagens e a verdade real das emoções.
Agora, ao amanhecer, recordo as minhas vitórias e as minhas derrotas.
Quando fui vencedor e perdedor.
Por vezes as nossas vidas parecem um filme.
E todos os filmes têm um fim.
Nocturna
26 de Outubro de 2008– Queres comer-me aqui?
– Não, vamos para um sítio público.
– Num bar, discoteca?
– Não, vem comigo!
– Preferia na tua casa…
– Quando saíres, já sabes que não voltas a entrar!
– Posso arriscar?
– Não o faças.
– Então quero-te aqui, já!
– Antes, tira os teus sapatos e dança comigo esta música.
Quando as mãos e as bocas se soltaram, deixámos de saber onde estávamos.
Por entre a penumbra de arvoredos, rompemos as amarrras que prendiam as seivas do nosso desejo.
E a noite beijava, lá ao fundo, uma cidade.

foto: andreas wiegand
do silêncio
23 de Outubro de 2008Um poema
22 de Outubro de 2008Hoje
20 de Outubro de 2008do sexo
19 de Outubro de 2008das distâncias
18 de Outubro de 2008Há pessoas que não queremos que nos larguem a pele. Há pessoas que nos estão coladas, anos e anos, às vezes sem falar uma palavra anos e anos. E são essas as pessoas que estão tão longe, muito longe de quilómetros, que nos aparecem assim, num curto telefonema, rápido, quase telegráfico e que não acreditamos: “estou amanhã aí“, e nos obriga a dizer estarei aqui, porque é assim que se solidificam as relações, as amizades. Mesmo que a milhares de quilómetros.
ao luar
14 de Outubro de 2008
foto: rdwstudio
Hoje, quando chegares ao princípio da noite, estarei à tua espera olhando o luar de Outono.
Depois, como o vai-vem das ondas do mar, os nossos corpos proclamarão a harmonia dos movimentos.
Por fim, regressas ao fundo do teu oceano, reaparecendo com a nova fase da Lua, e assim as nossas vidas se tranformam em ciclos de marés, apagando da areia os rastos que não queremos esquecer.
do oásis
9 de Outubro de 2008Cortinas rasgadas
8 de Outubro de 2008Decisão adiada. Hoje assumida.
Não basta lavar os cortinados. É preciso rasgá-los, destruí-los.
Assim como acabar com os elos que nos ligam a essas cortinas, velhas de quatro anos, que fedem de tudo aquilo que já não quero relembrar.
Não quero sequer saber se algum dia as minhas janelas tiveram estas cortinas.
Mas sei que quero ser eu. Sempre!
Adeus!

autoretrato de joão espinho
Do olhar
6 de Outubro de 2008
foto: Basovich Sergey
Quando os teus olhos sorriem, é como se o Sol entrasse pelo denso bosque, fazendo os seus raios penetrar na penumbra e iluminando o que há pouco era só escuridão.
Quando o teu olhar me toca, é como se o desejo se transformasse em abraço
E este fosse a expressão das nossas vontades adiadas.
Depois…
Depois cerras os teus olhos, para que eu sinta melhor o teu sorriso.



