
foto: bob flounders
Uma fotografia brilhante. Nas regras académicas de composição de imagem, como na magia que qualquer fotografia é suposto integrar. Será mesmo um edifício, com a parede lateral recoberta por material reflector ou estamos perante um magistral trompe l’oeil? Os semáforos constituem os únicos elementos relativamente seguros na leitura imediata da fotografia.
Mas há outros níveis de leitura. O onde, por exemplo (New York?), o de onde e o para onde, que a luz vermelha do semáforo acesa ainda mais engravida de interrogações possíveis. Pode ser um qualquer local, num momento fotograficamente feliz, sem qualquer outro significado, como pode ser uma imagem que, em cada observador, desperte memórias tão díspares como específicas…
Fica a pergunta, sem resposta: como é que uma fotografia tão “material” pode traduzir tão bem a incomensurável imaterialidade que uma imagem pode ter?
Rui Sousa Santos