Arquivo da Categoria ‘Crónicas’

Notas soltas de Verão

18 de Julho de 2008

A minha crónica no Correio Alentejo (link ainda não disponível) de 18/7/2008, para ler aí em baixo .
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Oportunidades

6 de Junho de 2008

Crónica publicada no jornal Correio Alentejo, edição de 6/6/2008

1. A Câmara Municipal de Beja (CMB) apresentou-se na última edição da OVIBEJA com um stand e uma imagem que, a acreditar na propaganda veiculada pela edilidade, iriam transmitir “uma mensagem positiva, de confiança no desenvolvimento económico, industrial, comercial e social do concelho”. Anunciada com grandes títulos, a nova imagem gráfica da autarquia seria igualmente uma mensagem de optimismo a quem visitasse a Feira.

2. A notícia surgiu na Rádio Pax: “A empresa Agusta Westland está a proceder a uma série de contactos com a Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja e com a autarquia, no sentido de se instalar no Aeroporto de Beja”.

3. O PSD elegeu Manuela Ferreira Leite como sua líder. É a escolha dos militantes do PSD e nada garante que seja a mais acertada, o que não seria invulgar, se olharmos para a história recente deste Partido. Mas em democracia a vontade dos eleitores é soberana e todos temos que aceitar, com maior ou menor resignação, a derrota dos projectos em que acreditamos.

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Basta! Já chega!

28 de Abril de 2008

Crónica publicada no Correio Alentejo de 25/4/2008

1.

    Foi assim, com a expressão que serve de título a esta crónica, que Luís Filipe Menezes encenou a sua saída de líder do PSD. Dramático, como convém nestas ocasiões, proclamou-se vítima de meia dúzia de críticos, um número seguramente pouco rigoroso, mas que lhe saiu inadvertidamente da boca, tentando apoucar o crescente número de vozes que, dentro do Partido, lhe apontavam a inabilidade para a liderança, a incapacidade para ser o motor da agenda política, a incompetência para vencer eleições.(…)

2.

    A quem apetece também dizer “Basta!” é aos responsáveis pela Câmara Municipal de Beja que, num passe de mágica, e a reboque da Ovibeja, pretende agora proclamar que a sua renovada imagem gráfica está associada a uma nova forma de encarar o futuro do concelho.(…)

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Notas soltas da política bejense

28 de Março de 2008

Crónica publicada no Correio Alentejo de 28/3/2008

O período que antecedeu a Quaresma trouxe à política bejense algum fervor, pouco habitual, e que alguns justificam por se estar a entrar em período pré eleitoral, apesar de Outubro de 2009 ainda estar longe. Não diria que esta vivacidade seja já pré-campanha, mas percebe-se que o horizonte das autárquicas do próximo ano não está longe, mesmo sabendo-se que todos estes tiros são de pólvora seca e que pouco ou nada de novo irão trazer aos cenários instalados.
Vejamos, então, o que se passou e ainda anda a passar por aí.
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PSD à deriva

7 de Março de 2008

Crónica publicada no Correio Alentejo de 7/3/2008

Milito no PSD desde 1979, com altos e baixos na actividade partidária, umas vezes de acordo com as linhas traçadas pelas lideranças, outras em completo desacordo.
Apoiei a solução AD fundada por Sá Carneiro, quando muitos manifestavam a sua desconfiança nos resultados dessa solução. Os 45% e os 47% de 1979 e 1980 provaram que, apesar dos contestatários, Sá Carneiro estava no bom rumo.
Manifestei-me, nos locais próprios, contra as lideranças de Pinto Balsemão e Mota Pinto.
Apoiei Cavaco Silva até o seu governo se transformar numa quinta mal frequentada. Não estive ao seu lado quando fez da reeleição de Mário Soares um passeio eleitoral e fez com que alguns meus companheiros de Partido se humilhassem num incompreensível apoio ao candidato da direita. Voltei a apoiá-lo quando se candidatou pela primeira vez a Presidente da República, numa altura em que poucos eram os que queriam dar a cara pela sua candidatura. Fui um fervoroso apoiante de Durão Barroso quando o aparelho do Partido e as inerências o derrotaram num dos mais conturbados Congressos do PSD.
A liderança de Marcelo Rebelo de Sousa foi vista a cerca de 3.000 km de distância e com indiferença.
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Beja – Uma cidade sem gente

8 de Fevereiro de 2008

Crónica publicada no Correio Alentejo de 8/2/2008

Escrevo esta crónica em pleno período carnavalesco.
Um período de oficial tolerância de ponto e pontes de lazer, onde os foliões bejenses poucas alternativas têm que não seja sair da cidade e procurar divertimento fora de portas. Beja já teve a sua Batalha das Flores, Beja já teve afamados bailes de máscaras, Beja já teve Carnaval.
O Carnaval é, também, mais um espelho daquilo em que se transformou a nossa cidade.
Uma cidade que se diz capital de Distrito, que se quer um pólo centralizador de desenvolvimento, que se quer uma verdadeira cidade.
Porém, todos os caminhos estão a seguir percurso inverso.
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Fascismo e antifascistas

11 de Janeiro de 2008

Crónica publicada no Correio Alentejo de 11/1/2008

1 - Instalou-se na sociedade portuguesa, principalmente na boca de figuras públicas e analistas políticos, a moda de intitular de fascista tudo e mais alguma coisa.
O principal culpado parece ser o engenheiro Sócrates que, por ter sido eleito democraticamente, decidiu por em prática algumas políticas que, dizem, fazem lembrar o fascismo.
Esta moda – com contornos de doença – atingiu até quem nós pensávamos estar imune a patetices conjunturais.

2 – Cá por Beja a moda já é antiga: dar os nomes de ilustres desconhecidos às ruas da cidade, a que se acrescenta o rótulo de “antifascista”, tornando assim a nossa toponímia num imenso Aljube.
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Merecíamos melhor!

7 de Dezembro de 2007

Crónica publicada no Correio Alentejo de 7/12/2007

Referi-me na minha anterior crónica ao facto de o actual executivo camarário bejense se ter furtado a fazer um balanço de dois anos de mandato. Curiosamente, dias depois, os jornalistas eram convidados para uma conferência de imprensa onde seria feito o tal balanço. Só que, por razões desconhecidas, a referida conferência foi cancelada e, em seu lugar, marcada uma outra, esta para apresentar o Orçamento e Opções do Plano da Câmara Municipal de Beja para 2008. Apesar de o documento ainda ter que ser objecto de discussão e aprovação na Assembleia Municipal, o actual executivo demonstrou, mais uma vez, a sua arrogância, desta vez com total desprezo pelos deputados municipais, onde se incluem os da mesma força política que gere a Câmara Municipal e que, seguramente, não se incomodam com este tipo de atitudes por parte dos seus camaradas no executivo. O centralismo democrático obriga a manter caladas as bocas e quem arriscar contrariar esta prática sabe que o caminho pode vir a ser o da expulsão, como aconteceu à deputada Luísa Mesquita.
Mas se o executivo se furtou ao balanço, já uma rádio local aproveitou a ocasião para, entrevistando o Presidente da Câmara, poder fazer uma avaliação da obra feita e ouvir o que se pretende fazer nos próximos 2 anos.
E o que se ouviu nessa entrevista?
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Beja - Uma cidade adiada

16 de Novembro de 2007

Crónica publicada no Correio Alentejo de 16/11/2007

beja-uma-cidade-adiada.jpg

Completaram-se no passado dia 25 de Outubro 2 anos de mandato do executivo da Câmara Municipal de Beja (CMB). Esperava-se da parte do mesmo um balanço sobre a obra feita ou, no mínimo, os projectos que tem agendados/calendarizados para os próximos 2 anos. Seguramente ciente de que poucos lhe dariam ouvidos, o executivo comunista da CMB remeteu-se a um silêncio a que já nos vai habituando e que só quebra quando está certo que as palavras não têm o efeito de boomerang. Como nos parece que o actual executivo padece de sintomas de “fuga à realidade”, não se estranhou, pois, esta evasão a uma prestação intermédia de contas.
Faça-se, então, um breve balanço, só possível exercendo a comparação entre o que se prometeu e o que está à vista.
Para tal é necessário recordar que o lema “Tradição – Mudança – Modernidade / Bej@.com futuro”, que nos foi oferecido pela CDU em campanha eleitoral, nasceu de muitas reuniões preparatórias com alguns sectores da população – uma espécie de antecipação do município participado – onde, julga-se, foram lançadas as propostas que enformaram o compromisso eleitoral dos comunistas nas Autárquicas de 2005.

Olhemos então para alguns dos aspectos desse rol de promessas.

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PSD e Autárquicas 2009

19 de Outubro de 2007

Crónica publicada no Correio Alentejo de 19 de Outubro de 2007

1 – Escrevia eu aqui, na minha anterior crónica, e a propósito das directas no PSD: “(…) o que tem Marques Mendes a ganhar com estas directas antecipadas, para além de, previsivelmente, derrotar o seu repetente opositor?
A meu ver, e como militante social-democrata: Nada!”.

2 - De repente, e para alguns fora do tempo correcto, o tema Autárquicas 2009 encheu os noticiários radiofónicos e as agendas das redacções dos órgãos de comunicação social local.
E porquê?
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Soltas e (ainda) quentes

24 de Setembro de 2007

Crónica publicada no Correio Alentejo de 21 de Setembro de 2007.

O período estival é pouco propício a discussões sobre grandes temas. Porém, o Verão que agora está a acabar ofereceu-nos momentos bem quentes, contrastando com a meteorologia, que pregou as suas partidas aos veraneantes, desejosos de muito sol e praia.

Vejamos:

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Estranha, esta cidade!

16 de Julho de 2007

(crónica publicada no Correio Alentejo - 13/Julho/2007)

1 – Beja recebeu, durante mais de uma semana, as comemorações do Dia da Força Aérea. Várias iniciativas, abrangendo o Distrito, tiveram na capital do Baixo-Alentejo a sua maior expressão. Foi aqui que, a convite do Presidente da Câmara, a Força Aérea se mostrou, através de concertos, exposições, demonstrações aéreas, etc…
Destas actividades, destaco a Exposição – a Expofap – que teve lugar no Parque de Feiras e Exposições, onde foi possível contactar com as mais altas tecnologias assim como desfrutar das mais variadas experiências disponibilizadas pela FAP. Centenas de crianças são testemunho do que refiro. Mas, a questão impõe-se, onde estavam os pais destas crianças, onde estava o público adulto, sempre tão ávido de tomar contacto com novas experiências?
Provavelmente o engano é meu.
Possivelmente esta nossa cidade está de tal forma adormecida, tendo perdido hábitos de sair à noite para, até, tomar um café numa esplanada, que nem uma exposição deste teor a fez sair à rua, mesmo sabendo-se que a mesma tinha entradas gratuitas e um horário de abertura que convidava à visita.
Também deve ser por causa desta apatia que o concerto pela Banda de Música da FAP, numa noite de temperatura que convidava a sair, deixou a Praça da República com quase tantos assistentes quantos os músicos que brilhantemente actuavam em palco.
Estranha, esta cidade!

2 – O monumento que a FAP ofereceu à cidade representa, nas palavras do respectivo Chefe do Estado-Maior (CEMFA), uma forma de agradecimento pela forma como os bejenses têm acarinhado todos aqueles que servem a FAP e aqui têm passado alguns anos das suas carreiras. A cerimónia de inauguração do referido monumento revestiu-se de singeleza e grande dignidade. A FAP esteve ali representada pelos seus mais altos comandos e a cidade fez-se representar pelo seu Presidente da Câmara.
Numa breve alocução, o CEMFA fez as honras do ramo. Esperava-se do autarca um gesto cavalheiro, simples, de reconhecimento, que poderia ser consubstanciado em meia dúzia de palavras, que revelassem o agrado e orgulho da cidade em acolher no seu seio os homens e mulheres que prestam serviço na FAP, não esquecendo as famílias que os acompanham e aqui se têm estabelecido.
Estranhamente, o silêncio foi a forma mais elegante que o Presidente da autarquia escolheu para retribuir as palavras do CEMFA. Não se percebe esta atitude. Diria mesmo, muito estranho este comportamento.

3 – Beja gabou-se, durante muitos anos, de ser uma cidade arrumada, sem grandes edificações, sem cimento em excesso, com bairros mais ou menos aprazíveis. Apesar de se verificar uma diminuição de habitantes, a construção de habitações parece ter encontrado na nossa terra a sua salvação. Por toda a parte se vê erguerem-se novos edifícios. Se olharmos para aquilo em que se está a transformar a avenida que vai da “Rotunda da Saladeira” (rotunda do Melius, para os mais distraídos) até à zona do Parque de Feiras e Exposições, pergunta-se: mas donde (e para quê) virá tanta gente? Não me pronuncio sobre o edifício que está ali a ser construído e cujos futuros residentes não terão de decorar o nome da avenida, pois se questionados, dirão que vivem na rotunda, dado o edifício está a ser construído mesmo em cima da mesma. Estranho, não é?
Mas, continuando, o crescimento em número de pessoas não tem acompanhado o aumento do volume de betão, pelo que é de prever (será?) o incremento da oferta de casas em 2ª mão. A cidade não se desenvolveu e não criou novos postos de trabalho. Porém, assisto diariamente a um tráfego automóvel a entrar-sair da cidade, logo a partir das 8 da manhã, que me faz crer que muitos dos que residem em Beja vão para outras localidades, onde têm o seu emprego, e muitos dos que aqui trabalham, não residem na cidade. Ao final da tarde, cruzo-me com os mesmos rostos, mas agora circulamos em sentido contrário. Não sei se já alguém se dedicou a analisar estes fluxos rodoviários e tão pouco tento adivinhar se as novas edificações irão albergar os que cá trabalham e aqui não residem. Mas que é estranho, lá isso é!

4 – A última sessão da Assembleia Municipal de Beja foi das mais estranhas em que tenho participado. Não falo da discussão em torno de moções ou de opções deste executivo camarário. Os debates em torno de matérias como o IP8, as greves, as “maldades” dos governos, o Hospital, as Escolas, são invariavelmente fastidiosos, pois não acrescentam nada de novo e inserir uma vírgula ou mais um parágrafo não os torna mais cativantes.
Porém, na última AM, quando um eleito do PS (Rui Sousa Santos), que já nas páginas deste jornal fez o mesmo diagnóstico, se referiu ao facto de a nossa cidade se parecer com um deserto, quando comparada com o bulício que oferece, por exemplo, a cidade de Serpa, onde as pessoas têm uma vasta oferta cultural, onde há pessoas nas ruas, esplanadas abertas, enfim, onde há cidade, quando aquele deputado municipal pôs o dedo na ferida, a reacção do presidente da edilidade foi, no mínimo, estranha. De uma forma intempestiva e irritada, ripostando com surdinas de mau gosto, Francisco Santos não soube aceitar a crítica e, teria sido de mestre, contrapor lançando o repto para que se encontrassem soluções. Não, o presidente preferiu ignorar a realidade, remeteu-se depois a um silêncio à boa maneira de birra infantil, demonstrando pouca habilidade nos confrontos políticos. Disse-o na ocasião, e repito-o agora, o presidente não deve tomar como pessoais os ataques políticos, devendo assumir a humildade democrática de aceitar as contrariedades e optar por uma postura mais consentânea com o cargo que desempenha.
Mas, como digo em título, esta é uma cidade estranha. Muito estranha, mesmo.
João Espinho
13JUL2007