Arquivo da Categoria ‘Intimidades’

da manhã

15 de Novembro de 2008

em que o segundo sono é melhor que o primeiro.
enquanto lá fora o sol brilha neste frio de outono,
retoma-se o hábito e povoa-se a casa deste som,
que não se perde, é intemporal. tal como a taça de café que me aquece as mãos.
bom dia!

Share

Noite

13 de Novembro de 2008

Hesitamos entre um abraço sob o luar
Ou um beijo de janela aberta na contemplação da luz que nos traz a noite.

Na essência dos nossos gestos, tudo toma uma nova forma!

Como se a eternidade pudesse de repente morrer,
Somos sôfregos dos nossos corpos e, no limite, abrimos as portas do quarto
Onde exaustos aguardamos a chegada da alvorada
Respirando ainda os aromas nocturnos
Que as emoções derramaram dentro de nós.

Share

Quarto crescente

10 de Novembro de 2008


foto: vittorio poli

Onde as nossas palavras deixam de estar escondidas.
Mas onde ainda nos refugiamos nas sombras ocultas.

Share

Decididamente

9 de Novembro de 2008


foto: korinina

Nada me prende ao silêncio.
Mesmo que as palavras se pareçam com sangue.

Share

nocturna

9 de Novembro de 2008


foto: natalie boatfield

Ofereces-me mais do que o teu corpo e os teus aromas.
Dás-me as tuas mãos, os teus olhares e as tuas emoções.
E eu?
Respiro-te nos desejos do que me ofereces e devolvo-te as carícias, os beijos, o meu corpo.
E, silenciosamente, recolho-me nos meus segredos, à espera que o verso tome a forma do tempo.

Share

coisas simples

8 de Novembro de 2008


foto: joão espinho

Flores … que se recebem.
Coisas simples.
Gestos.

Share

Noite

8 de Novembro de 2008


foto: eugeny kom

“Sentamo-nos no mais longínquo dos quartos, de janelas fechadas,
e abraçamo-nos com um rumor de primaveras clandestinas,
com o inverno nos olhos”
Nuno Júdice

Share

ao crepúsculo

5 de Novembro de 2008


foto: ostabrava

Ao crepúsculo reencontro-te para um sorriso e um novo olhar. Pedes para que te toque o corpo e te abrace como da primeira vez.
Como num grito de amor, os teus lábios percorrem-me de emoções e desejas-me a noite no teu leito de veludo.
O pêndulo das horas marca o compasso dos nossos movimentos e dos nossos corpos saem sílabas húmidas.
Fugitivos, deixamos que a noite nos dispa os rostos e que a inquietação da madrugada seja súbita, para que o romper do dia se transforme na explosão deste sentimento e dos nossos murmúrios escondidos.

Share

Náufragos do desejo

2 de Novembro de 2008


foto: michal tokarczuk

E que fazemos agora com esta torrente de emoções
Quando o que queremos é saciar o desejo
E deixar que a maré nos transforme em náufragos de nós próprios?

Share

das palavras

1 de Novembro de 2008

Há diálogos que se constroem quase sem palavras. Quando as expressões dos olhos ditam todas os verbos e um suave toque nas mãos revela os vocábulos que estão trancados entre os lábios.
Há momentos assim, que se estendem, alongam e desejamos ampliar até ao infinito.

Share

dos sentidos

29 de Outubro de 2008


foto: Jan Scholz

Que milagre é esse que me apresentas em forma de aromas com sabores, desnudando os meus sentidos, criando em mim a tensão do desejo?
Que expressão é essa que me ofereces e que me faz faminto dos teus beijos e dos prazeres do teu corpo?
Como consegues acariciar-me com o teu olhar quando te contemplo e me ofereces a tua respiração ofegante?
Como serei eu capaz de resistir a esta pulsação dos sentidos?

(a ouvir)

Share

das mãos

28 de Outubro de 2008


foto: andreas heumann

De noite, apareces-me sem rosto. Ouço-te a respiração, silenciosos sussurros, e sinto as tuas mãos percorrerem-me a face, o pescoço, o torso. E detens-te para que sejam então os meus dedos a preencher-te o desejo. Continuas com o rosto oculto, mas as tuas mãos são agora parte deste jogo onde dedos e mãos se fundem entre vales e colinas. E quando os meus olhos se cerram de espasmo, do teu rosto ouço um gemido que ilumina, momentaneamente, o leito dos nossos sonhos.

Share