Arquivo da Categoria ‘Poetas’

sem título

18 de Novembro de 2007

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foto: joão espinho

“É tarde e és tu.
acima de tudo,
entre a manhã e as árvores,
à luz dos olhos,
à luz só do límpido olhar.”
Nuno Júdice, in “subitamente surge. tem o teu nome” - Poesia Reunida 1967-2000

sol

27 de Outubro de 2007

“Oxalá o Sol continue (…) parado sobre mim e eu embalsamado nele. Vestido dele. Afogado nele. (…)”
António Lobo Antunes - in Visão - Outubro 2007

Lua Cheia

25 de Outubro de 2007

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foto: eric kellermann

“(…) Entregai-me depressa à lua cheia (…)”
Vinicius de Moraes
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repouso

3 de Outubro de 2007

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foto: serge g.

Esta manhã, quando acordei, e a tua imagem
se atravessou à minha frente, ainda olhei pela
janela, não fosse ter nascido da luz que entrava.
Depois, pensei que podia ter sido um pedaço de
sonho que se partiu durante a noite, quando
o atirei para o chão. Mas não vi
nada, à minha volta, como se uma imagem pudesse
ter desaparecido de um momento para o outro,
ou a noite nunca tivesse existido. Saí
de casa, atravessei a rua até ao café e, enquanto
o bebia, fechei os olhos. E a imagem voltou,
tão real que, quando olhei de novo para a frente,
a mesa vazia transformara-se num sofá onde
estavas estendida, em repouso, como se o dia todo
tivesse passado por ti, e a noite te envolvesse
com o seu peso branco.
Nuno Júdice

Escrita Erótica

30 de Setembro de 2007

“Era uma noite como outra qualquer. Por acaso até era uma noite especial, embora naquele local sem história, o especial que se comemorava lá fora, era banal aqui dentro. Os corpos repousavam num improvisado sofá, corpos banais, com falhas e imperfeições, de uma banalidade mítica que só se conhecem nos momentos especiais.

Bocas nervosas verbalizavam sem se deter, cientes na força do silêncio, propulsor do abraço quente e forte que os corpos exigiam, em gritos mudos. Tocaram-se, motivados pela fome canina do desejo, entregues na paixão do efémero, consomem-se com a volúpia da primeira e única vez. Comem-se com a suprema tesão dos amantes furtivos, vasculhando com lábios insaciáveis todos os recantos de um corpo que era seu sem nunca o ter sido. Mas são traídos por gestos e olhares, mais expressivos que as palavras que não querem ou sabem dizer! Afastam-se, cada um segue mudo o seu próprio destino, depois de fingirem foder quando se amaram!”
Amélia

(contributo para um dos Passatempos referentes ao Festival do Amor)

Escrita Erótica

30 de Setembro de 2007

Essa espécie de faísca invisível em que revejo a luz
Que te envolve o corpo húmido após o orgasmo
Consome o breve rumor e o ciciar dos lençóis
Onde deixámos as marcas invisivelmente físicas
De um imenso repetir de protestos prematuros.

E sempre tão adolescentes na distância que guardamos
A vergonha desnuda dos corpos tingidos da sombra
Do sémen que inunda a inconsistência do instante
E percorre o calor do teu peito ainda entumecido
Revendo na tua língua um fluxo desconhecido.
Delfos (António Bettencourt)

(contributo para um dos passatempos referentes ao Festival do Amor)

CITO

30 de Agosto de 2007

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foto: bernd botschen

“Meu ser vive na Noite e no Desejo.
Minha alma é uma lembrança que há em mim.”

Fernando Pessoa

MIGUEL TORGA

12 de Agosto de 2007

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Nasceu a 12 de Agosto de 1907. Cumpre-se hoje, por isso, o 1º centenário do seu nascimento.

Prospecção

Não são pepitas de oiro que procuro.
Oiro dentro de mim, terra singela!
Busco apenas aquela
Universal riqueza
Do homem que revolve a solidão:
O tesoiro sagrado
De nenhuma certeza,
Soterrado
Por mil certezas de aluvião.
Cavo,
Lavo,
Peneiro,
Mas só quero a fortuna
De me encontrar.
Poeta antes dos versos
E sede antes da fonte.
Puro como um deserto.
Inteiramente nu e descoberto.
Miguel Torga

POEMA SOBRE BEJA

8 de Agosto de 2007

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foto: joão espinho

as paredes caiadas de branco repelem o sol quente da manhã
escuto rumores do destino que esvaziam as ruas cinzentas
à cidade já não regressam os que partem inseguros do amanhã
sem eles os largos são covas gigantes e lamacentas

o que acontece passa ao largo da planicie extensa e triste
e o que não acontece morre no silêncio de cada um que resiste

jorge barnabé in O Outro Crepúsculo

TU E EU

5 de Agosto de 2007

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foto: joerg siegert

Só colado ao teu , meu corpo se sabe corpo.
Por isso para que nada se perca, para que
não nos percamos, vem.

Silvia Chueire via plan(o)alto

CHEIRO

14 de Julho de 2007

“ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
– acordei com teu cheiro”

Alonso Alvarez

ENCONTRO

14 de Junho de 2007

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foto: Eric Boutilier-Brown

“Assim, eu e tu, tecendo o pano do amor, nas costas do infinito”
Nuno Júdice