Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

do sentir

28 de Outubro de 2008

Que idade tens, afinal?
– Entre os 40 e os 60!
Interessante, porque é assim mesmo que te sinto
– Como assim?
Não te sei explicar, mas é assim que te quero sentir!

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Parar as imagens

27 de Outubro de 2008

“Por vezes gostava de parar as imagens e salvá-las das derrapagens do tempo”

Concluí, durante uma madrugada, aquilo que há tempos começara a escrever nos meus cadernos. Passei toda a estória para o word. Cheguei às 72 páginas e faltam-me adicionar centenas, talvez milhares, de diálogos dispersos, que não tive (ainda) vontade de transcrever. Faltarão ali também imagens e a verdade real das emoções.
Agora, ao amanhecer, recordo as minhas vitórias e as minhas derrotas.
Quando fui vencedor e perdedor.
Por vezes as nossas vidas parecem um filme.
E todos os filmes têm um fim.

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Nocturna

26 de Outubro de 2008

Queres comer-me aqui?
– Não, vamos para um sítio público.
Num bar, discoteca?
– Não, vem comigo!
Preferia na tua casa…
– Quando saíres, já sabes que não voltas a entrar!
Posso arriscar?
– Não o faças.
Então quero-te aqui, já!
– Antes, tira os teus sapatos e dança comigo esta música.

Quando as mãos e as bocas se soltaram, deixámos de saber onde estávamos.
Por entre a penumbra de arvoredos, rompemos as amarrras que prendiam as seivas do nosso desejo.
E a noite beijava, lá ao fundo, uma cidade.


foto: andreas wiegand

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do silêncio

23 de Outubro de 2008

Abre-se a página para (re)escrever o que temos no papel.
E refugiamo-nos na capacidade de estender o silêncio até que ele se transforme na tragédia de uma mordaça.
E será nesse momento, em que a folha em branco recebe as letras, que tudo significará um novo rumo.

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Um poema

22 de Outubro de 2008

Que não se escreveu, mas esteve presente.
E teria começado:
“vinhas de jeep, e sofregamente lambeste os lábios
quando te falei nas pedras de gelo que poderiam escorrer
pelos seios que discretamente imaginei sob o teu decote….”

Não sou poeta, mas sei que me deu um enorme gozo imaginar-te num poema.

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Hoje

20 de Outubro de 2008

Ter 2 horas de almoço, em dia útil, era coisa que há muito tempo não experimentava.
E, a esta hora, ainda estou para saber se a sobremesa foi melhor que as entradas; mas sei que o prato principal estava bem temperado.
Há dias assim!

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do sexo

19 de Outubro de 2008


foto: jehan pascal

Chegaste, ofereceste-me o teu corpo.
E, como no mar, nele mergulhei repetidamente.
Dei-te as minhas mãos, os meus dedos, a minha língua.
Até que o bater das horas ditou que saísses de mim
Ficando com o paladar inundado do teu sexo
Que reclama que o relógio pare.

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das distâncias

18 de Outubro de 2008

Há pessoas que não queremos que nos larguem a pele. Há pessoas que nos estão coladas, anos e anos, às vezes sem falar uma palavra anos e anos. E são essas as pessoas que estão tão longe, muito longe de quilómetros, que nos aparecem assim, num curto telefonema, rápido, quase telegráfico e que não acreditamos: “estou amanhã aí“, e nos obriga a dizer estarei aqui, porque é assim que se solidificam as relações, as amizades. Mesmo que a milhares de quilómetros.

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ao luar

14 de Outubro de 2008


foto: rdwstudio

Hoje, quando chegares ao princípio da noite, estarei à tua espera olhando o luar de Outono.
Depois, como o vai-vem das ondas do mar, os nossos corpos proclamarão a harmonia dos movimentos.
Por fim, regressas ao fundo do teu oceano, reaparecendo com a nova fase da Lua, e assim as nossas vidas se tranformam em ciclos de marés, apagando da areia os rastos que não queremos esquecer.

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do oásis

9 de Outubro de 2008


foto: Jerzy Bednarski

“És o oásis onde vou matar esta sede que me arde no corpo”

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Cortinas rasgadas

8 de Outubro de 2008

Decisão adiada. Hoje assumida.
Não basta lavar os cortinados. É preciso rasgá-los, destruí-los.
Assim como acabar com os elos que nos ligam a essas cortinas, velhas de quatro anos, que fedem de tudo aquilo que já não quero relembrar.
Não quero sequer saber se algum dia as minhas janelas tiveram estas cortinas.
Mas sei que quero ser eu. Sempre!
Adeus!


autoretrato de joão espinho

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Do olhar

6 de Outubro de 2008


foto: Basovich Sergey

Quando os teus olhos sorriem, é como se o Sol entrasse pelo denso bosque, fazendo os seus raios penetrar na penumbra e iluminando o que há pouco era só escuridão.
Quando o teu olhar me toca, é como se o desejo se transformasse em abraço
E este fosse a expressão das nossas vontades adiadas.
Depois…
Depois cerras os teus olhos, para que eu sinta melhor o teu sorriso.

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