A Radio Pax tem estado a promover, nos estúdios daquela estação, debates e frente-a-frente com candidatos às Câmaras Municipais do Distrito de Beja.
Julgo que o figurino do frente-a-frente é mais esclarecedor, pois podem confrontar-se, com mais tempo e supostamente com mais rigor, as linhas de pensamento e programáticas dos intervenientes.
Assisti ao frente-a-frente entre João Paulo Ramôa e o candidato do PS, e ontem ouvi este a dirimir argumentos com o candidato comunista.
Se o primeiro debate primou por uma postura educada e civilizada, já o de ontem me pareceu roçar a “peixeirada”.
Sabe-se que cada um dos intervenientes deseja para si o máximo de tempo para explicar as suas ideias, agora o que já não se compreende é que se perca tanto tempo a dizer “não me interrompa, porque eu não o interrompi” ou “agora sou eu que falo”, parecendo evitar-se a vivacidade que um frente-a-frente proporciona.
A metodologia usada – “cale-se”* – não me parece adequada para os intentos de um debate daquele tipo.
Pode-se interromper educadamente, apresentando resumidamente e num brevíssimo espaço de tempo o contraditório, sem retirar a vez a quem tem a posse da palavra.
Um frente-a-frente é isso mesmo e, como se costuma dizer, da “discussão nasce a luz”.
É que, se assim não for, sugiro então ao moderador do programa que apresente antecipadamente e por escrito as questões que quer levantar e os intervenientes limitar-se-ão a ler o que levam escrito.
Um debate é para confrontar pessoas e ideias.
Repetir, até à exaustão, a expressão “não me interrompa” é meio caminho andado para o monólogo.
*metaforicamente falando