Ago 09 2019

Da liberdade de expressão

Publicado por as 14:52 em Geral

Há dias escrevi o post “A lista do PSD“, que mereceu destaque no Alvitrando, tendo Lopes Guerreiro evidenciado, em título, uma das minhas afirmações.(pode ler aqui). Por alguns comentários, apercebi-me de algum incómodo por parte de determinados leitores.
No Facebook, Maria da Graça Carvalho, ilustre bejense e eurodeputada, questiona-me: “PSD o único partido a indicar um Deputado Europeu a representar o Baixo Alentejo e a indicar um Comissário de Beja. Tanto no meu caso como no caso do Comissário Moedas nascidos e criados em Beja com profundas raízes na região e conhecedores dos problemas! É esta a “inutilidade” de que fala o amigo João Espinho?”
Respondi de forma telegráfica: “Maria Da Graça Carvalho não , não é esse o PSD inútil.”

No mesmo local, respondeu/comentou Manuel Barroso, cujas palavras, por as considerar relevantes, destaco aqui:

“Sempre fui (sou e quero continuar a ser) um defensor das Liberdades. Nesta ocasião, queria centrar-me na Liberdade de expressão, esse Direito que nunca deveremos abdicar, defender e difundir.

Pela leitura que fiz do artigo do meu velho amigo João Espinho não fiquei a perceber se ainda será militante do PSD, (Cf. “… Já aqui escrevi demasiadas vezes, ainda enquanto militante, …”).

Sendo ou não “militante” (neste caso, do PSD), há uma coisa que ele terá sempre o direito: – O uso dessa magnífica condição e direito cívico que se chama “Liberdade de expressão” ou, de forma afim: – A “Liberdade de opinião”!
Ninguém lhe pode “confiscar” ou “negar” tal direito!

Quanto ao conteúdo, haverá quem esteja de acordo, haverá quem esteja em desacordo e, entre estas duas posições, haverá seguramente outras interpretações. Em todo o caso, todas elas, perfeitamente compreensíveis à luz do princípio das Liberdades que antes referi.

Com base nestes fundamentos cívicos, qualquer um/a de nós pode usar de homólogas prerrogativas, isto é, emitir opiniões. Obviamente que no uso de tais direitos, deverá haver o cuidado de não recorrer a calúnias, difamações, injúrias e opiniões não compagináveis com tais princípios éticos e cívicos. Sinceramente, não vejo que o João Espinho tenha estado nesta dimensão, embora considere que tece uma opinião que pode ser interpretada com algum menor grau de “adequabilidade militante” (no caso de “ainda” ser militante, embora, reconheça que, mesmo assim, tem todo o direito de se exprimir de forma “livre”, mas, “responsável”!)

Assim, porque a opinião é livre, creio que o mais importante deverá estar na benignidade do uso da Liberdade que é possível (ainda!) no nosso país, pois, como se sabe, há outros contextos e países onde persistem regimes totalitários (de esquerda ou de direita), onde tal seria matéria punível [como infelizmente já se viveu em Portugal] em formatos poderiam passar pela prisão, sevícias e outras limitações à Liberdade individual ou colectiva.
Exemplos, infelizmente, há muitos!

Entretanto, por aqui seguiremos no “padrão” geral quanto ao conteúdo: – Haverá quem concorde, quem discorde. Seguramente que agradará aos partidos opositores do PSD e/ou às pessoas que não se reveem nas estratégias internas dos partidos.
Veremos o que o futuro nos ditará!

Termino recorrendo à expressão do artigo em apreço: – “O PSD é hoje, por estes lados, um partido perfeitamente descartável, é uma inutilidade”, formulando duas questões simples:

1.ª Os outros partidos de maior relevância numérica no Circulo Eleitoral de Beja (PCP/CDU e PS) não têm sido “descartáveis” e «inúteis»?

2.ª – Que influência e acções tiveram, quer o PCP/CDU quer o PS, junto do governo que sustentaram e a quem obedeceram de forma primária nestes últimos anos, provocando com tais atitudes que o Baixo Alentejo (e as respectivas pessoas) fosse completamente ignorado e negligenciado pelos decisores de Lisboa (e dos acólitos em Évora)? (Precisam-se exemplos? Cf… aeroporto, saúde pública, caminhos-de-ferro, acessibilidades rodoviárias, etc.)”

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2 Resposta a “Da liberdade de expressão”

  1. Maria Flores diz:

    Parabens ao Manuel Barroso pela sua intervenção. É lamentável que no PSD de Beja existam mentes que não aceitam opiniões distintas.O post da eleita pelo PSD á AM de Beja é no minimo infeliz.Com militantes destes cada vez se compreende melhor os 2995 votos obtidos nas eleições para o PE.

  2. João da Mota diz:

    Como habitual e desde sempre seguidor atento deste blog, decidi dar a minha simples e singela opinião sobre o que J. Espinho aqui expõe. Mesmo correndo riscos de ser mal interpretado pelo mesmo. Sugerindo-lhe por isso e desde já que a apague, se não concordar.
    Em primeiro lugar, não consegui compreender lá muito bem os motivos da sua demissão do PSD. Um militante desde a juventude, com credenciais e um estatuto que ninguém conseguiria pôr em causa. E logo agora que esse partido está mergulhado numa crise sem precedentes, e em que a sua intervenção, acutilancia e dinamismo fariam todo o sentido.
    E muito menos que já demissionário, continue a escrever e a tecer-lhe fortes criticas como se porventura ainda lhe continuasse a pertencer.
    Sair só por sair de um partido, é sempre um erro. Pois perde-se poder e deixa-se o espaço vago, para ser ocupado regra geral por um nosso adversário interno.
    Quanto ao PSD na nossa região, não pode e nem deve ser um partido descartável. Pois ocupa um espaço politico único, e tem o mérito e a grandeza de incluir lado a lado em perfeita harmonia, desde trabalhadores das classes médias até grandes empresários. O que não é nada normal, e muito menos aqui no Baixo Alentejo.
    Quanto ao seu enfraquecimento e a perda continua de votantes. Tal como a nivel nacional é fruto da atual conjuntura económica e social da região, do país e até da Europa, que se agravou de forma acentuada com as medidas e a atuação do último governo da AD que liderou. Em que grande parte da classe média que votava no PSD, onde se incluiam trabalhadores assalariados e pequenos e médios agricultores, fazem agora já parte das classes médias-baixas. Pelo que deixaram de acreditar no PSD.
    Daí, talvez, a tentativa de Rui Rio de o guinar para a esquerda e para as suas raizes sociais democratas, de modo a que António Costa e o PS não os acabem por seduzir.
    Por último, quanto aos outros dois partidos, os seus militantes e dirigentes locais, fazem o que podem e não podem para ser ouvidos junto do governo. Que pelo que se vê, os ignora.