Arquivo da Categoria ‘Poetas’

Improviso na madrugada

3 de Março de 2010


foto: stephen chard

“Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.

(Vontade de ser barco ou de cantar.)”
Eugénio de Andrade

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tricotar o tempo

8 de Fevereiro de 2010

“passas pela minha vida
rasando o meu entardecer
e sobre o crepúsculo vais deixando
um vestígio de asas libertas,
uma sombra de penas,
um eco de luz castanha.

que te hei-de eu dizer de mim
se os pássaros têm olhos perfeitos
quando voam?”

vítor encarnação ressuscita o tricotar o tempo

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Qual é a admiração?

29 de Dezembro de 2009


foto: eberhard steuer

Anda aí muita gente a vociferar contra a chuva, a dizer que a chuva é demasiada, que nunca mais para de chover, etc…
Se bem me recordo, nos meus tempos de jovem/estudante, a chuva aparecia no Outono e prolongava-se até ao final do Inverno. Entremeada com umas abertas (boas), a chuva era uma constante. Muitas roupas molhadas, muita lama, muitas desculpas arranjadas à conta das chuvadas. E não tínhamos alertas amarelos nem vermelhos. Eram outros tempos, é verdade, mas chovia e bem. Tal como agora. Como hoje.
O problema é que a malta já não estava habituada.
Venha de lá a chuva, que as albufeiras e os corpos agradecem.

Fiquem com esta poema de José Gomes Ferreira:

“Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.”

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Chove…

7 de Dezembro de 2009


foto: irwe s.

    “Chove…
    Mas isso que importa!
    se estou aqui abrigado nesta porta
    a ouvir a chuva que cai do céu
    uma melodia de silêncio
    que ninguém mais ouve senão eu?

    Chove…

    Mas é do destino
    de quem ama
    ouvir um violino
    até na lama.”

    José Gomes Ferreira

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mar de outono

1 de Dezembro de 2009


foto: joão espinho

“Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só pra mim.”
Sophia de Mello Breyner Andersen

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regressar ao corpo

21 de Julho de 2009


foto: stan boulton

“Regressar ao corpo, entrar nele
sem receio da insurreição da carne.
Nenhuma boca é fria,
mesmo quando atravessou
o inverno. Uma boca é imortal
sobre outra boca: diamante
aceso, estrela aberta
quando a luz irrompe, invade
ombros, peitos, coxas, nádegas, falos.
Despertos, puros no seu pulsar,
aí os tens: esplendorosos,
duros.”
Eugénio de Andrade

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manhã

11 de Julho de 2009


foto: Alexey Kartashov

Como um fruto que mostra
Aberto pelo meio
A frescura do centro

Assim é a manhã
Dentro da qual eu entro.
Sophia de Mello Breyner Andresen

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Ainda a tempo

2 de Julho de 2009

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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É a poesia

3 de Maio de 2009

“Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria.”
Eugénio de Andrade

Ouvido assim, sei lá, sem intermediários
Com a voz que tem o sabor dos teus lábios.
E de repente tudo é poesia.

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Não existes

6 de Abril de 2009

É um livro de poemas. Do Gonçalo. Que não vejo há anos. Mas que sei que anda por aí.
E por aqui.
“(…)
Agora sim!
Liberto de ti,
Consigo discorrer sobre a vida,
Assimilar o sufoco de existir
Um pesadelo tão certo,
Como o foste,
No frenesim da minha existência
!”

Encomendas (7€ já com portes incluídos) através da Editora Temas Originais (temas.originais@gmail.com)

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nocturna

13 de Março de 2009


foto: joão espinho

Construo o pensamento aos pedaços: cada
ideia que ponho em cima da mesa, é uma parte do
que penso; e ao ver como cada fragmento
se torna um todo, volto a parti-lo, para evitar
conclusões.
FilosofiaNuno Júdice

a blip a day

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Wenn ich in deine Augen seh’

9 de Março de 2009


foto: takalia

“Wenn ich in deine Augen seh’,
So schwindet all mein Leid und Weh’,
Doch wenn ich küsse deinen Mund,
So wird ich ganz und gar gesund.”
Heinrich Heine

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