Nocturna
4 de Julho de 2008” 04h11- Acordei com um gato a miar na cozinha”.
” 04h11- Acordei com um gato a miar na cozinha”.
“Queria que fosses o sal do meu mar, para assim melhor temperar as noites onde me perco em saudades.”
“Afligem-me as circunstâncias dos meus pesadelos. Principalmente dos que teimam em passar da noite para o dia.”
Ainda gostava de encontrar uma razão para esta constante censura que me imponho, sempre que abro o editor do blog para aqui escrever ou para aqui inserir uma fotografia.
Apesar dos vários espaços que tenho - os blogs ocultos - é aqui que eu deveria escrever sem constrangimentos, deveria ser aqui que as imagens surgiriam sem me importar com a sua carga ou com a sensibilidade alheia.
Se escrevo porque gosto de o fazer, se tenho a fotografia como paixão, se não receio ser mais cidadão ao publicar o que penso, porquê então a puta desta auto-censura?
Dúvidas de uma noite à beira do solstício.

foto: Vladimir Arkhipov
o mar. o sol. amar ao sol. no mar. contigo.

foto: rina h
No espelho contemplo o teu despertar
No teu corpo repouso o meu olhar.

foto: Evgeniy Bokser
Olho-te uma e outra vez.
Ocultas-me o olhar para que, na penumbra da madrugada, possa descobrir no teu corpo aquilo que os teus olhos declaram.
É neste silêncio nocturno, quando me observas a alma, que murmuras o sentir do teu olhar.
E olho-te mais uma vez.
Para te sentir.
É determinante a forma como o teu olhar transforma, o que há pouco era um frágil fragmento da alma, num rio de paixão, onde as margens se transfiguram e assumem a expressão dos nossos horizontes.

foto: gregor schulz
Onde tudo se oculta
Excepto as sombras onde adormeço.