Abr 12 2021

Indignação

Publicado por as 15:31 em Geral

Já muito se disse e escreveu sobre a decisão instrutória da Operação Marquês, que deixou cair todos os crimes de corrupção de que José Sócrates vinha sendo acusado. Passado o choque inicial, não quero deixar de manifestar a minha indignação por tal facto. Mas vamos por pontos:
1- Ivo Rosa arrasou o Ministério Público (MP). Este vai recorrer.
2 – O mesmo Rosa chamou corrupto, com todas as letras, ao ex-primeiro ministro.
3 – Ricardo Salgado safou-se, por agora.

Sobre 1. – Para além dos crimes que prescreveram, fica a noção de que o MP não fez todo o trabalho a que era obrigado. Calculo que, durante o recurso, o MP venha, também ele, a arrasar o juíz Ivo Rosa. Esta é uma guerra que vai perdurar. No final se saberá quem, afinal, tinha razão.
Sobre 2. – Apesar de Sócrates se sentir vencedor, o juíz acusou-o de corrupto. O ex-primeiro vai recorrer de outras acusações e, com a morosidade da justiça portuguesa, calculo que esta “salganhada” venha a conhecer o seu epílogo quando Rosa já estiver jubilado e Sócrates a apanhar sol num qualquer paraíso fiscal.
Sobre 3. – Chamavam-lhe o DDT ( Dono Disto Tudo). Até provas em contrário, continua a sê-lo.

Entretanto, pela mão não sei de quem, apareceu uma coisa chamada de “Petição Pública, com o objectivo de expulsar Ivo Rosa. Uma verdadeira palermice de quem tenta, abusando da ingenuidade popular, atingir objectivos nublosos (por enquanto).
Acresce a isto que o corrupto Sócrates escreve livros e artigos para jornais (ainda há quem lhe dê guarida. O título de hoje “Só amamos as batalhas difíceis” poderia ter como subtítulo “como branquear o meu passado”. Sócrates é um predador, mas está ferido. As suas ambições políticas parecem, por agora, reduzidas ao grau zero.

Ainda sobre tudo isto: ao que parece, só Costa sai ileso desta “coisa”. A frase que proferiu há anos “à Justiça o que é da Justiça” cobriu-o de um manto à prova de bala.
E, para terminar, dado que tanto se fala de Justiça, onde está Ministra da Justiça?

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3 Resposta a “Indignação”

  1. Aldrabadomuitasvezes diz:

    Na lavandaria do ivinho, sai tudo limpinho, certinho e direitinho.

    «Se há acusação, esta não é válida…
    Se é válida, não há provas …
    Se há provas foram obtidas de forma imprópria…
    Se as provas foram obtidas de forma imprópria, estas não são suficientes…
    Se as provas são suficientes, o crime já prescreveu….»

    Roubar pouco pode dar prisão e os fiscais das finanças, da insegurança xuxial e pessoal da injustiça mandam penhorar tudo o que estiver em teu nome, quer seja pensão, 500 euritos no banco, mealheiro vai tudo … mas agora se roubares milhões, não te preocupes que não paga IRS, IRC, mais-valias, nem imposto de selo (tipo EDP).

    Mas como já dizia o ancião da Amareleja: «Só não roba nem phode, quem não pode …

  2. CarlosC diz:

    Questões jurídicas à parte: depois admirem-se que o Chega ganhe mais votos. Quando para o cidadão comum o que é visível é que a justiça é lenta e ineficaz, quem está bem “protegido” safa-se sempre, admirem-se que vá nas promessas (vãs) de quem diz querer ser “a voz do cidadão comum!”.

    PS: por mim a Operação Marquês já era… já estou à espera da Operação Electrão – vai estar na berra daqui a uns anitos!

  3. enfant terrible diz:

    Raramente concordo com o João e parece-me, diversas vezes, que as suas opiniões acabam revelar um antissocialismo que condiciona a justiça das mesmas (bom exemplo são as criticas exageradas na avaliação do desempenho do atual executivo na CM Beja). No entanto, neste caso concreto, tenho que concordar com a sua opinião, concordando em absoluto na parte referente à petição pública e com a conclusão tirada, que parece que passou ao lado (ou dá jeito fazer demagogia, principalmente em ano de eleições) de 90% das pessoas que comentaram o caso, de que Sócrates foi acusado de corrupção e o juiz considera que há fortes indícios (também me aprece que o juiz mais do que concordar com fortes indícios, quase confirmou que Sócrates foi mesmo corrompido) do mesmo ter sido corrompido enquanto desempenhava funções de primeiro-ministro.
    Mas sendo verdade que ainda muita tinta vai fazer correr este caso, há uma conclusão que já se pode tirar, a forma de atuação do MP e a gestão destes mega processos precisa de ser revista e urge fazer um debate alargado para contruir legislação que puna verdadeiramente os crimes económicos, e para isso há que estar de espirito livre, nomeadamente na questão da possibilidade de inversão do ónus da prova, etc.

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