Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

sinfonia

19 de Novembro de 2008


foto: stefan rappo

És realmente uma sinfonia. A melhor banda sonora que alguma vez ouvi! (…)”

Agora, que acordei, tacteio-te as palavras, os gestos, o olhar
E sei que és seiva, és sol que aquece
No íntimo
Esta intuição do amor.

Sementes

18 de Novembro de 2008


foto:kenn lichtenwalter

(…) e sempre que abandonas o leito de linho
deixas ali o teu corpo vincado sem ruídos, sem penumbras;
e trato essas marcas como pétalas de uma flor de intensos aromas
que regamos e alimentamos
nas noites em que cuidamos do nosso jardim (…)

Das memórias

17 de Novembro de 2008

Durante este fim de semana retomei, com pessoa amiga, uma conversa que eu deixara em suspenso há mais de 4 quatro anos.
Recordei-me de Agustina: Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas.

    Há pequenas impressões finas como um cabelo e que, uma vez desfeitas na nossa mente, não sabemos aonde elas nos podem levar. Hibernam, por assim dizer, nalgum circuito da memória e um dia saltam para fora, como se acabassem de ser recebidos. Só que, por efeito desse período de gestação profunda, alimentada ao calor do sangue e das aquisições da experiência temperada de cálcio e de ferro e de nitratos, elas aparecem já no estado adulto e prontas a procriar. Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas.”
    Agustina Bessa-Luís

Das palavras

16 de Novembro de 2008

que me incendeiam.
Mas para as quais não é este o momento de encontrar resposta.
Deixa que o tempo me segrede os versos destas emoções.

da manhã

15 de Novembro de 2008

em que o segundo sono é melhor que o primeiro.
enquanto lá fora o sol brilha neste frio de outono,
retoma-se o hábito e povoa-se a casa deste som,
que não se perde, é intemporal. tal como a taça de café que me aquece as mãos.
bom dia!

Noite

13 de Novembro de 2008

Hesitamos entre um abraço sob o luar
Ou um beijo de janela aberta na contemplação da luz que nos traz a noite.

Na essência dos nossos gestos, tudo toma uma nova forma!

Como se a eternidade pudesse de repente morrer,
Somos sôfregos dos nossos corpos e, no limite, abrimos as portas do quarto
Onde exaustos aguardamos a chegada da alvorada
Respirando ainda os aromas nocturnos
Que as emoções derramaram dentro de nós.

Quarto crescente

10 de Novembro de 2008


foto: vittorio poli

Onde as nossas palavras deixam de estar escondidas.
Mas onde ainda nos refugiamos nas sombras ocultas.

Decididamente

9 de Novembro de 2008


foto: korinina

Nada me prende ao silêncio.
Mesmo que as palavras se pareçam com sangue.

nocturna

9 de Novembro de 2008


foto: natalie boatfield

Ofereces-me mais do que o teu corpo e os teus aromas.
Dás-me as tuas mãos, os teus olhares e as tuas emoções.
E eu?
Respiro-te nos desejos do que me ofereces e devolvo-te as carícias, os beijos, o meu corpo.
E, silenciosamente, recolho-me nos meus segredos, à espera que o verso tome a forma do tempo.

coisas simples

8 de Novembro de 2008


foto: joão espinho

Flores … que se recebem.
Coisas simples.
Gestos.

Noite

8 de Novembro de 2008


foto: eugeny kom

“Sentamo-nos no mais longínquo dos quartos, de janelas fechadas,
e abraçamo-nos com um rumor de primaveras clandestinas,
com o inverno nos olhos”
Nuno Júdice

ao crepúsculo

5 de Novembro de 2008


foto: ostabrava

Ao crepúsculo reencontro-te para um sorriso e um novo olhar. Pedes para que te toque o corpo e te abrace como da primeira vez.
Como num grito de amor, os teus lábios percorrem-me de emoções e desejas-me a noite no teu leito de veludo.
O pêndulo das horas marca o compasso dos nossos movimentos e dos nossos corpos saem sílabas húmidas.
Fugitivos, deixamos que a noite nos dispa os rostos e que a inquietação da madrugada seja súbita, para que o romper do dia se transforme na explosão deste sentimento e dos nossos murmúrios escondidos.