Ago 25 2021

Entrevista com Nuno Palma Ferro

Publicado por as 15:45 em Autárquicas 2021

Nuno Palma Ferro é o candidato do PSD à Câmara Municipal de Beja. A candidatura de Nuno Palma Ferro conta com os apoios de CDS-PP, Partido Popular Monárquico, Iniciativa Liberal e Aliança.

1 – Chegou ao PSD há 1 ano. É hoje candidato à presidência da Câmara Municipal de Beja por uma coligação liderada pelo PSD. Como decorreu o processo internamente e como chegou tão rapidamente a esta posição de destaque?

Há um ano e meio senti que deveria dar o meu contributo de outra forma à minha cidade. Após ter estado 12 anos ligado a um movimento associativo através da Associação de Patinagem do Alentejo, sentia que continuava a ter a capacidade de integrar novos projetos sociais, tendo uma contribuição ativa na cidade. Nunca escondi a frustração e preocupação crescente que tenho em relação à cidade onde vivo, e a incapacidade de reter muitos jovens de qualidade que me “passaram nas mãos” nos últimos anos. Simultaneamente, dois amigos pessoais e com quem bastante debato, o Gonçalo Valente e o Bernardo Nascimento, tornam-se os impulsionadores da minha candidatura à presidência da câmara através de uma coligação onde se enquadra o PSD, que acompanhados pelo Dr. Pinela Fernandes na qualidade de presidente da concelhia, iniciaram os mecanismos internos do partido, no sentido de me endereçarem este convite, o qual foi evidentemente aceite.

2 – Sendo um filho de Beja, como considera estar a nossa cidade, nas suas mais variadas vertentes?

A resposta é bastante evidente: está, na maioria das suas vertentes, MAL!
Se assim não fosse, não me estaria a candidatar. Se olharmos para o resto do país de uma forma genérica, a qualidade de vida das pessoas subiu exponencialmente nos últimos 30 anos. Por vários fatores, as regiões e as autarquias tiveram possibilidades de crescer muito, pois existiram financiamentos e planeamento para o efeito. Em Beja, o crescimento foi muito menos exponencial do que na maioria. Não soubemos usar os financiamentos para investir, não criámos uma estratégia, exigimos pouco ou nada ao poder central, perdemos representação e fechámo-nos em disputas partidárias que não tiveram a capacidade de fazer a terra crescer. A fatura é esta: Estamos bastante atrasados! Existem várias formas de olharmos para uma cidade, mas temos de ter a consciência que o seu desenvolvimento serve para estimular uma única variável: AS PESSOAS. E nós, estamos com cada vez menos pessoas e com perspetivas de as continuarmos a perder. O mesmo para a política, que deveria servir para melhorar a vida das pessoas, o que em Beja é notório que não tem acontecido. A forma como o poder central olha para nós é bastante esclarecedora disto mesmo: CADA VEZ SOMOS MAIS INSIGNIFICANTES!


3 – O que é que mais o preocupa no concelho? Caso seja eleito, qual será a sua prioridade?

O que me deixa mais preocupado no concelho é a incapacidade dos nossos executivos responderem à seguinte pergunta: Como queremos que seja Beja em 30 anos? Por muitas obras que se façam, quando não temos uma estratégia para crescer, não crescemos. Os partidos que nos governam e nos governaram, não têm uma resposta clara e concreta a esta pergunta (talvez agora arranjem!).
A prioridade é a criação dessa estratégia, porque tudo o resto vem englobado nesta grande questão. O que me vai perguntar é: “E como é isso se começa?”. Pois bem, começa-se por uma clara alteração de postura, na forma como se vende a cidade de Beja e a marca “Beja” para o exterior, tendo esta que ser uma preocupação de todos nós bejenses. Quanto melhor vendermos a nossa cidade aos outros, mais vamos crescer. Isto começa logo no presidente da câmara, que não pode só representar a instituição. Tem que ser o melhor e principal vendedor da cidade e tem que saber mostrar/pressionar o governo central que temos condições para sermos valorizados e “alvos” de investimento. Ou seja, temos de nos impor!

Depois, temos que pensar quais são as nossas mais-valias competitivas em relação às outras autarquias e no nosso caso, a ÁGUA é o principal diferenciador, que é um dos bens mais escassos e procurados pela humanidade. Temos que a usar como motor propulsor da nossa economia, nomeadamente na forma como se atrai investimento e se acolhe a atividade económica.
Enquanto câmara municipal temos que ter a preocupação, não de causar mais problemas, mas de ajudar as pessoas, de ajudar os empresários, de facilitar burocracias quando possível e de desobstruir. Os interesses das pessoas são os interesses da câmara municipal, pelo menos deveriam ser.

4 – Nas Autárquicas de 2017, o PSD obteve 899 votos, o CDS 533. Qual é a sua meta para se considerar vencedor?

Eu não olho a votos. Por uma razão: isso desvirtuar-me-ia do caminho que estamos a percorrer. O caminho é muito importante porque o objetivo numas eleições autárquicas não é ganhar o A), o B) ou C) mas que a cidade fique a ganhar. Óbvio que acredito que a cidade só ficará a ganhar se nós formos eleitos para liderar a Câmara Municipal de Beja. A mensagem é clara: “O Beja Consegue não só tem a capacidade para dar a volta a este ciclo negativo, como pretende criar um projeto para pensar Beja daqui a 30 anos”. Até ser possível, vamos ser candidatos a vencer as eleições e assim será até dia 26 de setembro, com um nível de exigência muito alto no nosso trabalho, para que o nosso compromisso não seja com votos, mas com Beja. O resto fica a cargo de todos os bejenses, em que faremos a nossa escolha de forma democrática.

5 – Caso seja eleito vereador, tem consciência de que vai ser o fiel da balança? Para que lado vai pender? Admite uma coligação pós-eleitoral com a força vencedora?

A pergunta que me faz tem por base um cenário daquilo que espera que seja o resultado eleitoral: um 3-3-1. Temos que procurar ter uma democracia o mais saudável possível, e até as pessoas votarem, não devem existir vencedores à priori. Ainda assim, esse não é o foco. Todas as decisões tomadas neste projeto têm sempre o critério de procurar o melhor em Beja, Beja e por fim Beja. Isto não é um projeto do Nuno, há muitíssimas pessoas a trabalhar connosco e todas elas terão uma palavra a dizer, a começar por dia 26 de setembro.

6 – Consigo Beja vai conseguir o quê?

Permita-me que o corrija. O Beja Consegue é um movimento de cidadania que se faz representar por uma equipa, portanto corrigiria para “Connosco”. Todas as câmaras municipais têm a mesma ambição: melhorar a qualidade de vida das pessoas. Connosco Beja será uma opção para o futuro, será um local onde os jovens querem viver, um local com dinamismo, que preserva a sua entidade cultural e ideológica, mas a mostra ao Mundo. Procuraremos captar investimento, empresas, habitação. Queremos que os nossos jovens cheguem a 2050 e olhem para Beja e digam: Eu vivo em Beja e sou muito feliz!

Nota: Agradeço ao Nuno Palma Ferro a disponibilidade em participar nesta entrevista.

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7 Resposta a “Entrevista com Nuno Palma Ferro”

  1. XicoF diz:

    Para início já é alguma coisa, mas …
    …Eu gostava de saber:
    – O que pensa fazer connosco (funcionários), pensa ter tempo para nos ouvir e com que periodicidade? Seria uma novidade boa!

    – Pensa facultar-nos formação, quer técnica, quer permitindo fomentar o espírito de equipa, saber ouvir os munícipes e os colegas, e valorizando as evidências de uma postura que evidencie a moral, integridade.

    – Vai fazer algo que melhore o sentimento de pertença à CMB, permitindo que se cumpra a Lei, permitindo que os interessados tenham acesso aos processos que lhes dizem respeito (que funcionários quer munícipes). É que atualmente a gente não tem acesso aos nossos processos, estão fechados no serviço de pessoal e ninguém acede (só os funcionários do PAIOL). E dizem que estão cumprindo a Lei (MAS QUAL LEI???)

    – Mas a TRANSPARÊNCIA também anda arredada noutros serviços, em que o acesso é condicionado, tem que ter calçadeira para aceder. (Urbanismo, Educação, Cultura, Social…)

    – Vai recrutar chefias do partido? Vai fazer concursos por medida, tipo alfaiate, em que às tantas acaba por entrar aquele(a) que nem concorreu?

  2. ATENTO diz:

    Até aqui, temos tido sempre mais do mesmo. É imperioso variar, a diferença é importante e necessária.
    Há muita assertividade nas palavras de Nuno Palma Ferro. Sei que não é fácil conseguir aquilo a que propõe, mas se não encorajarmos e não experimentarmos, não sairemos do “ramerame” instalado.
    Principalmente e mesmo que se esteja num partido como militante, é preciso ter a coragem e a força dele “fugir” e das suas imposições. A cidade tem que estar primeiro.

  3. valentim diz:

    “Consigo todos conseguimos”! É preciso que os eleitores assim queiram! Em primeira instância, os eleitores têm de querer uma mudança, e a seguir, têm de expressar essa vontade em sede eleitoral!…Para esse efeito será necessário convencer as populações, apresentando argumentos suficientes e que sejam susceptíveis de congregar consenso, caso contrário será muito difícil trilhar esse caminho! Mais difícil será quando estamos perante eleitorados mais esclarecidos e menos permeáveis a argumentos políticos!…Para actores novos, com menos experiência governativa o desafio é bem maior! Será crucial que o discurso político seja por isso, mais assertivo e claro!

  4. diz:

    Espinho, boa iniciativa esta das entrevistas, mostra assim um lado mais construtivo do Blog que julgo ser de maior utilidade para todos. Isso não invalida a critica, a não ser quando esta é demasiado abusiva, afastando assim outros interessados.

    Devo ter alguma razão, pois acho estranho a escassez de comentários ás respostas que foram dadas por parte do Nuno.
    Ou não há sentido critico, ou demonstra desinteresse, ou então as pessoas não estão para se exporem.

    O meu amigo Nuno é 5 estrelas, mas os amigos não são só os das palmadinhas nas costas, são também aqueles que nos desafiam com opiniões diferentes da nossa.
    Não duvido das capacidades do Nuno, mas uma coisa é fazer parte duma associação e outra, bem mais complexa, é liderar uma autarquia. Estamos a falar de uma missão que exige conhecimentos e experiencia acumulados. É como entrar na tropa logo a general, falta a experiencia que dá a passagem por juntas, assembleias municipais ou outras vivencias autárquicas.

    Mas, no campo das ideias e propostas, também há coisas que podemos questionar, a começar pelo exemplo da qualidade de vida, é um conceito muito subjetivo e tenho a certeza que o Nuno, e muitos outros Bejenses, sente que tem uma excelente qualidade de vida, só o luxo que é poder ir trabalhar ou ir jogar o seu Padelzito sem pegar no carro.

    Já quanto á história da estratégia a 30 anos, espero para ver propostas concretas, para já chamava a atenção para a necessidade de respostas a problemas do presente, só a titulo de exemplo, refiro a imigração e o envelhecimento das nossas gentes.

    Podíamos aqui discutir muito mais, como o caso do uso da água, o porquê de muitos dos nossos jovens não regressarem á terrinha ,ou, a nível mais politico, discutir porque é que Beja sofreu ciclos de pouco desenvolvimento.

    Temos em Beja muita gente capaz de dar contributos a estas questões, será necessário criar um ambiente que as mesmas não se sintam constrangidas ao participar. Nisso o Espinho também tem uma palavra a dizer.

  5. Pote diz:

    Não conheço pessoalmente o professor Palma Ferro, mas esperava mais muito mais, as ideias explanadas neste entrevista são muito subjetivas e com muito pouco sumo, para mim não passam de palavras atiradas ao vento. O candidato é professor e não consegue apresentar uma única ideia para criar novas ofertas formativas no concelho? qual a sua opinião para a perda sucessiva de alunos do Politécnico e para a quebra da oferta formativa nas escolas profissionais do concelho.

    É importante que os candidatos apresentem estratégias, ideias e métodos para corrigir/modificar o que dizem estar mal, apresentem estratégias para dinamizar o politécnico de Beja, qual a estratégia para alterar o rumo da saúde no concelho? é compactuando com o esvaziar de serviços do hospital? qual a estratégia para atrair jovens para o concelho? o que fazer para que os nossos filhos tenham condições de trabalho em Beja após a conclusão dos seus estudos? Qual é a ideia para combater o preço exorbitante das casas? Qual a estratégia para captar investimento privado para Beja, como por exemplo um hospital particular, uma superfície comercial digna deste nome e não apenas supermercados, empresas ligadas à aeronáutica, etc… Qual a estratégia para o setor da cultura? a biblioteca já foi o ex-líbris de Beja de à uns 12/13 anos a esta parte é uma miragem é uma vergonha o estado a que a biblioteca chegou. Qual a estratégia para a recuperação das nossas estradas? o que pretendem fazer para pressionar o governo a terminar a autoestrada/IP até à rotundo do aeroporto, Qual a estratégia para alterar o rumo da nossa via ferroviária?

    O estado a que chegámos deve-se aos 40 anos de gestão comunista, é fundamental alterar o rumo, caso contrario teremos mais 4 anos de retrocesso, espero que os restantes candidatos apresentem ideias e métodos concretos para combater esta estagnação em que Beja se encontra.

    Estas eleições são fundamentais para Beja, seja pela bazuca ou pelo PRR o nosso voto é extremamente importante, cada dia mais me convenço que o voto útil no Paulo Arsénio é crucial para Beja, mesmo com todas as falhas que o atual presidente tem.

  6. Migas diz:

    Para uma entrevista resumo, acho que esteve muito bem. É claro que cada pessoa terá inúmeras questões a colocar, o que é bom! Cada candidato é respectiva equipa tem o seu programa eleitoral, a sua visão é as suas metas. Quem estiver interessado, é questão de se debruçar sobre o assunto, recolher informação e colocar então as suas dúvidas e questões.
    Ao ler o comentário de XicoF, que é trabalhador na autarquia, não me surpreendeu a falta de transparência e o secretismo, mas não pensava que fosse tanto! Qual é o propósito da estratégia? As pessoas têm direito a saber aquilo que lhe diz respeito…
    Voto útil em Paulo Arsénio, não me parece que seja a resposta adequada neste tipo de eleição, na qual se vota ou se devia votar, nas pessoas e não em partidarices políticas, até porque aquele já mostrou o tipo de pessoa que é, que tipo de escolhas faz, começando pela equipa com que concorre.
    Ninguém nasce ensinado, mas uns aprendem mais depressa que outros, uns têm mais perfil, têm mais estratégias e são mais transparentes.
    Bom era que nestas eleições autárquicas, não houvesse a intervenção direta dos políticos de cima, mas isso não se se algum dia acontecerá.
    Gosto da genuidade e franqueza do candidato Nuno Palma Ferro, não gosto de comunistas a gerir, seja aquilo que for, não gosto de gente fingida e que dá mostras de pouca inteligência. E por aqui me fico.

  7. Mais Beja diz:

    Sem dúvida, é o candidato mais moderado, modernista e progressista. Tem uma postura humilde, mas falta-lhe claramente conhecimento da “máquina” política e de ter uma equipa mais sábia e competente, o que é difícil numa cidade em que os melhores migram.
    O melhor resultado será ser eleito vereador, e aí desempenhar um papel mais participativo e formal dentro do sistema.
    O que pretende fazer, pelos menos nesta entrevista, é confuso. Tem de afunilar as ideias e o que pretende.

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