Jan 06 2021

O debate de ontem

Publicado por as 12:53 em Presidenciais 2021

Assisti ontem à noite ao debate entre Tiago Mayan Gonçalves e André Ventura. Interessava-me ver como o candidato do IL iria reagir aos ataques de AV.

Deixo-vos aqui o que li no Expresso:

“Ao oitavo debate das Presidenciais foi possível mostrar que não é preciso rebolar na lama para encostar André Ventura às cordas da abjeção política. Parece até mais fácil fazê-lo à direita do que à esquerda – vamos ver como será com Marcelo Rebelo de Sousa esta noite -, porque assim a discussão não tem o ruído de outros preconceitos: quando um radical liberal joga contra um extremista e se espera uma luta entre imoderados, ganha o argumento da decência. E Tiago Mayan Gonçalves entrou no debate na SIC a bater André Ventura por KO com razões elementares de humanismo laico ou de cristianismo básico, os valores universais, aquelas coisas que é suposto os pais ensinarem aos filhos: não se manda uma deputada para a terra dela por ser de outra cor, não se descriminam os emigrantes, não se confinam etnias. O líder do Chega (que se corrigiu da gritaria com o comunista João Ferreira), acusou o adversário apoiado pela Iniciativa Liberal de ser um “travesti de direita”, e deu esta estranha definição: “Estamos num debate de direita a defender os coitadinhos, isso não é ser de direita (…) É o último com que eu esperava ter esta discussão”. Era talvez um dos últimos argumentos que podíamos esperar ouvir: que a xenofobia ou o racismo não deviam incomodar a direita…

Se a história mostra haver momentos em que a diferença não é entre ideias, entre esquerda e direita, mas entre a decência e a ignomínia, com este desempenho Ventura pode ter oferecido milhares de votos de católicos e de conservadores ao adversário. Veremos. O mundo está a viver tempos desses onde muita gente não rejeita a ignomínia com base na decência (veja-se o que aconteceu ao Partido Republicano nos EUA), mas o painel de 16 comentadores do Expresso avaliou o debate numa escala de zero a 10 e concluiu que a sordidez perdeu: Mayan venceu o líder do Chega por 5,7 contra 1,8 valores.

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5 Resposta a “O debate de ontem”

  1. Américo diz:

    Com o devido respeito, e desde já o digo sem pudor, que até me revejo em muitos ideais da IL, dizer que foi um KO do Tiago Mayan ao André Ventura é no mínimo rebuscado. E pegar então numa análise do Expresso… no mínimo é má fé.

    Que o Tiago tenha estado globalmente melhor, aceito e concordo, mas não foi uma derrota de goleada.

    A pergunta que todos devemos fazer é como foi possível deixar o Chega ter “luzes da ribalta”. Mas isto também é igualmente válido para o BE e o PAN.

    Agora a verdade é que os debates estão a ser todos uma grande treta, adjectivando simpaticamente. E a culpa não é dos intervenientes, mas sim dos moderadores, 75% das perguntas nada têm a ver com a presidência. Estão sempre com a faca nos dentes, perguntas do estilo, ” ah e tal, fulano disse isto de si, ou do seu partido, que têm a dizer”, “que acha desta intervenção” coisas destas conduzem a derivas que nada têm a ver com o propósito dos debates.
    No entanto constato uma situação que todos devíamos pensar, hoje em dia, está tudo de olhos esbugalhados, a ver quem é que consegue deitar André Ventura ao tapete. Não sei, mas secalhar é porque anda a tocar em alguns poderes instalados. digo eu.

  2. Atento2021 diz:

    «discriminam», sff

  3. João Espinho diz:

    @2021 – tem toda a razão. Fiz copy paste sem cuidar de corrigir o erro.

  4. E depois? diz:

    E o voto de protesto? Votarei ventura só para chatear!

  5. Maria vai com as outras diz:

    De facto o candidato da IL tem vindo a melhorar a sua prestação de debate para debate. Mas, não me parece que tal se reflita com algum significado nas votação no dia das eleições.
    Em relação à SIC e ao Expresso, onde se inclui Ricardo Araújo Pereira, não entendo este tipo de perseguição a André Ventura. Pois geralmente acaba por ter efeito exactamente contrário. Já que além de por a nu o tipo de jornalismo, a isenção e a forma como se exerce a democracia. Dá a sensação de falta de argumentos válidos, passando-se por esse motivo para a difamação e a tentativa de humilhação pública.

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