Abr 05 2020

O lay-off do director do EXPRESSO

Publicado por as 17:45 em COVID19

Ontem à noite, ao ler o Expresso, fui ver o que João Vieira Pereira (director) escrevia sobre “Do populismo e falta de moralidade”.
E escrevia ele: ” Os números mostram que mais de 420 mil pessoas já estão lay-off, com respectiva perda de rendimento. O desemprego vai disparar e as perspectivas de criação de emprego são terrivelmente desanimadoras”.
Depois JVP saltou para o Estado e, claro, desabafou o que lhe vai na alma sobre os funcionários públicos. E não poupou nas palavras: ” O Governo devia avançar rapidamente para o lay-off temporário também na Função Pública”.
Não tive insónias mas pensei cá para mim, “não te vais sem resposta”.
E a resposta chegou-me, durante a manhã, pela pena de RuiMCB, do Economia e Finanças. Transcrevo na íntegra:

Ode a João Vieira Pereira: Lay On para os FP

Ode a João Vieira Pereira! O João, no seu editorial de hoje no Expresso indigna-se por os funcionários do Estado não estarem a contribuir para o sacrifício nacional pois não há um único em lay off com corte de salário (que seria pago pelo mesmo Estado). De quem falará ele?

Diz que não é dos 30.569 médicos, nem dos 49.022 enfermeiros. Nem será dos 9.670 técnicos de diagnóstico e terapêutica. Bem como dos 1.962 técnicos superiores de saúde. Também não será dos 51366 polícias das forças de segurança ou dos 1.548 polícias municipais. Ou dos 2.292 Bombeiros.

Se bem percebi também não fala dos 136.150 professores dos vários níveis de ensino básico e secundário que continuam a dar aulas à distância e a preparar o que aí vem. Ou dos 15.241 docentes universitários e 10.470 docentes superior politécnico que continuam com aulas não presenciais.

Mesmo os políticos nacionais, regionais, locais estarão em overdrive como nunca pelo que também não será desses 2 374 que fala ou sequer dos autarcas que na larga maioria não contam para este totobola pois recebem senhas e não salário.

Será que fala dos 157.990 assistentes operacionais/operário/auxiliar (aqueles que constituem, no Estado, o grupo com mais infetados) que contém, lá pelo meio, a malta que está nos hospitais, centros de saúde, que nas autarquias continuam a desinfetar ruas e enterrar mortos? Se calhar não.

Talvez sejam os 87.448 assistentes técnicos/administrativos bom, mas também nesses os há que estão em teletrabalho a apoiar os 67.965 técnicos superiores que desenham e acodem a empresas e particulares com todas as medidas de exceção.

Já sei, são os dirigentes, os 11 107 dirigente intermédios e os 1 713 dirigentes superiores. Mas espera, quem define trabalho, organiza o trabalhado à distância, distribui pessoas para outras áreas críticas neste período? Não também não devem ser esses.

Talvez os 5 181 informáticos? Eh pá, também não! Esses andam completamente debaixo de água a tentar que tudo funcione à distância e a trabalhar como nunca. Os 403 diplomatas? Bom, esses andam em roda viva à procura de garantir equipamentos e razoabilidade entre pares

Serão os magistrados, todos os 3 801? Bom, parece que há muitos processos ainda em curso e muito trabalho acumulado que implica ler, estudar e despachar. Ná. Também não andam a coçar a micose.

Estão -se-me a acabar os suspeitos. Mas… serão os 3 441 tipos da Investigação Científica? Os de biomédicas? Os de economia? Quais? Sim, haverá alguns que ficaram em casa mas até esses estão de prevenção e podem ser chamados a qualquer momento como determina o Estado de Emergência.

Pois é JVP, provavelmente NUNCA em tempo de paz os mandriões do Estado mandriaram tão pouco. Se calhar NUNCA tantos sentiram o peso e importância de cumprirem e se calhar NUNCA os que eles servem reconheceram tão facilmente quão importante é o seu trabalho para comunidade.

Saúde!”

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5 Resposta a “O lay-off do director do EXPRESSO”

  1. ATENTO diz:

    Realmente…

  2. valentim diz:

    É necessário repensar-se os modelos de funcionamento laboral na função pública (o sector privado está alguns anos à frente)!
    Quem está em teletrabalho (e serão muitos) estão a dar resposta ás necessidades da sua entidade patronal?
    No meu caso, não tenho qualquer constrangimento ou dificuldade em cumprir com as obrigações do serviço que o meu organismo presta- a tecnologia ajuda sobremaneira e há que continuar a tirar partido desse recurso! Em matéria laboral, portanto não vejo aqui qualquer dúvida para que a coisa funcione. A entidade patronal também pouparia bastante ao desmaterializar e agilizar processos, sem grande necessidade de fazer investimento em custos energéticos, tecnológicos etc.
    Há especialistas na área da economia que defendem a ideia (compreensível) de que esta circunstância pandémica obrigará a repensar-se o mundo do trabalho, e acredito que será esta uma oportunidade para isso! Bons exemplos existem em vários sectores.

    bem hajam

  3. Vargas diz:

    Esta é aquela figura que no mesmo pasquim com data de 22/6/2019 escreve um artigo com o título: “Respeito, ou o meu obrigado aos funcionários públicos”, que vale a pena ler, para se aferir do estado de bipolaridade do indivíduo!…
    “A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na rectaguarda para ver”. B.R.
    Porra para esta estupidez que é preciso mais do que qualquer quantidade de cérebro, um bom sistema de intestinos para digerir tanta imbecilidade junta!

  4. João Espinho diz:

    @vargas – gostava de ler isso.

  5. Mais Beja diz:

    O actual director do Expresso vive, sem dúvida, numa dicotomia esquizofrénica face ao Estado e a alguns governantes. Basta ver os inúmeros comentários (na SIC Notícias) e crónicas de amor e ódio ao papel imprescindível do Estado.

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