Ago 27 2018

Trump? Not in my funeral

Publicado por as 10:13 em Geral

John McCain aguentou cinco anos de torturas e agressões numa prisão norte-vietnamita. Recusou ser libertado antes dos camaradas para não quebrar um juramento de honra, arrependeu-se pela vida inteira de ter assinado uma declaração anti-americana para poder sair dessa cadeia, foi capaz de defender o adversário Barack Obama contra os ataques mais rasteiros dos próprios companheiros de partido e no fim da vida só teve um último desejo: não queria Donald J. Trump no funeral.” (in Expresso)

A animosidade post-mortem de McCain explica-se em dois episódios: McCain era piloto de aviões da Marinha na guerra do Vietname. Foi abatido sob solo inimigo, sobreviveu à prisão e ganhou o epíteto de herói. Trump, que nunca esteve em qualquer cenário de guerra, disse que um “verdadeiro herói” não se teria deixado apanhar pelo inimigo. McCain ainda deixou passar a bravata. Mas quando se soube em plena campanha presidencial que o atual presidente americano tinha declarado em 2005 que a melhor maneira de seduzir as mulheres é “grab them by the pussy” cortou definitivamente com o companheiro de partido. “Tenho filhas”, explicou. Adversário de Obama nas eleições de 2008 (perdeu por três por cento), McCain era um defensor da política americana de intervenção no estrangeiro (tradução: intervenções armadas) mas o carácter probo – um jornalista contava que se lhe perguntassem pelos feitos de guerra preferia contar como tinha feito mal em roubar a toalha do prisioneiro da cela do lado – fizeram dele uma espécie de reserva moral dos republicanos e dos americanos.

foto: Brian Snyder/REUTERS

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